CASO MICHELE

"Um dia isso tem que acabar", diz tio sobre capitã da PM morta

Capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo morreu na noite de segunda-feira (20/7). Marido da vítima é apontado como principal suspeito

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Marlon de Carvalho Leão, tio da capitã da Polícia Militar (PMMG) Michele Leão Azevedo, aproveitou a repercussão da morte da sobrinha para ressaltar a importância da denúncia em casos de violência contra a mulher. A policial está sendo velada na Funerária Dom Bosco, Região Noroeste de Belo Horizonte, nesta quarta-feira (22/7) e será sepultada no Cemitério da Paz no fim da tarde.

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“Eu aconselho a todas as mulheres: delatem. Porque um dia tem que acabar, tem que diminuir a violência que os homens se sentem à vontade para fazer contra as mulheres”, declarou Leão. 

Michele morreu na noite de segunda-feira (20/7) depois de ter sido levada pelo próprio marido, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37, para o Hospital Odilon Behrens, no Bairro São Cristóvão, Região Noroeste de Belo Horizonte. Ela deu entrada já sem sinais vitais e com múltiplas lesões pelo corpo, ferimentos incompatíveis com a versão inicialmente apresentada pelo companheiro da vítima de que ela havia sofrido uma queda da escada.

Possível feminicídio

Eduardo foi preso em flagrante sob a suspeita de matar a companheira. Segundo o delegado Saulo Castro, o grau das lesões aponta para a intenção deliberada de agressão e de feminicídio. "Isso demonstra o dolo na intenção de cometer o crime (...). A investigação tem um prazo de até 10 dias, podendo ser prorrogado. 

O sargento teve a prisão em flagrante convertida em preventiva, em audiência de custódia realizada na manhã desta quarta-feira (22/7).

Além das marcas de agressão que fizeram os profissionais de saúde questionarem a versão sobre a queda acidental, o comportamento do sargento no hospital agravou sua situação. Durante as checagens iniciais no local, um tenente da PMMG flagrou Eduardo descartando 18 comprimidos de ecstasy em um dos banheiros da unidade de saúde, o que também resultou no registro de autuação por tráfico de drogas.

Testemunhas e informações preliminares ouvidas pelas autoridades apontam que o casal vivia um relacionamento instável com idas e vindas ao longo de oito anos, além de violência psicológica e moral praticada pelo sargento. Questionada sobre a existência de procedimentos internos contra o suspeito na corregedoria, a PMMG informou que ainda não tem esse levantamento.

Em depoimento prestado à polícia, o sargento tentou justificar que o casal realizou uma festa em casa e que ambos consumiram bebidas alcoólicas e drogas. Eduardo afirmou ainda que, após a saída dos convidados, eles tiveram relações sexuais consensuais e alegou que as práticas íntimas do casal frequentemente envolviam agressões consensuais.

Por meio de nota, a defesa do sargento informou que acompanha o caso e aguarda os laudos periciais e a conclusão das investigações, a fim de evitar “julgamento precipitado”. Segundo o advogado Gustavo Nepomuceno Lopes, como as apurações estão em fase inicial, as autoridades ainda vão esclarecer os fatos.

“A defesa confia no devido processo legal, na imparcialidade das investigações e reafirma que se manifestará oportunamente nos autos, preservando o direito de defesa e o sigilo necessário ao bom andamento do procedimento”, diz o comunicado.

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Quem era a capitã Michele?

A capitã Michele Leão Azevedo ingressou na Polícia Militar de Minas Gerais no ano de 2010, após se formar pelo Curso de Formação de Oficiais. Reconhecida no meio acadêmico e institucional, atuava na área de defesa e segurança pública. Entre 2022 e 2023, Michele concluiu uma pós-graduação no Instituto Federal do Sul de Minas (Ifsuldeminas), na qual defendeu um estudo focado na aplicação da jurisprudência dos Tribunais Superiores dentro da PMMG.

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