"Ela voltou diferente da Argentina", diz primo de vítima sobre diarista
Paola Stefany Neto Cirino, suspeita de matar o casal de idosos, trabalhava para o primo de Maria Clotilde desde outubro de 2025
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Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, suspeita de ter matado o casal Cláudio Atala Inácio (75) e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio (76) na segunda-feira (29/6), teria voltado diferente de uma viagem feita há cerca de dois meses para a Argentina.
A percepção é do advogado Vinícius Mitre, de 66 anos, primo de Maria Clotilde e para quem a suspeita prestava serviços como diarista desde outubro de 2025, Paola avisou que viajaria para o Rio Grande do Sul por uma semana para visitar o pai. Entretanto, segundo Mitre, ela sumiu por três semanas. Quando reapareceu e respondeu às mensagens do advogado, contou que estava na Argentina e não tinha dinheiro para voltar para o Brasil.
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“Quando eu tive notícia dela, ela estava na Argentina. Não sei em quais circunstâncias ela foi para lá. Ela me ligou de lá desesperada porque não tinha nem meios para voltar. Eu até mandei um dinheiro para ela pagar o ônibus até São Paulo”, relata Mitre.
Segundo Mitre, a diarista, que tinha um trabalho exemplar e não costumava faltar ao serviço, motivos pelos quais a indicou para trabalhar na casa da prima, passou a ter um comportamento “inconstante”. “Não sei o que houve, mas ela voltou diferente. Começou a faltar, não aparecia e quando eu tentava falar com ela, dizia que estava passando mal e mandava fotos de remédios tarja preta”, lembra o advogado.
Na última quinta-feira (25/6), ela trabalhou normalmente e no dia seguinte informou a Vinícius que iria trabalhar na casa dos primos dele na segunda-feira e na terça retornaria. No dia do crime, ela chegou a ligar para o advogado às 13h34, quando ainda estava no apartamento das vítimas, para falar que o casal de idosos estava passando mal. Ele disse a ela que não era tão próximo de Cláudio e Maria e que entrasse em contato com o filho deles.
Porém, ela fugiu depois de cometer o crime. Sem saber o que tinha acontecido, Vinícius estranhou o atraso da diarista e chegou a ligar para Paola para saber se ela iria trabalhar, sem resposta. A tia de Paola, Nilza, chegou a ligar para o advogado para perguntar se ela estava na casa dele.
Mais tarde, Mitre foi informado da morte dos primos. “Por alguns parentes fiquei sabendo desse latrocínio e fiquei chocado. Na hora liguei as coisas”, disse. "Até agora eu não consigo imaginar a Paola cometendo esse crime”, completa.
Relembre o caso
Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio e Cláudio Atala Inácio foram encontrados mortos por facadas na terça-feira (30) pelo filho do casal. A suspeita de cometer o crime, a diarista Paola Stefany Neto Cirino, foi presa na noite dessa quarta-feira (1º/7), em Itabira, na Região Central de Minas Gerais. Ela foi encontrada abraçada com o filho, de 6 anos, e não resistiu a prisão. À polícia, ela confessou ter cometido o crime.
Em depoimento, a diarista contou aos policiais que foi ao apartamento para realizar um serviço de limpeza e afirmou que já havia recebido elogios de familiares das vítimas pela qualidade do trabalho. Segundo a investigada, ela não saiu de casa com a intenção de cometer o crime. Afirmou que decidiu furtar os bens ao perceber joias, relógios e dinheiro durante a limpeza do quarto do casal.
No entanto, ainda conforme a confissão, o plano inicial era dopar as vítimas para facilitar o furto. Ela disse ter colocado quatro comprimidos de um medicamento de uso controlado, utilizado por ela para tratamento da depressão, em um suco preparado no liquidificador.
“Ela utilizou quatro comprimidos em um suco. Trinta a quarenta minutos depois eles começaram a adormecer”, explicou o delegado. A Polícia Civil apreendeu cerca de 50 comprimidos na bolsa da suspeita, o que indica que a ação tenha sido premeditada.
Enquanto ela recolhia os objetos, Cláudio teria despertado e percebido o furto. Segundo Paola, ela foi até a cozinha, pegou uma faca para ameaçá-lo, mas o advogado tentou reagir. Nesse momento, ela o atacou. A diarista disse não saber quantos golpes desferiu na vítima. Ela contou ainda que Maria Clotilde ainda estava sonolenta em razão dos medicamentos, mas também foi assassinada. Voltou a dizer que ouvia “vozes” dizendo que deveria matar o casal.
Após constatar a morte das vítimas, a suspeita se limpou, trocou de roupa, vestindo peças pertencentes a uma das idosas, e lavou a faca utilizada no crime. Em seguida, recolheu diversos objetos de valor da residência. Segundo a Polícia Civil, foram levados cerca de R$ 18 mil, além de joias e relógios. Parte do dinheiro obtido com a venda dos bens já foi recuperada pelos investigadores.
Fuga
Após deixar o apartamento, Paola afirmou ter utilizado um carro para seguir até a região da Praça Sete, no Centro de Belo Horizonte.
Ela disse ter pago R$ 40 pela corrida. A Polícia Civil acredita que o veículo seja de um motorista de aplicativo e pediu que o condutor procure a delegacia para prestar esclarecimentos. Paola buscou filho antes de fugir.
Motivação
A diarista afirmou que o crime teve motivação financeira. Segundo ela, apesar de já ter quitado uma dívida de R$ 40 mil com agiotas em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, queria dinheiro para “curtir a vida”.
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Ela também declarou ser viciada em jogos de azar, compradora compulsiva e acumuladora de roupas femininas. A PC continua investigando o caso para esclarecer todos os detalhes do duplo homicídio e confrontar a versão apresentada pela suspeita com as demais provas reunidas. Segundo a corporação, o filho da suspeita foi entregue aos familiares.