A Justiça determinou a interdição imediata do poço principal da Cachoeira do Tabuleiro, em Conceição do Mato Dentro, na Região Central de Minas Gerais, atendendo a pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A decisão suspende a visitação ao local e estabelece o isolamento da área em um raio de 500 metros da queda d’água, até que sejam comprovadas as condições de segurança previstas em acordo firmado entre o órgão e o município.

A medida foi tomada no âmbito de uma ação de execução ajuizada pela Promotoria de Justiça da comarca. Além da proibição de acesso ao público, a decisão determina a instalação de barreiras físicas e sinalização ostensiva no entorno do poço principal. O acesso ficará restrito a equipes técnicas autorizadas, responsáveis por atividades de monitoramento e manutenção.

Considerada a cachoeira mais alta de Minas Gerais e a terceira maior do Brasil, a Cachoeira do Tabuleiro já havia tido o poço principal interditado após o desprendimento de um bloco rochoso, em 2021. Desde então, laudos técnicos e vistorias conduzidas por especialistas e pelo Corpo de Bombeiros vêm apontando riscos geológicos associados ao paredão rochoso, recomendando a adoção de medidas permanentes de prevenção.

De acordo com o MPMG, apesar de intervenções recentes realizadas pelo município – como a retirada de blocos instáveis e o anúncio de reabertura da área –, nem todas as medidas previstas no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado em dezembro de 2025, teriam sido efetivamente implementadas.

Entre as exigências ainda pendentes estão a instalação de uma estação meteorológica e pluviométrica para monitoramento de trombas d’água, um sistema contínuo de monitoramento sísmico, o acompanhamento permanente de pontos críticos do paredão e ajustes no plano de manejo do parque.

A Promotoria também apontou que a certificação de segurança apresentada pelo município contemplaria apenas a área onde houve intervenção direta, sem abranger toda a extensão do paredão rochoso, que possui trechos classificados como de médio e alto risco. Para a Justiça, a reabertura do atrativo estava condicionada ao cumprimento integral das obrigações estabelecidas no TAC e à comprovação técnica da segurança em toda a área.

Na decisão, o entendimento é de que persistem riscos geológicos e hidrológicos capazes de comprometer a integridade física dos visitantes. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 1 mil, limitada inicialmente a R$ 10 mil. O município também deverá apresentar comprovação do cumprimento das medidas previstas no acordo.

Em nota, a Prefeitura de Conceição do Mato Dentro informou que tomou conhecimento da decisão por meio da imprensa e que, até o momento, não foi oficialmente intimada. Segundo o Executivo municipal, ainda não houve acesso ao teor completo da decisão nem aos fundamentos técnicos e jurídicos que a embasam.

Laudos de monitoramento 

A administração municipal afirmou que a reabertura da cachoeira ocorreu após avaliação técnica realizada por profissionais habilitados, que atestaram condições para a retomada da visitação, em conformidade com as medidas de segurança e com as obrigações assumidas no TAC. Desde então, segundo a prefeitura, vêm sendo adotadas ações permanentes de monitoramento, controle e prevenção de riscos.

A prefeitura também destacou que, assim que for formalmente intimada, fará análise técnica e jurídica da decisão e apresentará aos órgãos competentes estudos, laudos e dados de monitoramento. O município informou ainda que manterá diálogo institucional com o Ministério Público e o Judiciário e que eventuais medidas adicionais serão implementadas, caso necessário.

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Por fim, a administração reafirmou o compromisso com a segurança de moradores e visitantes, com a preservação do patrimônio natural e com o cumprimento das determinações judiciais, garantindo que a visitação ao atrativo ocorra dentro dos mais elevados padrões de segurança.

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