O Instituto Mineiro de Obesidade (IMO), na região Centro-Sul de Belo Horizonte, estabelecimento onde morreu a jovem Bárbara Laura Souza Félix, de 27 anos, após complicações decorrentes de uma cirurgia estética, possui Alvará de Localização e Funcionamento. A informação foi confirmada ao Estado de Minas, nesta quarta-feira (27/5), pela prefeitura da capital.
Em nota, a Secretaria Municipal de Política Urbana informou que o local possui licença válida para atividades médicas, ambulatoriais, hospitalares e de diagnóstico. Além disso, a pasta comunicou que o IMO está em processo de renovação de Alvará Sanitário e segue sendo monitorado pela equipe da Vigilância Sanitária do município.
Nessa terça-feira (26), Bárbara morreu devido a complicações de uma lipoaspiração nas regiões abdominal e dorsal, seguida de lipoenxertia nos glúteos, realizada nas dependências do estabelecimento.
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Segundo a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), durante o procedimento, o anestesista teria percebido alterações na ventilação pulmonar da paciente, o que causou uma embolia pulmonar e, em seguida, uma parada cardiorrespiratória. Foram realizadas manobras de ressuscitação por 1 hora e 12 minutos, mas a morte foi confirmada ainda na unidade hospitalar.
Defesa
O escritório Raul Canal Advogados, que representa o cirurgião plástico Pablo Meneghetti, responsável pelo procedimento, lamentou por nota a morte de Bárbara Laura e afirmou que a jovem realizou exames e avaliações pré-operatórias antes da cirurgia, que, segundo a equipe médica, indicavam condições adequadas para o procedimento.
A defesa informou ainda que Bárbara recebeu assistência médica durante toda a cirurgia e que foram adotadas medidas clínicas e cirúrgicas na tentativa de reverter o quadro, mas ela não resistiu após sofrer complicações.
A equipe médica também afirmou que os familiares acompanharam a evolução do quadro clínico e receberam informações ainda no hospital. O advogado aguarda a conclusão do laudo pericial para esclarecimento das circunstâncias da morte da paciente e manifestou solidariedade aos familiares e amigos de Bárbara.
O IMO, por sua vez, comunicou que o procedimento realizado na vítima não foi conduzido pela equipe própria de cirurgia plástica da unidade. Segundo o posicionamento, Pablo Meneghetti e a Clínica Meneghetti, que possui CNPJ próprio, alugaram o bloco cirúrgico para realizar a lipoaspiração.
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A unidade lamentou a morte da jovem e informou que prestou acolhimento e suporte à família desde os primeiros momentos após a confirmação do óbito. Também garantiu que foi prestado apoio psicológico e documentos solicitados pelos familiares, como exames pré-operatórios, registros assistenciais e termos de consentimento assinados pela paciente. O IMO ainda alegou que todos os protocolos pré-operatórios, intraoperatórios e assistenciais foram seguidos, e que os recursos necessários para o atendimento da urgência foram utilizados.
Investigação
Conforme a nota do IMO, uma avaliação preliminar da Comissão de Óbito da unidade levantou a hipótese de embolia gordurosa, complicação considerada rara, mas descrita na literatura médica em procedimentos como lipoaspiração e enxertia de gordura. No boletim da PM, no entanto, consta embolia pulmonar.
Já a Polícia Civil se limitou a informar que "uma equipe da perícia oficial esteve no local dos fatos para a coleta de vestígios e informações que subsidiarão as investigações. O corpo da vítima foi encaminhado para o Instituto Médico Legal André Roquette para exames, e, posteriormente, liberado a familiares. Outras informações poderão ser repassadas à imprensa após os procedimentos de polícia judiciária".
Procurado pelo Estado de Minas sobre eventual abertura de sindicância, procedimento ético-profissional ou outra forma de apuração referente ao caso, o Conselho Regional de Medicina (CRM-MG) esclareceu que as denúncias recebidas são apuradas e todos os procedimentos abertos correm sob sigilo.
Família cobra respostas
Amigos e familiares se despediram de Bárbara Laura na tarde desta quarta (27/5). A avó da jovem, Consuelo de Souza, carrega o anseio por respostas. "Vou querer saber o que aconteceu. Porque ela fez todos os exames e estavam bons. Quero justiça para que não haja outras Bárbaras. Porque não é a primeira. Não estou acusando, mas vou esperar o laudo para ver o que aconteceu", desabafou.
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A familiar afirmou que, caso tenha alguma alteração ou erro médico na autópsia, a família não deixará o fato passar impunemente. "Nós vamos lutar até o fim para que não aconteça com mais nenhuma outra pessoa", afirmou ela. A familiar não deixou de rasgar elogios à Bárbara e disse que ela era uma moça alegre, extrovertida e muito amada. "Foi embora um pedaço de mim", lamentou.
A prima Ingrid Ester Martins também relatou como a notícia abalou a família. "Recebemos a notícia era quase 13h. A Bárbara chegou na clínica às 7h. Quem nos procurou foi a amiga do trabalho que a acompanhou, eles não nos procuraram para dar a notícia, nem suporte nenhum, até o momento", mencionou.
Ela ainda comentou que foi a família quem se encaminhou até o local e acionou as polícias Militar e Civil. "A amiga nos ligou após ser avisada de que a Bárbara havia tido uma embolia pulmonar. A amiga só soube porque foi até o local, já que a cirurgia estava demorando muito", destacou.
Conforme Ingrid, o procedimento começou às 7h e, por volta das 11h30, ainda não tinha nenhum aviso sobre a situação. "Não sabemos nada, estamos esperando o laudo", manifestou a prima. A família cobra esclarecimentos sobre o caso e afirma suspeitar de erro médico.
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Moradora do Bairro Concórdia, na região Nordeste de BH, Bárbara era solteira, não tinha filhos e, segundo a família, sonhava há anos em realizar a cirurgia estética. De acordo com familiares, a vítima frequentava academia diariamente e não tinha problemas de saúde. “Ela estava muito feliz, juntou dinheiro durante muito tempo para conseguir fazer o procedimento porque era algo que incomodava muito ela”, disse.
