O corpo de Bárbara Laura Souza Félix, de 27 anos, foi sepultado sob forte dor e comoção na tarde desta quarta-feira (27/5), no Cemitério da Paz, no Bairro Caiçara, Região Noroeste de Belo Horizonte. A jovem morreu ontem, em decorrência de complicações após um procedimento estético realizado no Instituto Mineiro de Obesidade, no Bairro de Lourdes, Região Centro-Sul da capital.

Bárbara morreu depois de fazer uma lipoaspiração nas regiões abdominal e dorsal, seguida de lipoenxertia nos glúteos. Durante o procedimento, o anestesista teria percebido alterações na ventilação pulmonar da paciente. Bárbara sofreu uma embolia pulmonar e, em seguida, uma parada cardiorrespiratória. Foram realizadas manobras de reanimação por 1h12, mas a morte foi confirmada ainda na unidade hospitalar.

A despedida de Bárbara reuniu uma multidão de amigos e familiares, que formaram uma roda e a homenagearam com salvas de palmas. À imprensa, a avó da vítima, Consuelo de Souza, lamentou a perda. "Criei ela desde os 3 anos. Era o sonho dela fazer a cirurgia. Ela saiu bem, falei com ela às 6h, estava tranquila. Ela foi com uma amiga do trabalho", comentou. A familiar destacou o quanto a neta era saudável, se alimentava-se bem, praticava esportes e ia à academia todos os dias.

O sentimento da avó é de busca por justiça. "Vou querer saber o que aconteceu. Porque ela fez todos os exames, e estavam bons. Quero justiça para que não haja outras Bárbaras. Porque não é a primeira. Não estou acusando, mas vou esperar o laudo para ver o que aconteceu", desabafou.

Consuelo ainda disse que, caso o laudo tenha alguma alteração, a família não deixará impune. "Nós vamos lutar até o fim, para que não aconteça com mais nenhuma outra pessoa", afirmou ela. A familiar não deixou de rasgar elogiou à Bárbara, e disse que ela era uma moça alegre, extrovertida e muito amada. "Foi embora um pedaço de mim", lamentou.

A prima, Ingrid Ester, também relatou como a notícia abalou a família. "Recebemos a notícia era quase 13h. A Bárbara chegou na clínica às 7h. Quem nos procurou foi a amiga, eles não nos procuraram para dar a notícia, nem suporte nenhum, até o momento", mencionou.

Ela ainda comentou que foi a família quem foi até o local e acionou as polícias Militar e Civil. "A amiga nos ligou após ser avisada de que a Bárbara havia tido uma embolia pulmonar. A amiga só soube porque foi até o local, já que a cirurgia estava demorando muito", destacou. Conforme a prima, o procedimento foi às 7h, e por volta das 11h30, ainda não tinha nenhum aviso sobre a situação. "Não sabemos nada, estamos esperando o laudo", disse a prima. A família quer esclarecimentos sobre o caso e afirma suspeitar de erro médico.

Moradora do Bairro Concórdia, na Região Nordeste de BH, Bárbara era solteira, não tinha filhos e, segundo a família, sonhava há anos em fazer a cirurgia estética. De acordo com familiares, a vítima frequentava academia diariamente e não tinha problemas de saúde.

Segundo Ingrid, a cirurgia era a realização de um sonho antigo da jovem. “Ela estava muito feliz, juntou dinheiro durante muito tempo para conseguir fazer o procedimento, porque era algo que incomodava muito ela”, disse.

Thiago Augusto Alves é primo de Bárbara Laura, e contou que, há três anos, uma amiga morreu no mesmo local. "Com essa síndrome de perfeição que o mundo vem buscando hoje, minha prima era lindíssima, só que nesse anseio foi numa clínica, esperava um cuidado. Se dizem hospital, mas não é, não teve socorro, suporte, não deram retorno adequado à família", reiterou. Ele deixou um alerta às mulheres quanto ao cuidado em meio ao culto à beleza. "Não estão zelando pela vida", concluiu ele.

O que diz o cirurgião

Em nota enviada pelo escritório Raul Canal Advogados, que representa o cirurgião-plástico Pablo Meneghetti, a defesa lamentou a morte de Bárbara Laura Souza Félix e afirmou que a jovem fez exames e avaliações pré-operatórias antes da cirurgia, que, segundo a equipe médica, indicavam condições adequadas para o procedimento.

A defesa informou ainda que Bárbara recebeu assistência médica durante toda a cirurgia e que foram adotadas medidas clínicas e cirúrgicas na tentativa de reverter o quadro, mas ela não resistiu às complicações.

A equipe médica também afirmou que os familiares acompanharam a evolução do quadro clínico e receberam informações ainda no hospital.

O cirurgião informou, por meio da defesa, que aguarda a conclusão do laudo pericial para esclarecimento das circunstâncias da morte da paciente e manifestou solidariedade aos familiares e amigos de Bárbara.

Já o Hospital IMO afirmou, em nota, que o procedimento realizado em Bárbara não foi conduzido pela equipe própria de cirurgia plástica da unidade. Segundo a nota, o cirurgião Pablo Meneghetti e a Clínica Meneghetti, que tem CNPJ próprio, alugaram o bloco cirúrgico do IMO para a realização da cirurgia.

A unidade lamentou a morte da jovem e informou que prestou acolhimento e suporte à família desde os primeiros momentos após a confirmação do óbito. Segundo o hospital, foram disponibilizados apoio psicológico e documentos solicitados pelos familiares, como exames pré-operatórios, registros assistenciais e termos de consentimento assinados pela paciente.

O IMO informou ainda que todos os protocolos pré-operatórios, intraoperatórios e assistenciais foram seguidos e que os recursos necessários para o atendimento da urgência foram utilizados.

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Conforme a nota, uma avaliação preliminar da Comissão de Óbito da unidade levantou a hipótese de embolia gordurosa, complicação considerada rara, mas descrita na literatura médica em procedimentos como lipoaspiração e enxertia de gordura. O hospital ressaltou, porém, que a hipótese ainda depende da confirmação do laudo oficial do Instituto Médico-Legal (IML).

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