FBC lança single e anuncia 'pedrada' para 1º/5, com extrema direita na mira
Cantor e compositor adianta que novo disco será politizado, incisivo e 'vai piorar para a galera extrema direitista do rap'
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“Entrei no rap para fazer política e assim vou até morrer”, afirmou o cantor e compositor mineiro FBC, ao participar de evento promovido pelo Clube do Disco, na Praça de Serviços da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no campus Pampulha.
Destaque do rap nacional, FBC vai lançar, em 1º de maio, o álbum “Tambores, cafezais, fuzis, guaranás e outras brasilidades”. Nesta sexta (17/4), chegou às plataformas “Bandido bom”, primeiro single do novo trabalho.
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Durante o encontro no campus, realizado esta semana, houve “escuta comentada” do álbum “Assaltos e batidas”, lançado por ele em 2025, com destaque para a faixa “Cabana terminal”.
“Tambores, cafezais, fuzis” será uma "pedrada". FBC adianta que o disco é incisivo e politizado, com críticas explícitas à extrema direita e referências ao debate sobre posse da terra, poder e desigualdade social. O foco está nos povos originários do Brasil. A capa é assinada por Kawany Tamoyos (Kakaw), artista visual mineira de origem indígena.
Nome aos bois
“Será um álbum mais direto, vou dar nome aos bois. Quem tem de decidir sobre a terra são os originários”, defendeu. “O próximo álbum vai piorar pros playboy, vai piorar para a galera extrema direitista do rap”, anunciou.
Em frente à mesa, estavam estendidas bandeiras do movimento LGBTQIA+ e da Palestina. Em determinado momento, FBC vestiu um lenço árabe keffiyeh.
O cantor e compositor, de 36 anos, saiu da comunidade Cabana Pai do Tomás, na Região Oeste de BH, para conquistar os palcos do Brasil. Em março, ele fez show elogiado no Lollapalooza, em São Paulo.
Participaram do encontro, no campus Pampulha, estudantes, moradores do Cabana e jovens artistas. Violência, tráfico, caminhos da juventude nas periferias, ação da extrema direta e produção de arte política foram alguns dos temas debatidos.
FBC falou sobre a importância do posicionamento político, do questionamento constante e da conexão com a realidade das comunidades. Segundo ele, o hip-hop ocupa papel central no enfrentamento das estruturas sociais injustas.
O músico destacou a importância da cultura para as periferias brasileiras, pois representa alternativa ao recrutamento de jovens pelo crime e pela extrema direita.
Crime organizado
O rapper reforçou sua posição contrária ao crime organizado. “O hip-hop é uma forma de enfrentar a violência sem deixar o baile acabar. O crime não está nem aí para o bem comum do morador”, afirmou.
A estudante de ciências sociais Myrella Giovana, uma das organizadoras do Clube do Disco, ficou surpresa com a mobilização do público, inclusive de fora da UFMG, para participar do evento. “Muita gente entrou em contato gente para agradecer, dizer que foi importante. Foi uma recepção muito positiva”, disse.
FBC ficou tocado com a recepção. “Gente, me desculpa se eu tô falando demais. Estou emocionado. Nunca pude falar desse álbum assim”, afirmou.
Projeto criado por estudantes da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) da UFMG, o Clube do Disco promove a escuta e a discussão de álbuns musicais.
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O bate-papo com FBC foi o segundo encontro promovido pelo grupo. O primeiro ocorreu em novembro de 2025, em torno do álbum “Nada como um dia após o outro dia”, do Racionais MCs, clássico do rap nacional.