ASSASSINATO DA MÃE

Justiça altera prisão de suspeito de decapitar a mãe em BH

A decisão da Justiça de Minas Gerais foi assinada nesta quarta-feira (24/6) pelo juiz Antônio Francisco Gonçalves, após audiência de custódia

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O homem de 24 anos suspeito de matar e decapitar a própria mãe, Jussara Maria Rodrigues, no Bairro Nova Cachoeirinha, na Região Noroeste de Belo Horizonte, teve sua prisão em flagrante convertida em preventiva. A decisão da Justiça de Minas Gerais foi assinada nesta quarta-feira (24/6) pelo juiz Antônio Francisco Gonçalves, após audiência de custódia.

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O crime, tipificado inicialmente como feminicídio, chocou a população e autoridades pelo forte teor de brutalidade. Conforme os autos do processo, o assassinato ocorreu na madrugada do último domingo (21/6).

A Polícia Militar (PMMG) foi acionada por familiares e vizinhos. Eles estranharam a ausência da vítima, que costumava frequentar a casa do pai aos domingos e não respondia a mensagens desde a manhã do mesmo dia.

Os militares compareceram ao imóvel e, após tentativas frustradas de contato, precisaram arrombar a porta de entrada.

No interior do apartamento, os policiais encontraram e contiveram o suspeito. Ao ser questionado, o próprio investigado admitiu ter assassinado a mãe e apontou o quarto onde estava o corpo.

A perícia da Polícia Civil (PCMG), também acionada, constatou que a mulher foi estrangulada, sofreu múltiplas lesões por arma branca na face, no tórax, no abdômen e nos membros e foi posteriormente decapitada.

Em depoimento à PCMG, o suspeito afirmou que mantinha uma relação difícil com a mãe, embora não tivesse ocorrido nenhuma discussão ou agressão física antes do crime. Ele alegou ter ouvido uma "voz" ordenando que matasse a mãe e justificou o ato por um sentimento interno de vingança ligado a uma suposta negligência materna - apesar de admitir que ela arcava com todas as despesas da casa, já que o homem estava desempregado.

O filho informou possuir um diagnóstico de esquizofrenia, realizado em Portugal, país onde morou e onde já havia apresentado surtos psicóticos anteriores. Ele admitiu que sabia da necessidade de tratamento psiquiátrico, mas optou por não seguir as recomendações médicas e não fazia uso de medicação regulamentar. O corpo da vítima foi velado e sepultado nessa terça-feira (23/6).

Decisão judicial

Ao fundamentar a conversão da prisão para a modalidade preventiva, o magistrado destacou a gravidade concreta do caso e o modus operandi brutal, indicando que medidas cautelares alternativas seriam insuficientes para garantir a ordem pública. O juiz citou a aplicação das diretrizes recentes trazidas pela Lei nº 15.272/2025, que recomenda o cárcere preventivo para crimes praticados com violência extrema contra a pessoa. "O autuado agiu com brutalidade que extrapola o tipo penal comum", registrou o juiz Antônio Francisco Gonçalves na decisão.

Em relação ao histórico de saúde mental do investigado, o magistrado determinou que seja instaurado um incidente de insanidade mental para avaliar a real capacidade de discernimento do réu no momento do crime.

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Além disso, ficou estabelecida a administração prisional para garantir o fornecimento de atendimento médico e psiquiátrico contínuo ao homem. Ele segue detido no Centro de Apoio Médico e Pericial (CAMP) em Ribeirão das Neves, na Grande BH, até o resultado sobre seu quadro psíquico.

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