PATRIMÔNIO HISTÓRICO

Imóvel histórico em Ouro Preto revela novas cores durante reforma

O casarão icônico, ao lado do Chafariz dos Contos, passa por uma obra que resgata detalhes da construção original, datada do século XIX

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Um belo casarão datado do século XIX ganhou novas cores e tem colorido a paisagem, já deslumbrante, da cidade de Ouro Preto, na região Central de Minas. Com uma fachada cor de salmão, portas bordô e sacadas de ferro, o patrimônio arquitetônico está passando por obras de restauração, focadas na manutenção do telhado e da pintura, resgatando características que marcaram diferentes períodos da história.

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Entre a esquina da Rua de Flores com a Praça Reinaldo Alves de Brito, o imóvel marcante abriga o Ministério Público e a intervenção busca preservar e valorizar um dos casarões mais icônicos do Centro Histórico da cidade. 

Os detalhes das pinturas, por consequência da exposição às intempéries e do tempo, encontravam-se deteriorados, segundo a Prefeitura de Ouro Preto. Por esse motivo, as obras buscam revelar detalhes únicos da construção, recuperando cores originais da fachada e dando mais vida à rua que, anualmente, recebe milhares de turistas. 

O casarão, que fica ao lado do célebre Chafariz dos Contos, estava com problemas na infraestrutura, como a ocorrência de vazamentos devido a telhas danificadas e, por esse motivo, a reforma foi necessária e autorizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A Procuradoria Geral de Justiça está sendo responsável pela obra, estimada em R$ 22 mil, e tem previsão para ser concluída em até 60 dias, no início de agosto. 

O casarão

Construído originalmente em 1889, o prédio representou um passo importante no desejo de modernização no final do século XIX. O ecletismo, estilo que o casarão seguia, incluía platibandas decoradas, frontões trabalhados e esquadrias de ferro e vidro inspirados na Revolução Industrial, simbolizando a estética da ascensão burguesa, já que combinava elementos de estilos memoráveis e europeus. 

Apesar da importância histórica, o prédio de 250 metros quadrados se tornou o centro de uma grande polêmica de preservação patrimonial no século XX. Na década de 1930, os modernistas liderados por Lúcio Costa criaram o SPHAN (Atual IPHAN) para marcar uma identidade nacional por meio do passado colonial e barroco. O ecletismo passou a ser considerado um "estilo estrangeiro" que desfigurava a harmonia colonial luso-brasileira de Ouro Preto.

Quase 30 anos depois, na década de 1960, o casarão, que abrigava o Banco do Comércio naquela época, sofreu uma reforma “corretiva” por orientação do Iphan. As obras criaram um aspecto "pseudocolonial" e as platibandas e ornamentos ecléticos decorativos foram completamente removidos para dar lugar a um beiral de telhas e a uma fachada lisa. As alterações mesclavam com a estética do Chafariz dos Contos.

O Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge) ocupou o espaço durante os anos 1980 e 1990, mas, com a privatização da instituição em 1998, o casarão foi cedido. O Ministério Público estadual ocupa o espaço desde 2008.

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*Estagiária sob supervisão do subeditor Gabriel Felice

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