A jovem Bárbara Laura Souza Félix, de 27 anos, morreu nessa terça-feira (26/5) após complicações decorrentes de uma cirurgia plástica realizada no Instituto Mineiro de Obesidade (IMO), no Bairro Lourdes, na região Centro-Sul de Belo Horizonte (MG).
Moradora do Bairro Concórdia, na Região Nordeste da capital mineira, Bárbara era solteira, não tinha filhos e, segundo familiares, sonhava há anos em realizar a cirurgia estética. A jovem frequentava academia diariamente e não tinha problemas de saúde, de acordo com parentes.
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Prima da vítima, Ingrid Ester Martins contou que as duas cresceram juntas e mantinham uma relação muito próxima. Bárbara, inclusive, era madrinha do filho dela, “A gente cresceu juntas, a Bárbara sempre foi uma menina muito alegre e batalhadora”.
Segundo a familiar, o procedimento estético era um desejo antigo de Bárbara, que teria se planejado financeiramente durante anos para conseguir realizar a cirurgia. Abalada com a morte da prima, Ingrid afirmou que espera que o caso seja investigado e os responsáveis, caso haja irregularidades, sejam responsabilizados. “Eu quero justiça pela Bárbara. A cirurgia era um sonho dela”, declarou.
De acordo com o boletim de ocorrência, Bárbara chegou à unidade hospitalar acompanhada de uma amiga por volta das 6h30. A família afirma que a cirurgia começou às 7h40, enquanto o médico informou à Polícia Militar que o procedimento teve início às 8h30.
Conforme a ocorrência, foi realizada uma lipoaspiração nas regiões abdominal e dorsal, seguida de lipoenxertia nos glúteos. Durante o procedimento, o anestesista teria percebido alterações na ventilação pulmonar da paciente. Bárbara sofreu uma embolia pulmonar e, em seguida, uma parada cardiorrespiratória.
Segundo o médico, foram realizadas manobras de ressuscitação por 1h12, mas a morte foi confirmada ainda na unidade hospitalar.
A família alega que a jovem passou horas sem receber informações sobre o estado de saúde dela, segundo Ingrid os parentes suspeitam de erro médico e criticam a falta de acolhimento após a morte.
“A clínica não deu nenhum suporte para a família. A gente precisou chamar a polícia porque ninguém explicava nada. Eles não conversaram com a gente, não acolheram a família em nenhum momento”, disse a prima.
O que diz o cirurgião
Em nota enviada pelo escritório Raul Canal Advogados, que representa o cirurgião-plástico Pablo Meneghetti, a defesa lamentou a morte de Bárbara Laura Souza Félix e afirmou que a jovem realizou exames e avaliações pré-operatórias antes da cirurgia, que, segundo a equipe médica, indicavam condições adequadas para o procedimento.
A defesa informou ainda que Bárbara recebeu assistência médica durante toda a cirurgia e que foram adotadas medidas clínicas e cirúrgicas na tentativa de reverter o quadro, mas ela não resistiu após sofrer complicações.
A equipe médica também afirmou que os familiares acompanharam a evolução do quadro clínico e receberam informações ainda no hospital.
O cirurgião informou, por meio da defesa, que aguarda a conclusão do laudo pericial para esclarecimento das circunstâncias da morte da paciente e manifestou solidariedade aos familiares e amigos de Bárbara.
Já o Hospital IMO afirmou, em nota, que o procedimento realizado em Bárbara não foi conduzido pela equipe própria de cirurgia plástica da unidade. Segundo o posicionamento, o cirurgião Pablo Meneghetti e a Clínica Meneghetti, que possui CNPJ próprio, realizaram a locação do bloco cirúrgico para a realização da cirurgia.
A unidade lamentou a morte da jovem e informou que prestou acolhimento e suporte à família desde os primeiros momentos após a confirmação do óbito. Segundo o hospital, foram disponibilizados apoio psicológico e documentos solicitados pelos familiares, como exames pré-operatórios, registros assistenciais e termos de consentimento assinados pela paciente.
O IMO informou ainda que todos os protocolos pré-operatórios, intraoperatórios e assistenciais foram seguidos e que os recursos necessários para o atendimento da urgência foram utilizados.
Conforme a nota, uma avaliação preliminar da Comissão de Óbito da unidade levantou a hipótese de embolia gordurosa, complicação considerada rara, mas descrita na literatura médica em procedimentos como lipoaspiração e enxertia de gordura. O hospital ressaltou, porém, que a hipótese ainda depende da confirmação do laudo oficial do Instituto Médico-Legal (IML).
Equipes da perícia oficial da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) estiveram no hospital para realizar a coleta de vestígios e informações que irão subsidiar as investigações sobre a morte de Bárara Laura Souza Félix. Segundo a corporação, o corpo da jovem foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal André Roquette, em Belo Horizonte, onde passou por exames antes de ser liberado aos familiares.
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A PCMG afirmou ainda que outras informações poderão ser divulgadas após os procedimentos de polícia judiciária.
