O que era para ser o início de uma rotina comum transformou-se em um pesadelo de mais de 24 horas para a diarista Ana Cláudia Rodrigues, de 41 anos. Em um relato concedido ao programa Fantástico, da TV Globo, a sobrevivente detalhou os momentos de terror que viveu ao ser sequestrada, ameaçada e jogada de um penhasco de 50 metros pelo ex-companheiro, Silvanildo Amâncio Araújo, de 52 anos, no Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O caso aconteceu na última segunda-feira (25/5).

O crime ocorreu após Ana Cláudia deixar a filha na escola e caminhar em direção ao trabalho. Ela contou que percebeu que estava sendo perseguida quando o ex-companheiro a interceptou de carro."Eu desci do ônibus normal para chegar no serviço. Quando eu subi na rua lá, o carro dele veio de frente para mim", disse.

Segundo a vítima, ao tentar escapar, o homem a alcançou e a forçou entrar no carro. "'Você vai entrar no carro e a gente vai ali só para conversar'. Sempre com a faca apertando muito meu pescoço", relembrou.

Durante as duas horas seguintes, a vítima foi submetida a agressões físicas e psicológicas. “Teve uma hora que eu falei para ele assim: ‘Você está me levando para me matar, né?’. Aí ele deu aquele sorriso cínico, assim. Ele falou: ‘Não, Cláudia. Eu não estou te levando para matar. Eu te amo’”, comentou ela.

Silvanildo dirigiu até a região de mirantes da Serra do Rola-Moça e, passou a escolher o local exato onde pretendia tirar a vida de Ana, com quem manteve um relacionamento de 12 anos marcado por históricos de violência. A relação foi rompida por ela em fevereiro deste ano.

"Ele ia próximo ao penhasco e falava assim comigo: 'Aqui não, aqui não dá para você morrer'. Me puxava com força, próximo a outro ponto do penhasco, falava assim: 'Aqui ainda não dá para você morrer'. Me puxava: 'Não, não dá para você morrer'", expôs a vítima. Nesse tempo, Ana Cláudia tentou se livrar do agressor, mas sem sucesso.

A mulher foi empurrada do paredão e despencou 50 metros pela ribanceira. Ainda ao Fantástico, ela afirmou que a sua mente se fixou em seus três filhos. "Aquele momento ali eram os meus filhos, os meus filhos o tempo todo, todo, todo. Ali era o meu fim", desabafou. A queda da vítima foi amortecida pela vegetação e ela conseguiu se segurar firmemente em uma raiz e em pequenos arbustos na encosta do desfiladeiro. Ficou nessa posição por 24 horas.

A salvação da mulher começou quando familiares desconfiaram de seu sumiço e acionaram as autoridades. O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar iniciaram uma busca minuciosa na região. Uma operação complexa e delicada foi montada pelos bombeiros para retirá-la do local e encaminhá-la ao Hospital João XXIII, de onde já teve alta.

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O agressor fugiu apressado do parque chegando a enviar áudios falsos para parentes afirmando que Ana Cláudia estava bem. Ele foi localizado e preso pela polícia, no dia seguinte, no Norte de Minas, à mais de 500 km de distância do local do crime, e confessou o ato. Ele responderá por tentativa de feminicídio. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva. 

 
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