Pela primeira vez em 251 anos de história, o comando-geral da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) será exercido por uma mulher – e negra. Nesta terça-feira (26/5), a coronel Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues, de 48 anos, assumiu o cargo em uma cerimônia na Academia da PMMG, no Bairro Prado, na Região Oeste de Belo Horizonte. Ela sucede o coronel Frederico Otoni Garcia, que, agora, se transfere para a reserva.
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Cleide é servidora de carreira na PMMG: ingressou na corporação em 1997, quando tinha 18 anos. Em 2000, concluiu o curso de formação de oficiais. Ao longo da trajetória militar, formou-se bacharel em Direito e especialista em Direito Militar, Gestão Estratégica de Pessoas e Violência Doméstica. Atualmente, ela ocupava a Diretoria de Proteção Social (DS) da corporação.
Belo-horizontina, Cleide é filha de militar e lembrou, em discurso, que a entrada das mulheres na PMMG foi permitida há exatamente 45 anos. Ela declarou estar honrada com a primazia no comando-geral da PMMG e prometeu realizar um trabalho firme, porém, humano, à frente da corporação.
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"Sei que o serviço de prevenção à violência doméstica tem como objetivo dar um tratamento mais humanizado às vítimas, e não somente trabalhar com as vítimas, mas também com os autores de violência doméstica, porque nós temos plena ciência que trabalhar somente com as vítimas não é o suficiente", pontuou. "Temos que levar conhecimento, sim. Conhecimento e responsabilização a todos os autores de violência doméstica", acrescentou.
Além do olhar preparado para combater a violência doméstica, a nova comandante-geral da PMMG prometeu empenho especial no combate ao crime organizado. "A nossa prioridade é trabalhar de maneira preventiva e de maneira repressiva: essas duas ações se completam, e, concomitantes, trazem os resultados que a sociedade espera", afirmou. "Todos podem esperar uma ação firme, uma ação enérgica contra a criminalidade, mas também um apoio à nossa sociedade", concluiu.
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Presente na solenidade, o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD) salientou, em discurso, que a nomeação de uma mulher para o comando-geral da PMMG é "motivo de alegria", mas que a escolha não se baseia no gênero, e sim na competência e na capacidade da coronel Cleide. "Eu tenho uma série de mulheres absolutamente competentes e capazes de desempenhar os papéis que foram a elas delegados", disse o líder do executivo estadual.
"É um crescente da participação feminina no espaço público que se confirma pelos resultados da formatura da sexta-feira (22/5). Eu participei de quatro formaturas (de cadetes da PMMG), em Teófilo Otoni, Diamantina, Belo Horizonte e Pouso Alegre: em todas elas, o primeiro aluno (da turma) era uma mulher, era uma soldado-mulher. Eu acho que isso é motivo de comemoração", concluiu Simões.
Cúpula feminina
Com a nomeação da coronel Cleide ao comando-geral da PMMG, as três forças de segurança do estado passam a ser dirigidas por mulheres. Isso, porque a chefia da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) está, desde 2023, nas mãos delegada-geral Letícia Baptista Gamboge Reis. Por sua vez, a coronel Jordana de Oliveira Filgueiras Daldegan foi empossada, em 2025, comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG).
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Troca também no Estado-Maior
Na mesma cerimônia, o coronel Sandro Vieira Corrêa, que atualmente desempenhava a função de diretor de Educação Escolar da PMMG, passou a ocupar o posto de chefia do Estado-Maior, em substituição ao coronel Maurício José de Oliveira. Integrante da turma dos Aspirantes-a-Oficial do ano 2000, ele tem três especializações no currículo: Criminalidade e Segurança Pública (UFMG), Segurança Pública (APM/Fundação João Pinheiro) e em Gestão Estratégica de Segurança Pública (APM/Fundação João Pinheiro).
