COPA DO MUNDO

Eliminação do Brasil na Copa: frustração e encalhe em verde e amarelo

Depois da derrota do Brasil para a Noruega, comerciantes buscam saídas para os estoques de produtos ligados à Copa, enquanto torcedores avaliam o que deu errado

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Os torcedores da Seleção Brasileira e comerciantes acordaram ontem com o gosto amargo da derrota para a Noruega no domingo, que eliminou o Brasil da disputa do título da Copa do Mundo 2026. No entorno da Praça Sete, no Hipercentro de Belo Horizonte, o clima era de ressaca, com torcedores desiludidos, decepcionados e outros revoltados com a atuação dos jogadores brasileiros.

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Sobrou “corneta” para a escalação e as mexidas no time, feitas pelo técnico italiano Carlo Ancelotti, para o volante Bruno Guimarães, que perdeu um pênalti para o Brasil aos 13 minutos do primeiro tempo e para a falta de “amor à camisa” que a atual geração demonstra, se comparada às dos treta e pentacampeões. Apesar da bronca, não era difícil encontrar torcedores usando as camisas da Seleção ou outras em referência ao Brasil.

Enquanto isso, algumas lojas ainda mantinham as decorações nas cores verde e amarela e os produtos referentes à Copa. Em outras, porém, os itens já foram guardados à espera de uma próxima oportunidade de voltarem às vitrines. Com a eliminação precoce do Brasil no torneio, os comerciantes adotam estratégias diferentes para os produtos que ainda estavam disponíveis.

Em uma loja de roupas e acessórios, o proprietário, Rubens de Souza, disse que as camisas da Seleção entraram em liquidação. “A gente pretende vender a preço de custo as camisas que sobraram. Tinha expectativa de que o Brasil fosse para as quartas de final, mas paramos na Noruega. Agora é vender pela metade do preço. Acredito que ainda haja algumas pessoas que possam comprar para os filhos ou até para uso próprio mesmo. Com os valores mais baixos, acredito que ainda vai ter um pouco de procura sim”, afirma. Só na manhã de ontem, o comerciante já havia vendido quatro camisas amarelas. As peças que restarem, ele diz que pode colocar à venda durante as eleições ou guardar para a próxima Copa.

Em uma banca de jornais perto dali, porém, as camisas tinham sido retiradas dos mostruários e já estavam em uma sacola, no estoque. É o que conta a vendedora Débora Chaves. “Sem Copa, ninguém compra”, lamenta. “O ser humano é movido pelo momento”, completa. Ela também acredita nas eleições, neste segundo semestre, como mais uma oportunidade de interesse pelas camisas da Seleção.

A vendedora explica que a liquidação está descartada, já que pagou caro pelas camisas e não seria interessante vender pelo preço de custo. “Ainda assim não teria interesse. Já tem gente passando na frente da banca e xingando. Dizendo que (a camisa) não vale nem R$ 5. É melhor tirar e guardar para vender na hora que a raiva do pessoal passar”, brinca. Débora diz que nem as camisas de times mineiros e brasileiros, que permanecem expostas, tiveram procura na manhã seguinte à eliminação da Seleção.

Já em uma loja de eletrodomésticos, também localizada no Hipercentro, o gerente Leonardo Diniz acredita que os consumidores ainda devem procurar por televisores até o fim do torneio. “Temos preço, formas de pagamento diferenciadas, prazo, uma entrega justa. O evento da Copa do Mundo é entretenimento. Apesar de o Brasil ter perdido, muitos brasileiros gostam de assistir aos jogos com a família”, ressalta.


TORCEDORES

Escalação errada

“A escalação não foi adequada em relação aos jogadores que estavam na melhor fase, tanto no jogo de ontem como para a Copa. Quando o Rayan sai, o Brasil fica vulnerável na ala direita defensiva de onde surgem os dois gols. Quando o Endrick entra, no primeiro gol, há uma falha de marcação, além dos gols que o Brasil perdeu. Taticamente, quando entram Neymar e Endrick, a Seleção perde força defensiva e de contra-ataque. O técnico mexeu errado. A Noruega teve dois lances de perigo, e saíram os gols.”

Victor Bitencourt, 30, advogado

Cada um por si

“Faltou disciplina. Eles não estavam jogando como time, era cada um por si. Esperamos muito do Endrick. Em alguns jogos, ele fez muita coisa, mas em outros 'pipocou’. O Neymar também não é mais um jogador bom, tem muita lesão. Depois do primeiro gol, a gente via os jogadores andando em campo. Dava pra ver uma falta de vontade ali. Nas Seleções de Ronaldinho e Kaká, a gente via mais ‘raça’, amor à camisa. Antigamente, a gente não sabia o que acontecia na vida pessoal deles, eram poucas polêmicas. Hoje, é o ‘ficante’ da Vírginia, o que traiu. O foco não é mais o futebol, só as polêmicas em que eles estão envolvidos.”

Rafael Grenho, 29, técnico em informática 

Faltou elenco

“Acredito que o Brasil chegou aonde tinha que chegar. O elenco não era suficiente para alcançar as quartas de final e, muito menos, a semifinal. Faltou elenco. Alguns nomes bem importantes, que se machucaram antes da Copa, fizeram muita falta ontem. É o caso do Estevão e do Rodrygo, além do Raphinha que não está em boa fase. O técnico teve que se virar com que o que tinha na mão. Ele (Ancelotti) não teve tempo para treinar. Eu manteria o técnico, chega de tanta mudança. Esse foi um dos motivos que nos trouxe até aqui.”

Adeilson Mendes, 50, servidor público

Sem dedicação

“Foram muitos erros. Os jogadores desperdiçaram muitas oportunidades. Era para termos ganhado. Quem não faz, toma. O Haaland teve duas oportunidades e fez os dois gols. Endrick teve oportunidade, Neymar também, e não conseguiram marcar. Falta mais dedicação dos jogadores, desde as categorias de base. Hoje os jogadores estão mais preocupados em jogar nos clubes do que na Seleção. Jogador não joga mais por amor à camisa, mas pelo dinheiro. O técnico também não chamou nenhum jogador dos times de Minas. Podia ter levado o Éverson, goleiro do Galo, e o Matheus Pereira, do Cruzeiro. Eles teriam espaço na Seleção.”

José Roberto Dias, 40, motorista

Muito 'mimimi'

“Faltou competência, ‘raça’. Os jogadores estão cheios de ‘mimimi’. Cabelinho arrumadinho, cheio de dancinha e fotos para o Instagram. Estava muito confiante, pra mim ia dar certo, mas acabou que deu tudo errado. Depois do pênalti perdido, confesso que desanimei. O Vini, sem dúvidas, é que deveria ter batido. Se fizesse, talvez o resultado fosse outro. Mas o gol do Haaland desanimou um pouco, ainda estava um pouco confiante. Mas quando tomou o segundo (gol), já era. Acho que precisa trocar o time todo e o técnico também. Tem que ser um técnico brasileiro. Eu colocaria o Murici (Ramalho).”

Eduardo Oliveira, 48, motorista

Sem determinação

“Acho que jogamos bem, mas faltou um pouco mais de determinação dos jogadores. O time da Noruega também é bom. Não entendi porque o técnico colocou o menino que perdeu o primeiro pênalti para bater. O Vini é que deveria ter batido. Esse pênalti poderia ter nos dado o empate e iriamos para a prorrogação e disputa de pênaltis. Eu achava que ia ser 2x1 para nós. Quando tomamos o primeiro gol ainda estava confiante, achava que dava para buscar. Mas, depois que tomamos o segundo, já era. Vendo os jogadores de hoje, acho que o hexa não vem assim tão rápido. Os de antigamente tinham mais foco.”

Poliana da Silva, 43, microempreendedora

Oportunidades perdidas

“Os jogadores jogaram bem, mas perderam muitas oportunidades de fazer os gols. Eu estava com muita esperança de ver o Brasil ser campeão e fiquei muito triste. Nunca vi e estava confiante. Depois que o Bruno Guimarães perdeu o pênalti, os jogadores desanimaram. Infelizmente, o Haaland aproveitou a oportunidade e fez. Os jogadores têm que treinar bastante para que – quem sabe? – em 2030 chegue a nossa vez. A esperança ainda não morreu.”

Franciele Cardoso, 19, designer de sobrancelha

Sem defesa

“O Brasil poderia ter jogado melhor. Os jogadores poderiam ter defendido mais. Graças a Deus, o goleiro defendeu a gente porque poderia ter havido mais gols. Ainda bem que o primeiro (gol da Noruega) foi anulado. Fiquei muito decepcionada, xinguei muito. Estava muito confiante de que o Brasil ganharia e seríamos hexa. Enfeitei minha casa, comprei bandeirinhas, foguetes. O Ancelotti poderia ter colocado o Neymar no primeiro tempo. Demorou para mexer no time e mexeu errado. Quem deveria ter batido o primeiro pênalti para o Brasil era o Vini Jr. Ainda não tive a oportunidade de ver o Brasil campeão, mas espero que aconteça em 2030.”

Bárbara Vitor, 25, faxineira

Jogadores de “modinha”

“Não se fazem mais jogadores como antigamente. Os jogadores hoje são todos ‘modinha’, não jogam o futebol que deveriam jogar. Eles estão mais preocupados com mídia, em ganhar dinheiro, ser influencer. Os jogadores de antigamente eram mais focados, se preocupavam menos com isso e mais em treinar. Se continuar do jeito que está, não temos chance de ser campeões tão cedo. Os jogadores têm que se conscientizar que a obrigação deles é jogar futebol e não ficar dançando no TikTok.”

Luana Andrade, 32, assistente administrativo

Esperança em 2030

“Achei que faltou interação entre os jogadores. Depois que o Endrick entrou, eles avançaram mais. Agora, aqueles jogadores da Noruega jogam demais também. O goleiro do Brasil fez muitas defesas também. Achei que o técnico acertou quando colocou o Endrick, mas não entendo muito de futebol. Acho que os jogadores precisam treinar mais, arrumar a marcação. Os jogadores de antes tinham muito mais foco que os de hoje. Os atuais não têm tanta motivação de jogar pela Seleção. Mas tenho esperança de que o Brasil conquiste o hexa na próxima Copa. Brasileiro não desiste nunca.

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Lamara Aparecida, 25, manicure

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