ESPAÇO DE FORTALECIMENTO CULTURAL

Do alto do Cabana, novo centro cultural impulsiona arte e cultura local

Espaço inaugurado neste domingo (5/7), no Largo da Adega do Padrim, reúne música, grafite, oficinas e formação para fortalecer a cultura produzida por moradores

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No alto da Cabana do Pai Tomás, uma das maiores favelas de Belo Horizonte e está localizada na Região Oeste da cidade, um novo espaço passa a integrar o cenário cultural da comunidade. Neste domingo (5/7), moradores, artistas e lideranças locais inauguram o Centro Cultural Michele Ferreira, no Largo da Adega do Padrim, na Rua José Guimarães, com a proposta de reunir arte, formação e convivência em um território historicamente marcado pela produção cultural, mas sem um equipamento permanente.

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A abertura reúne shows de nomes como FBC, Maghaiver, RV Balla, DJ Dann, Cacau dos Anjos, Daniel Titô, Bárbara Egídio e Amarisia, além de exposição de artistas visuais de Minas Gerais e de outros estados, como Sol Aris, Marília Lima, Lua, Célio, Bicho do Rabisco e Elânor Saori. A programação inclui ainda grafite ao vivo e a transmissão da partida entre Brasil e Noruega pela Copa do Mundo.

 

Embora a inauguração ocorra oficialmente neste domingo, o espaço já vinha sendo ocupado antes da abertura. As paredes foram preparadas para receber intervenções artísticas ao vivo, transformando o evento também em processo de construção coletiva.

A ideia do centro nasceu dentro da própria comunidade. O imóvel começou como um estúdio de gravação utilizado por artistas locais e, com o tempo, passou a ser pensado como um espaço mais amplo de cultura e formação.

“O Centro Cultural surgiu dessas conversas e também de uma demanda da comunidade, porque não existe um centro cultural na Cabana. É um espaço muito importante para garantir o acesso à cultura”, conta o rapper Maghaiver, um dos articuladores da iniciativa.

A construção do espaço foi realizada de forma coletiva por moradores e artistas, que participaram da revitalização do imóvel e do entorno. Segundo Maghaiver, a proposta sempre foi transformar o local em um ambiente acolhedor. “A ideia era criar um jardim no meio da comunidade”, resume.

Construção coletiva 

Para além de um espaço de eventos, o Centro Cultural Michele Ferreira nasce com a proposta de funcionar durante toda a semana, oferecendo cursos e oficinas para a comunidade. Estão previstos, entre outros, aulas de português, inglês, design de unhas, além de atividades ligadas à música, grafite e formação cultural.

Maghaiver afirma que o projeto já está em expansão e busca consolidar o espaço como um polo de oportunidades, “A ideia é que esse espaço seja um lugar de formação, de cultura e de oportunidade para quem mora aqui.”

Para ele, o principal impacto é a criação de um espaço de expressão e organização dentro da própria comunidade. “Agora temos uma sede, um lugar onde todo mundo pode se encontrar, trazer as demandas e pensar soluções”, afirma.

A programação e o uso do espaço não ficarão restritos aos idealizadores. De acordo com um dos organizadores, Luiz Henrique Fonseca Ramos, quem tiver interesse em participar das atividades do Centro Cultural Michele Ferreira pode acesar o perfil do Instagram oficial do espaço. Ele explica que a proposta é manter um ambiente aberto, com construção colaborativa da programação junto à comunidade.

Além das atividades culturais, o centro também pretende receber outras iniciativas, como projetos de extensão universitária, pesquisas e ações que dialoguem com o território. “A proposta é que o Centro tenha uma vida coletiva”, afirma.

O centro cultural leva o nome de Michele Ferreira, esposa do rapper FBC e uma das figuras ligadas às articulações culturais da Cabana. A escolha, segundo os organizadores, é uma forma de reconhecimento de sua atuação no território.

A homenagem também se conecta à trajetória de FBC e Michele em iniciativas culturais e comunitárias, incluindo ações ligadas ao hip-hop e à mobilização de jovens da região.

Entre essas iniciativas está a "Batalha da soberania", que reúne jovens em torno da cultura de rua e da expressão artística.

A Cabana como território cultural

FBC é um legítimo filho da Cabana do Pai Tomás. Em suas letras, o artista retrata o cotidiano da comunidade, as vivências da juventude e as diferentes formas de expressão artística que nascem no território, transformando experiências locais em narrativa musical que atravessa Belo Horizonte.

Para ele, a Cabana vai além da origem: é um território vivo, marcado por uma cultura efervescente, encontros constantes e uma intensa produção artística. Nesse cenário, FBC relembra os “crias” que saíam de Kenner em direção ao baile da VIP, na Rua São Geraldo, onde o passinho tomava conta da rua e virava linguagem coletiva: “um pra frente, dois pro lado, girando pro meio”, um gesto que sintetiza a criatividade, o corpo em movimento e a ocupação cultural da periferia.

Na visão do artista, essas experiências cotidianas revelam a força cultural da Cabana, que segue produzindo arte, linguagem e identidade própria, mesmo diante da ausência histórica de equipamentos culturais formais.

Além do aspecto cultural, o projeto também mira o fortalecimento da economia local, com a circulação de visitantes e a valorização de iniciativas da própria comunidade. Para o rapper FBC, o centro cultural surge para organizar melhor a comunidade, promover eventos e movimentar a economia local. Ele afirma que o objetivo é que a Cabana seja reconhecida por sua produção cultural, sua história e sua identidade.

Serviço

Centro Cultural Michele Ferreira 

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Rua José Guimarães, 121 – Cabana do Pai Tomás

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