Em dia de friaca e pôr de sol alaranjado típico do outono e inverno em Belo Horizonte, o Capivarã estreou o horário das 16h30 ontem, na Lagoa da Pampulha, na região de mesmo nome, um dos principais cartões-postais da capital mineira. O belo horizonte não decepcionou os navegantes, confirmando a boa escolha para o nome da cidade. Os reflexos no espelho d'água tornaram o passeio ainda mais bonito.
No início da viagem, o termômetro marcava 21°C. A baixa temperatura e algumas nuvens no céu não afastaram os passageiros, que adquiriram todos os 26 ingressos disponíveis. De acordo com o controle de acesso no local, mais 15 pessoas se inscreveram em lista de espera, apostando nas desistências, e apenas cinco conseguiram entrar.
Os noivos Marina Possa dos Reys, de 29 anos, e Matheus Pinto Vieira, de 30, souberam do novo horário pela imprensa e apostaram na sorte ao colocar os nomes na lista. Não tiveram sucesso na hora de tentar pegar os ingressos na plataforma do Sympla – onde as entradas estavam esgotadas – e foram presencialmente à lagoa para tentar pegar os bilhetes. Deu certo. Os felizardos entraram e embarcaram pela primeira vez no Capivarã.
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A viagem se inicia com o aviso aos tripulantes sobre as responsabilidades dentro da embarcação. O uso do colete salva-vidas é obrigatório para crianças menores de 12 anos e pessoas com mais de 60. Algumas crianças que estavam no Capivarã foram incentivadas pelos pais a pegar o item e encheram o barco de pequenos pontos laranjas.
A reportagem embarcou no passeio, que teve como guia Matheus Henrique, de 43. Ele explicou as especificidades de cada um dos monumentos do Conjunto Arquitetônico da Pampulha, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 2016 e as particularidades da Lagoa da Pampulha: Santuário São Francisco de Assis, a Casa do Baile, o Museu de Arte da Pampulha, a Casa Kubitschek e o Iate Tênis Clube.
E despertou a saudade no aposentado Waldemar Teixeira Prado, de 60, um dos passageiros, que quando criança ficava na orla e observava os iates sobre a água. Ele não tinha condições financeiras de entrar em nenhum dos barcos, mas sonhava com a oportunidade de um dia poder velejar pela Lagoa da Pampulha.
Em decorrência da péssima qualidade da água, as navegações foram proibidas em 1968, o que adiou a conquista dessa meta. Na metade de 2025, o prefeito de BH, Álvaro Damião (União), anunciou que a navegação seria liberada, e Teixeira viu a possibilidade de realizar o antigo sonho. O primeiro Capivarã entrou na água em 27 de dezembro, e poucos dias, em 2 de janeiro, depois o aposentado fez sua primeira viagem.
“Não é só pôr do sol, é o nascer da lua, o espelho d'água com reflexo do sol. Isso é vida! É simplicidade! Nos faz querer viver, e isso é importante”, exaltou Waldemar que também foi uma das pessoas que conseguiram pegar o ingresso pela lista de espera.
A baixa temperatura pode ter afastado os animais comumente vistos na área. Capivaras, jacarés e tartarugas, mencionados pelo guia durante a viagem, estavam “tímidos”, ou encolhidos, e não vieram saudar a embarcação durante a travessia.
Para coroar e finalizar a trajetória de uma hora na lagoa, um casamento ocorria na Igrejinha São Francisco encantou os passageiros. O Capivarã passou no exato momento em que os noivos saudavam os convidados. E todos que estavam no barco acenaram para eles, festejando também as bodas dos desconhecidos. O condutor buzinou, e quem estava fora d'àgua aplaudiu os viajantes. Mais aplausos, desta vez para o guia, fecharam o passeio. O novo horário da embarcação é válido para sexta e sábado.
Serviço:
Viagens de Capivarã na Lagoa da Pampulha
Sexta e sábado: às 10h, 14h30 e 16h30
Domingo: às 10h, 13h e 15h
Quintas-feiras: disponível para Secretaria de Educação para passeios escolares
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Ingressos: gratuito, adquiridos no Sympla
