Trevo do Belvedere: Por que a obra parou e qual o novo prazo de entrega
Prefeitura de BH aplica multa milionária e troca comando das intervenções após empresa executar apenas 11% do projeto; veja a nova previsão do prefeito
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As obras de ampliação do Trevo do Belvedere, um dos principais pontos de ligação entre Belo Horizonte e Nova Lima, serão retomadas nesta quarta-feira (8/7) após a empresa vencedora da licitação não cumprir o cronograma e apresentar outros problemas. A execução dos serviços ficará a cargo da empresa Itamaracá, sob supervisão da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), em contrato estimado em R$ 22,8 milhões.
A retomada ocorre após a Prefeitura de Belo Horizonte rescindir o contrato com o Consórcio Alargamento do Viaduto BH Shopping, responsável pela obra até então.
Segundo a administração municipal, a decisão foi tomada após a conclusão de um processo administrativo que identificou atrasos injustificados, baixo desempenho na execução dos serviços, descumprimento de exigências técnicas e contratuais, falhas relacionadas à segurança do trabalho e inexecução de parte do objeto contratado.
As intervenções estavam paralisadas, oficialmente, desde junho deste ano. De acordo com a prefeitura, a antiga contratada executou apenas 11% do contrato antes da rescisão. O atraso também impactou o cronograma da obra. Inicialmente, a expectativa era concluir a intervenção até o fim de 2026, mas, com a paralisação e a troca de empresa, a nova previsão é de entrega até o fim de 2027.
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Ao comentar o novo prazo, o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (UB), afirmou que a extensão do cronograma é inevitável, mas disse acreditar que a obra será concluída ainda no próximo ano.
"Naturalmente, tem que ser estendido, mas a gente acredita que será estendido até o final do ano que vem."
Segundo o prefeito, a ampliação viária deverá trazer ganhos significativos para o trânsito da região, "Quando você faz uma pista a mais, eu já posso colocar de cara 25% na melhoria do trânsito. Hoje tem três pistas, você vai fazer uma pista a mais, então vai dar maior vazão ao trânsito."
Histórico de atrasos
Os problemas na execução da obra já haviam sido apontados pela Sudecap em dezembro de 2025, quando foi instaurado um Processo Administrativo Sancionador (PAS) para apurar possíveis descumprimentos contratuais por parte das empresas responsáveis pelo empreendimento.
Segundo a administração municipal, a empresa vencedora da licitação apresentou uma proposta cerca de 38% inferior ao valor estimado pela prefeitura, reduzindo o orçamento de aproximadamente R$ 25 milhões para R$ 16 milhões.
No entanto, a contratada não conseguiu cumprir o cronograma previsto, o que levou à rescisão do contrato.
Damião afirmou que a empresa recebeu cerca de R$ 1,1 milhão durante a execução dos serviços e deixará o empreendimento após ser penalizada pela administração municipal, com multa estimada em R$ 2 milhões.
O que será feito
O projeto prevê o alargamento do viaduto existente, que passará de cinco para seis faixas de tráfego. Também estão previstas a construção de uma nova estrutura paralela ao viaduto atual, a reconstrução da barreira de proteção tipo New Jersey, adequações nas alças e nos ramos de acesso à Avenida Raja Gabaglia e a implantação de uma nova faixa de circulação entre o trevo e a Praça Marcelo Góes Menicucci, no sentido Nova Lima–Belo Horizonte.
A nova estrutura será executada em três vãos com vigas pré-moldadas. Segundo a prefeitura, a intervenção tem como objetivo ampliar a capacidade de tráfego no trecho.
As obras começaram em janeiro de 2025. Entre os serviços já realizados estão a revisão dos cálculos estruturais, a limpeza e preparação do terreno, a instalação de tapumes, a supressão vegetal autorizada, a execução de contenções em terra armada e parte das fundações que irão sustentar a ampliação do viaduto.
Impactos
Para quem utiliza diariamente o trecho, a expectativa é de que a ampliação traga melhorias para a mobilidade da região. A telefonista Nilza Antônia, que trabalha na Savassi e passa pelo trecho todos os dias para chegar ao trabalho, afirma que os congestionamentos já fazem parte da rotina.
"Eu saio de casa pelo menos uma hora antes do horário que normalmente precisaria sair para conseguir chegar sem atrasos. O problema não é só aqui, também passo pelo Anel, que, é uma verdadeira bomba-relógio. Qualquer acidente já trava tudo”
Apesar dos transtornos causados pelas obras, Nilza acredita que a intervenção pode trazer benefícios no futuro. "É um período difícil para quem passa por aqui todos os dias, mas se realmente reduzir o trânsito, vai valer a pena.
Já o empresário Antônio Martins, morador do Belvedere, vê a ampliação com cautela. Embora reconheça a necessidade de intervenções para melhorar o trânsito, ele questiona se as mudanças previstas serão suficientes para resolver os problemas históricos de circulação no local.
"A gente espera que funcione, mas só vai ser possível avaliar quando a obra estiver pronta. O fluxo de veículos aumentou muito nos últimos anos, principalmente por causa do crescimento de bairros como o Vila da Serra. Então fica a dúvida se apenas uma faixa a mais será suficiente para atender essa demanda".
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Mesmo assim, Antônio acredita que qualquer melhoria na mobilidade terá impacto positivo para moradores e comerciantes da região. "Se realmente conseguir reduzir os congestionamentos, vai ajudar muito”.