Legado de JK enaltecido
Três exposições na capital mineira reverenciam a memória do médico que nasceu em Diamantina, foi prefeito de Belo Horizonte, governador de Minas e presidente do
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Reverência à memória de um grande brasileiro. Neste ano em que são lembrados sete décadas do início do governo do ex-presidente do país, Juscelino Kubitschek (1902-1976), o JK, e o cinquentenário da morte desse mineiro de Diamantina que foi governador de Minas (de 1951 a 1955) e prefeito de Belo Horizonte (de 1940 a 1945), três exposições na capital o homenageiam. A maior delas começa na próxima terça-feira (4/8), aberta à visitação, na sede do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG), que funciona no chamado Prédio Verde da Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul. As demais são no Arquivo Público Mineiro (APM) e na Biblioteca Pública Estadual, também no Circuito Liberdade.
Na sede do Iepha, vinculado à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), estará em cartaz “JK, o Arquiteto do Amanhã”. “Há personagens que pertencem ao seu tempo e há aqueles que passam a pertencer à história. Juscelino Kubitschek é um desses. Cinquenta anos após sua morte, Minas celebra não apenas um estadista, mas um visionário que fez da cultura, da arquitetura, do planejamento e da esperança instrumentos de construção nacional. Ao ocupar simultaneamente o Arquivo Público Mineiro, a Biblioteca Pública Estadual e o Iepha-MG, sua memória reafirma que o futuro também se preserva por meio de documentos, instituições e patrimônio cultural”, diz o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira.
Em quatro ambientes do Prédio Verde estão expostos objetos de colecionadores e de instituições mineiras. Apenas na abertura, na terça-feira (4/8), quem for à sede do Iepha poderá ver automóveis que pertenceram ao ex-presidente e ao período em que foi mandatário do país (de 1956 a 1961), entre eles um modelo JK e o microcarro Romiseta, de fabricação nacional.
Foi com JK que teve início, no país, a indústria automobilística, destaca Fabiano Lopes, curador da mostra juntamente com o professor João Caixeta. “Nascia também o projeto de um Brasil novo, representado pela Pampulha e por Brasília. A mostra propõe uma imersão na vida e na obra do líder que transformou o sonho do desenvolvimento nacional em projeto concreto de modernização do país”, ressalta Fabiano Lopes.
Por meio de documentos, fotografias, objetos, registros históricos e itens de memorabília, os visitantes têm acesso a diferentes momentos da trajetória de JK, desde a infância em Diamantina até sua atuação como uma das maiores lideranças políticas do Brasil. Objetos populares que servem para lembrar JK estão presentes, a exemplo de cinzeiro, flâmulas, chaveiros e outros.
“Juscelino Kubitschek agregava as pessoas no seu entorno, e assim mostramos essa proximidade do povo com ele num tempo em que o Brasil se abria para o mundo”, explica Caixeta, professor da Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg).
ARQUIVO E BIBLIOTECA
Já no APM, localizado na Avenida João Pinheiro, 372, no Bairro de Lourdes, se encontra a mostra “JK e a construção de Brasília: Documentos de um projeto de nação”, com material histórico sob guarda da instituição, destacando a trajetória do ex-presidente e a construção da capital federal e realçando a importância dessa iniciativa para a história do país. A curadoria é da coordenadora do Núcleo de Arquivos Permanentes do APM, Isabela Couto Campos.
Com entrada gratuita, a exposição poderá ser visitada até 30 de setembro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. Não é necessário agendamento prévio, bastando comparecer ao local.
O visitante poderá ver cartas, discursos, fotografias, mapas, registros administrativos e peças de divulgação, informa Isabela Couto Campos. A mostra lança luzes sobre Brasília como símbolo de um projeto político que buscava integrar o território, modernizar o estado e afirmar uma ideia de Brasil voltado para o futuro. A exposição também convida o público a conhecer mais sobre essa história a partir dos documentos preservados pelo APM, compreendendo o acervo como testemunho das decisões, disputas, projetos e memórias que marcaram a construção de Brasília e a trajetória de um dos personagens centrais da República brasileira.
Na Praça da Liberdade, a Biblioteca Pública Estadual inaugura, também na próxima terça-feira (4/8), “Homenagem a JK: o idealizador da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais”. A mostra na Galeria Paulo Campos Guimarães reúne livros, revistas e fotografias pertencentes ao acervo da instituição. Na abertura, às 19h, haverá também atividades no Teatro da Biblioteca, em evento aberto ao público.
Moradores de BH e visitantes terão a oportunidade de conhecer aspectos marcantes da vida e atuação do estadista mineiro, com destaque para sua proposta de construir a Biblioteca Pública do Estado de Minas Gerais (Praça da Liberdade, 21). Na sequência, o Grupo de Câmara do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) fará uma apresentação especial, levando ao público um repertório cuidadosamente preparado para a ocasião. Também na noite de terça-feira (4/8), às 19h, o professor João Caixeta ministrará a palestra “Juscelino Kubitschek: Modernidade, Cultura e o Brasil das Artes”.
DA PAMPULHA A BRASÍLIA
Na década de 1950, JK foi eleito presidente do Brasil, sendo idealizador e construtor de Brasília (DF). O “embrião” da capital federal foi a Pampulha, conforme atestou o arquiteto modernista Oscar Niemeyer (1907-2012), que trabalhou em ambos os projetos, reconhecidos internacionalmente. No último 17 de julho, o Conjunto Moderno da Pampulha – que saiu da prancheta de Niemeyer há mais de 80 anos, quando JK era prefeito de BH – completou uma década como Patrimônio Mundial e Paisagem Cultural, títulos conferidos pela Unesco (agência das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
Nas três exposições retratos e documentos contam a trajetória do mineiro de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, nascido em 12 de setembro de 1902 e formado em medicina com especialização em urologia. Na capital mineira, Juscelino abriu um amplo consultório no Edifício Ibaté, na Rua São Paulo, no Centro, considerado o primeiro arranha-céu da cidade. Fabiano Lopes explica que esse consultório integra a exposição do Iepha. “Foi emprestado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Pompéu, cidade da Região Centro-Oeste mineira.”
Depois, nomeado médico da Polícia Militar, seguiu JK para Passa Quatro, no Sul de Minas, para atuar na Revolução de 1932, quando conheceu Benedito Valadares (1892-1973), que seria governador de Minas de 1933 a 1945 e de quem foi chefe de gabinete. Assim, houve o aceno da política ao jovem médico, formado em 1927 na Escola de Medicina – hoje Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais –, com posterior ida para Paris, França, a fim de se especializar em urologia.
Na Europa, onde passou o ano de 1930, JK conheceu vários países, incluindo a República Tcheca, de onde vieram seus antepassados. Seu aniversário de 28 anos foi comemorado em Praga. No ano seguinte, casou-se com dona Sarah Kubitschek (1908-1996), com quem teve a filha Márcia (1943-2000) e adotou Maria Estela.
Em 1934, o diamantinense foi eleito deputado federal, em seguida nomeado prefeito da capital mineira e novamente deputado. Após passar pelos palácios da Liberdade, em Minas, e da Alvorada, em Brasília, se elegeu senador por Goiás (de 1961 a 1964). Com o golpe militar de 1964, JK conheceu o exílio na Europa e nos EUA. Em 4 de outubro de 1965, retornou ao país com dona Sarah e passou 36 dias no Brasil. Voltou dois anos depois dizendo que só sairia daqui morto. Ficou, mas foi preso em 13 de dezembro de 1968, data do Ato Institucional número 5, o AI-5.
Na terra natal do político e médico, fica a Casa de Juscelino, sob a presidência do seu amigo Serafim Jardim, de 90 anos. “JK nasceu na Rua Direita, 106, e morou na casa que hoje leva seu nome dos 3 anos aos 19. Preservar a casa é mais do que uma missão, pois, 13 dias antes de morrer, JK me pediu que comprasse o imóvel, então em poder de outra família, e zelasse por ele”, recorda Serafim Jardim.
TRÁGICO FIM
A morte de Juscelino Kubitschek ocorreu em 22 de agosto de 1976, em batida de carro na Via Dutra, em Resende (RJ). Também perdeu a vida seu motorista e amigo, Geraldo Ribeiro. Conforme relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), aprovado em 29 de maio deste ano, JK teve “morte não natural e violenta” causada pela ditadura militar, regime em vigor no Brasil de 1964 a 1985. Com mais de 6 mil páginas, o relatório contestou a versão de que foi um acidente na Via Dutra.
TRÊS VEZES JK
1. “JK, o arquiteto do amanhã”
• Local: Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG)
• Endereço: Praça da Liberdade, 470
• Início: Terça-feira (4/8)
• Término: 4/9
• Horário: De segunda a sexta-feira, das 10h às 16h
• Entrada gratuita
2. Homenagem a JK: o idealizador da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais
• Local: Galeria Paulo Campos Guimarães da Biblioteca Pública
• Endereço: Praça da Liberdade, 21
• Início: Terça-feira (4/8), às 19h
• Término: 30/9
• Horário: De segunda a sexta-feira, das 8h às 18h; aos sábados, das 8h às 12h
• Entrada gratuita
3. “JK e a Construção de Brasília: Documentos de um Projeto de Nação”
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• Local: Arquivo Público Mineiro (APM)
• Endereço: Avenida João Pinheiro, 372
• Início: 11/6
• Término: 30/9
• Horário: De segunda a sexta-feira, das 9h às 17h
• Entrada gratuita