MULTA

MPMG requer multa de R$ 15 milhões para mineradora em Minas

Sigma Mineração é acusada de descumprir ordem judicial ao manter operações barulhentas de madrugada no Vale do Jequitinhonha

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O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) requereu à Justiça a aplicação de uma multa de R$ 15 milhões para a Sigma Mineração. A empresa descumpriu uma ordem judicial, mantendo operações geradoras de ruído durante a madrugada no complexo Grota do Cirilo, em Araçuaí e Itinga, no Vale do Jequitinhonha.

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As ações foram comprovadas pelo MPMG por meio de imagens de drone, relatório técnico e boletim de ocorrência. O flagrante ocorreu graças à assistentes militares do Núcleo de Combate aos Crimes Ambientais (Nucrim/MPMG) que realizaram fiscalização de surpresa nos dias 18 e 19 de junho. 

Na ocasião, caminhões e escavadeiras estavam em atividade nas cavas e na planta de beneficiamento às 23h37. O boletim de ocorrência da PM registrou ainda que a movimentação foi acompanhada de "ruídos característicos da movimentação de veículos pesados, além de visualização de poeira na direção da área de lavra, caracterizando assim o descumprimento da determinação contida na alínea 'f' da referida decisão judicial".

Segundo o Ministério Público, a equipe da polícia foi barrada nas duas portarias da mineradora e foi registrada uma ocorrência de desobediência a ordem judicial, apontando a vantagem econômica como causa presumida. 

O requerimento do MPMG solicitou uma multa diária de R$ 500 mil por obrigação descumprida. Apenas a operação noturna irregular já soma 30 dias de descumprimento, totalizando R$ 15 milhões, valor que segue acumulando.

A reportagem tentou entrar em contato com a Sigma Mineração, mas não obteve retorno até o momento. 

Famílias afetadas

A Sigma Mineração precisava ainda fornecer o acesso viário para quatro famílias da comunidade Ponte do Piauí, em Itinga. A decisão judicial estabeleceu um prazo de 30 dias para a empresa apresentar uma solução, mas, mesmo com o fim do prazo, nenhuma medida foi tomada. 

Paloma Pessoa Souza, de 30 anos, é lavradora e uma das moradoras do local. Segundo ela, não existe rota alternativa para entrar e sair de casa, e qualquer deslocamento depende de autorização prévia e escolta da empresa. “Não posso receber visitas sem avisar antecipadamente. Sempre que vem alguém aqui em casa eu preciso ir buscar, senão a pessoa pode ser barrada”.

São quatro famílias afetadas, dez pessoas. A moradora também reclamou do barulho causado pelas operações na mineradora. “O barulho é muito, principalmente à noite. A justiça determinou que eles não podem trabalhar entre 22h e 6h, mas eles nunca cumpriram isso.”

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*Estagiária sob supervisão do subeditor Gabriel Felice

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