Poucos lugares representam tão bem a história, a gastronomia e a cultura mineira quanto o Mercado Central. De olho na modernização sem abrir mão da própria identidade, um dos principais cartões-postais de Belo Horizonte inicia uma nova fase em parceria com a Vale mantendo seu nome original. O projeto prevê investimentos em infraestrutura, sustentabilidade e ações voltadas à comunidade até 2029, ano em que o espaço celebra seu centenário.
A parceria adota um modelo chamado "right naming", que mantém o nome "Mercado Central" e preserva sua identidade e legado, um modelo diferente do tradicional "naming rights", adotado pela plataforma de apostas esportivas KTO, quando firmou parceria com o mercado em setembro de 2024 e passou a chamar: "Mercado Central KTO".
A marca da plataforma deixou de ser exibida no mercado em outubro de 2024, como forma de preservar a identidade visual histórica do espaço. Embora a parceria tivesse duração prevista até 2027, a administração informou que a KTO optou por colocar um ponto final no contrato antes.
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A nova parceria anunciada neste domingo (5/7) preservou o nome como uma forma de reconhecer o forte vínculo emocional que a população mineira mantém com o mercado.
"O mercado é um símbolo para os mineiros, é um dos mercados mais importantes do mundo. Então, devolver o nome, para nós é uma relevância muito grande, que protege o patrimônio mineiro, que é um dos nossos objetivos sempre. Proteger Minas, proteger o patrimônio e garantir que o legado do mineiro seja preservado e nada mais simbólico que ter essa parceria com o Mercado Central", destacou o vice-presidente técnico da Vale, Rafael Bittar
De acordo com o executivo, a iniciativa também reforça a conexão entre duas instituições que fazem parte da história de Minas. "A Vale é uma empresa de raízes mineiras e o Mercado Central também. Essa conexão é fundamental e acredito que será muito positiva para a sociedade, para a Vale, para o mercado e para todos que se encontram aqui."
Segundo a Vale, a proposta é construir as melhorias de forma compartilhada com quem convive diariamente com a realidade do mercado. As demandas virão dos lojistas e serão discutidas em assembleias e aprovadas por votação. Depois dessa etapa, caberá à mineradora viabilizar os projetos escolhidos.
Até o centenário do Mercado Central, em 2029, a expectativa é que uma série de melhorias seja implementada de forma gradual. O plano reúne intervenções estruturais, projetos de sustentabilidade e iniciativas voltadas ao fortalecimento da relação do espaço com a comunidade.
Entre as ações previstas também estão ativações culturais, gastronômicas e experiências para os visitantes. Segundo Rafael Bittar, as iniciativas serão apresentadas ao longo dos próximos meses. "Vamos ter uma série de ativações durante esse período de parceria. Tudo será construído em conjunto e divulgado aos poucos. Tem muita coisa bacana vindo", adiantou.
O executivo destacou ainda que a parceria faz parte de um novo posicionamento da empresa. "A Vale vem se reinventando, se tornando uma empresa mais humana, mais sensível, mais conectada com a sociedade e focada em gerar valor compartilhado. Essa é a mineração que queremos construir: uma mineração que gera valor para os locais onde atua."
Para o presidente do Mercado Central, Geraldo Campos, a parceria alia inovação e preservação da identidade do espaço. Segundo ele, a chegada da Vale representa a união de duas instituições profundamente ligadas à história dos mineiros.
"O mercado vai fazer 100 anos em 2029 e a Vale tem 84 anos de atuação em Minas. Então, é muito importante a parceria com empresas que realmente têm tudo a ver com Minas e que valorizem esse espírito de mineiridade. A gente se sente muito bem acolhido pela Vale e vamos acolher a Vale da melhor maneira possível e realizar uma série de eventos para a comunidade em geral. Essa é uma parceria que vai render muitos frutos agora até o nosso centenário", destacou.
Campos destaca que os investimentos chegam em um momento importante para a estrutura física do mercado. "Estamos neste local desde 1929 e o prédio, que é da década de 1970, precisa de uma série de atualizações. Recursos para manter essa estrutura funcionando de forma adequada, segura e confortável são fundamentais."
Além das melhorias na infraestrutura, a parceria também prevê uma programação voltada para cultura e gastronomia. "Vamos realizar ações de natureza gastronômica e cultural, além de melhorar os serviços oferecidos à população. Queremos manter o prédio em excelentes condições e proporcionar a melhor experiência possível para quem visita o Mercado Central."
Diariamente o espaço recebe entre 30 mil e 60 mil visitantes e se consolidou como o principal ponto turístico da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Para Campos, manter essa estrutura exige investimentos constantes. "Receber bem sempre foi uma tradição do Mercado Central. Nossa ideia é conseguir receber cada vez melhor. Queremos que todos que venham ao mercado tenham a melhor experiência possível."
O presidente lembra ainda que a história do Mercado Central sempre foi marcada pela capacidade de adaptação. "O mercado se reinventou ao longo desses quase 100 anos. Vieram as Ceasas (Centrais de Abastecimento), os supermercados, os sacolões, o comércio digital, e continuamos sendo referência em produtos de qualidade para a gastronomia mineira. Por isso, precisamos de parceiros que também saibam se reinventar. Ninguém faz nada sozinho, e essa parceria é uma construção que vai beneficiar toda a comunidade", concluiu.
Vale é a nova patrocinadora do Mercado Central | Na foto: o diretor presidente do Mercado Central, Geraldo Campos (esquerda) e o vice-presidente técnico da Vale, Rafael Bittar (na direita)
Patrimônio mineiro
A história do Mercado Central começou em 7 de setembro de 1929. Criado pelo então prefeito Cristiano Machado, o espaço surgiu como um mercado municipal a céu aberto destinado a concentrar o abastecimento da capital. Nas décadas seguintes, tornou-se referência para comerciantes, produtores rurais e consumidores, acompanhando o crescimento de Belo Horizonte.
Na década de 1960, porém, o Mercado Central viveu um dos momentos mais delicados de sua história. A ameaça de fechamento mobilizou os comerciantes, que se uniram para comprar o terreno e construir a estrutura coberta que abriga o empreendimento até hoje.
Ao longo dos anos, o Mercado Central deixou de ser apenas um espaço de comércio para se tornar um dos maiores símbolos da cultura mineira. Ponto de encontro de moradores, parada obrigatória para turistas e cenário de tradições que atravessam gerações, seus corredores reúnem aromas, sabores e histórias que traduzem a essência de Minas.
Entre queijos, doces, cachaças, temperos, artesanato, flores, bares e restaurantes, cada visita proporciona uma experiência autêntica, onde a gastronomia, a hospitalidade e a identidade do estado se encontram em um só lugar.
Com 24 mil metros quadrados de área e aproximadamente 400 lojas, o mercado abre de domingo a domingo e recebe cerca de 15,5 milhões de visitantes anualmente, mantendo-se entre os principais atrativos turísticos da capital.
É justamente esse peso histórico e cultural que a nova parceria pretende preservar. Ao manter o nome que atravessou gerações, enquanto financia melhorias para os próximos anos, a Vale aposta em um modelo que busca conciliar investimento privado, participação dos comerciantes e valorização de um dos patrimônios mais conhecidos de Minas Gerais.
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*Estagiária sob supervisão da subeditora Regina Werneck
