Polícia aponta 58 facadas na morte de idosos e uso de tíner por diarista
Investigações mostram que homem recebeu 43 golpes, incluindo um no coração; esposa dele levou 15 facadas e teve córnea queimada por solvente
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A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) detalhou nesta terça-feira (14/7) a dinâmica investigada para o assassinato do casal de idosos Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Atala Inácio, de 76, no Bairro São Pedro, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, em 29 de junho.
Segundo a corporação, a diarista Paola Stéfany Neto Cirino, de 30, teria dopado as vítimas antes de iniciar uma ação para roubar objetos de valor dentro do apartamento, que terminou com a morte dos dois.
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De acordo com o delegado Gustavo Barletta, responsável pelas investigações, Paola teria administrado medicamentos sedativos ao casal para reduzir a capacidade de reação das vítimas. A polícia acredita que, após os idosos ficarem vulneráveis, ela iniciou a retirada de pertences do imóvel, mas a ação teria saído do controle quando Cláudio percebeu a movimentação.
“Ela chega, já com a intenção de fazer a subtração, administra os remédios, eles são dopados efetivamente, se tornam sonolentos, indefesos. O senhor Cláudio vai até o quarto, dorme, a senhora Clotilde fica na sala e também dorme. A partir desse momento, ela inicia suas subtrações”, afirmou Barletta.
Segundo o delegado, o idoso teria acordado durante a ação e reagido. “Provavelmente, ele acordou e teve uma reação de defesa. Algo saiu do controle dessa autora e ela passou, então, a desferir esses golpes”, disse.
Conforme a investigação, Cláudio foi atacado com uma faca de aproximadamente 30 centímetros, com cabo de madeira. A perícia apontou 43 golpes contra o idoso, em regiões como rosto, olho, pescoço, costas e coração. Também foram identificadas lesões de defesa nas mãos, no antebraço e no tórax.
“Foram exatamente 43 golpes de faca em face do idoso, o senhor Cláudio, inclusive no coração, demonstrando um alto grau de violência, de brutalidade que essa mulher praticou contra esse idoso”, afirmou Barletta.
Após a morte de Cláudio, a polícia afirma que Paola teria ido até a sala, onde estava Maria Clotilde. Segundo a investigação, a idosa teria sido inicialmente atacada com uma almofada e com um produto químico, um solvente conhecido como tíner.
O exame cadavérico apontou queimaduras no tórax, no rosto e na córnea da vítima. Segundo Barletta, a informação apresentada pela própria investigada foi confirmada pela perícia.
“Ela teria informado que usou o tíner e o perito legista disse que, então, esse agente químico produziu essas queimaduras na senhora Clotilde”, explicou o delegado.
A Polícia Civil afirma ainda que, após a tentativa de sufocamento, Paola teria desferido 15 golpes de faca contra a idosa. “Acreditamos que ela tentou sufocar a idosa e ela não conseguiu. Por isso, passou então a desferir as facadas contra a dona Clotilde, que infelizmente também acabou morrendo”, disse Barletta.
Depois das mortes, a investigação aponta que Paola teria recolhido objetos de valor do casal, incluindo dinheiro, relógios, roupas e acessórios pessoais. Segundo a polícia, ela deixou o apartamento usando roupas pertencentes à idosa e seguiu para a Região Central de Belo Horizonte.
No Centro da capital, a diarista teria vendido parte dos objetos retirados do imóvel e utilizado o cartão de crédito de Cláudio. Os compradores foram identificados e devolveram os bens adquiridos. Quatro homens foram indiciados por receptação qualificada.
Versões diferentes e relato de “vozes”
De acordo com a corporação, Paola apresentou versões diferentes ao longo da investigação. Segundo os investigadores, a diarista teria mudado a narrativa durante a prisão, a reconstituição do crime e os depoimentos prestados formalmente.
Em uma das versões, ela afirmou que teria sido tomada por um “surto psicológico” no momento das agressões e disse não se lembrar da sequência dos golpes. Para a polícia, porém, o relato não é compatível com os elementos reunidos no inquérito.
Durante a reconstituição do crime, segundo Gustavo Barletta, Paola afirmou que teria sido influenciada por “vozes” que determinavam que ela deveria tirar sangue das vítimas.
“Ela fala que não se lembra e que foi determinada por umas vozes que diziam que ela teria que dar sangue. Nós questionamos quem era essa voz, ela não sabe explicar, mas seria uma voz que queria sangue, queria sangue”, relatou o delegado.
Ainda segundo Barletta, a investigada teria dito que, após a morte das vítimas, essa suposta voz teria autorizado que ela pegasse os objetos do casal.
“Segundo ela, a voz havia lhe autorizado a subtrair os bens, usando esses termos: ‘Vai, agora é tudo seu, já que você me deu o que eu quis, que era o sangue, agora você está autorizada a levar todo o dinheiro que você quiser”, detalhou o delegado.
Para a Polícia Civil, no entanto, a alegação de surto não explica a sequência dos fatos. Os investigadores afirmam que a dinâmica indica uma ação voltada ao crime patrimonial, desde a utilização dos medicamentos até a retirada dos objetos do apartamento.
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A defesa de Paola solicitou à Justiça que ela seja submetida a exame de sanidade mental. O pedido foi encaminhado ao Judiciário. A diarista foi indiciada por dois crimes de latrocínio, roubo seguido de morte e permanece presa.