Ex-marido de estudante assassinada pede que caso não caia no esquecimento
Pai dos dois filhos de Letícia relata dor da família, lembra histórico de amizade e cobra justiça após feminicídio em Barbacena
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Francisco Daniel Siqueira, de 47 anos, ex-marido da estudante de medicina Letícia de Morais Vasconcelos Rodrigues, de 40, assassinada dentro do próprio apartamento, afirmou que a principal preocupação da família neste momento é evitar que o caso seja esquecido e garantir que o responsável seja punido. O crime aconteceu em Barbacena, no Campo das Vertentes, provocando comoção entre familiares, amigos e colegas da faculdade.
O suspeito do crime, Gustavo Dutra, de 25 anos, namorado de Letícia, foi preso e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. Em respeito ao andamento das investigações, Francisco evita fazer afirmações categóricas sobre a autoria, mas diz esperar que a Justiça esclareça todos os fatos.
"Tudo indica uma direção, mas eu quero esperar a condenação judicial. O que eu peço é que esse caso não caia no esquecimento e que quem fez isso pague pelo que fez", declarou.
Segundo Francisco, ele chegou a conhecer o suspeito em um encontro ocorrido no ano passado. Como os filhos viviam em regime de guarda compartilhada, o ex-marido fazia questão de saber quem convivia com as crianças.
"Minha preocupação sempre foi com meus filhos. Tenho uma filha de 11 anos, um filho adolescente. Queria saber quem estava convivendo com eles. Conversei com ele uma vez e não suspeitei de nada. Pareceu uma pessoa normal", relatou.
Relacionamento
Francisco e Letícia ficaram juntos por 16 anos, sendo três de namoro e 13 de casamento. Mesmo após a separação, mantiveram uma relação próxima e amigável, especialmente por causa dos filhos que tiveram enquanto casal: Davi, de 16 anos, e Luiza, de 11. "Inclusive, na sexta-feira, antes de tudo acontecer, nós almoçamos juntos com toda a família", contou.
A dor, segundo ele, é ainda maior pela brutalidade do crime. O ex-marido relatou que os filhos acompanham as notícias sobre o caso e enfrentam dificuldades para lidar com os detalhes da morte da mãe.
"Quando você sabe que uma pessoa morreu, já é muito difícil. Mas quando sabe que ela foi assassinada da forma como foi, é diferente. Os meninos estão sem chão. Eles veem tudo nas notícias, nas redes sociais, perguntam o que está acontecendo. É uma situação muito pesada para eles", disse, emocionado.
O ex-marido também revelou ter tomado conhecimento, durante o velório, de que Letícia teria sido vítima de agressões anteriores. Segundo ele, uma vizinha contou que a estudante chegou a registrar um pedido de medida protetiva após um episódio ocorrido em fevereiro deste ano.
"Eu tinha percebido alguns hematomas nos braços dela naquela época e perguntei o que tinha acontecido. Ela não quis comentar. Só agora uma vizinha me contou que ela havia sido agredida e chegou a fazer uma medida protetiva. Depois ela retirou essa medida porque acreditava que ele mudaria", afirmou.
As informações coincidem com registros já confirmados pela Polícia Civil, que apontam a existência de uma ocorrência anterior envolvendo o suspeito.
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Luto
Letícia cursava medicina e era descrita por familiares e amigos como uma pessoa tranquila, dedicada aos estudos e muito ligada à família.
Em meio ao luto, Francisco enfatizou que a prioridade agora é amparar os filhos. "Gosto de ser pai, faço tudo por eles e vou continuar fazendo. Agora, mais do que nunca. Nada vai trazer a Letícia de volta, mas eu quero que haja justiça. Pelo menos isso pode trazer algum conforto para a família e mais segurança para os nossos filhos", destacou.
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O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil.