O Centro de Belo Horizonte se transformou numa grande tela de projeção desde a noite dessa quinta-feira (25/6), quando todo o aparato tecnológico da Festa da Luz foi acionado. Em meio a tantas projeções luminosas, uma cortina de água com projeções instalada em plena lagoa tem chamado a atenção de quem visitou o Parque Municipal da capital. O evento segue até domingo (28/6).
Não somente o gigantismo da projeção ganha destaque - a cortina de água alcança cerca de 35 metros de largura e 20 de altura. A beleza das imagens exibidas é outro atrativo que tem feito os visitantes do parque ligarem a câmera do celular e gravar vídeos e fotos.
A impactante instalação artística usa de um dispositivo tecnológico para fazer a água da lagoa dos barcos se transformar em uma espécie de paredão para receber uma projeção com sete minutos de duração. Intitulada "Rios voadores", a obra é assinada pela artista paraense Roberta Carvalho. "É algo meio mágico", resume a criadora.
Ela tem razão. Todo o conjunto de obras que ocupa as alamedas do Parque Municipal tem deixado o local com uma aura um tanto onírica. "Pedras de Duwid ou boca de Marte", do indígena Gustavo Caboco, e a obra "Dance flowers", do coletivo francês Spectaculaires, ajudam a tornar um parque numa espécie de museu noturno.
Vozes da Amazônia
Roberta explica que a projeção artística é inspirada no fenômeno que consiste em correntes de umidade que carregam vapor de água. Elas saem da Amazônia e chegam às regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. São fundamentais para a regulação do clima brasileiro. "Refresca o Brasil e o mundo", diz.
Na imponente tela aquática são lançadas imagens com depoimentos de populações tradicionais e ribeirinhos sobre cuidados com a floresta. "São vozes da Amazônia. É um chamado, vozes como rios que vão refrescar nossas mentes", detalha a artista. Uma das falas que refrescam é do cacique Raoni, importante liderança dos Kayapó, que tem 93 anos.
Além do Parque Municipal, a Festa da Luz colore outros cantos do Centro de BH, como os arredores do Viaduto Santa Tereza, Rua Sapucaí e Praça da Estação. A artista participa pela primeira vez do evento. "É um acontecimento artístico no Brasil e na América Latina. Tem autenticidade", elogia a paraense, que diz ter como mote do seu trabalho a busca por telas que fogem da obviedade (que não sejam telas brancas, afirma). Ela é fundadora do festival Amazônia Mapping, que existe há 13 anos no Pará.
A programação
Nesta quinta edição, a Festa da Luz reúne 12 obras, entre elas "Filhos do sopro", da artista brasileira-mexicana Fefê Talavera, no Viaduto Santa Tereza e arredores.
A Rua Sapucaí foi ocupada pelo artista mexicano Ocote e por Luiz Carlos Oliveira, que montou um videogame interativo projetado sobre a fachada da antiga Rede Ferroviária.
Na Praça Rui Barbosa, Rafael Ski apresenta "Céu em nós", grande painel interativo de LED que reage à presença dos visitantes.
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Shows também iluminam a programação, como apresentações de Tamara Franklin, Célia Sampaio, Bloco Swing Safado, Claudia Manzo, Orquestra Atípica de Lhamas e Academia da Berlinda, todas no palco na Praça da Estação.
Serviço
- Festa da Luz 2026 – 5ª edição
- Data: até domingo (18/6)
- Horário: 18h às 23h
- Local: Hipercentro de Belo Horizonte
- Entrada gratuita
