Pelotão de drones passa a atuar no policiamento diário em Minas Gerais
Os drones da Polícia Militar passam a integrar o policiamento diário em avenidas, corredores comerciais, áreas rurais e ações preventivas no estado
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Antes restritos a grandes operações policiais e eventos, como o Carnaval de Belo Horizonte, os drones da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) passam agora a integrar o policiamento diário no estado. Equipados com reconhecimento facial, monitoramento em tempo real e identificação automática de placas, os equipamentos serão usados em ruas, avenidas, corredores comerciais, áreas rurais e locais com grande circulação de pessoas.
A Polícia Militar lançou, nesta sexta-feira (22/5), o Pelotão Ostensivo de Drones, estrutura criada para reforçar o policiamento preventivo e repressivo em Minas Gerais. A proposta é aproximar a tecnologia do dia a dia da população e ampliar a capacidade de monitoramento da corporação.
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Até então, os drones eram utilizados de forma mais discreta, principalmente em operações específicas, grandes eventos e ações de captação de imagens. Agora, os equipamentos passam a atuar diretamente no policiamento ostensivo e comunitário.
As imagens captadas pelos drones poderão ser transmitidas em tempo real para salas de videomonitoramento e postos de comando, permitindo que equipes acompanhem ocorrências, perseguições e movimentações suspeitas de maneira mais rápida.
O comandante-geral da PMMG, coronel Carlos Frederico Otoni Garcia, afirmou que a criação do pelotão representa uma mudança na forma de atuação da Polícia Militar.
“O cidadão vê o objeto e sabe que tem um militar próximo trazendo segurança para ele. Com o patrulhamento do drone, queremos trazer o olhar do policial para mais próximo do cidadão, mesmo que esteja à distância”.
Patrulhamento
O emprego dos drones ocorrerá conforme a demanda operacional da corporação, principalmente em pontos com maior fluxo de pessoas, veículos e registros de ocorrências. A operação deverá se concentrar em corredores comerciais, avenidas de grande movimentação e eventos com alta circulação de público. Em Belo Horizonte, vias como as avenidas Antônio Carlos e Pedro II poderão receber monitoramento aéreo nos horários de pico. A Feira Hippie também está entre os locais previstos no planejamento operacional da Polícia Militar.
Minas Gerais possui atualmente mais de 500 drones em operação pela Polícia Militar. Outros 150 equipamentos devem chegar nos próximos dias. Mais de 1.500 policiais militares já receberam treinamento para operar as aeronaves remotamente pilotadas.
O chamado Esquadrão Harpia, responsável pela operação dos drones, também foi ampliado. A estrutura passou de quatro militares e três drones para um efetivo de 31 militares, 35 drones e sete viaturas.
O comandante de Aviação do Estado, coronel Crisstian, explica que o alcance dos drones e a velocidade de deslocamento permitem que a sala de monitoramento acione rapidamente a guarnição Harpia para fornecer imagens em tempo real de crimes em andamento.
Segundo ele, isso permite que as equipes cheguem aos locais das ocorrências já com informações estratégicas, aumentando a segurança dos policiais e contribuindo para uma repressão mais qualificada.
“Em algumas operações, a gente integra as imagens do drone com um posto de comando. Já temos links diretos, seja por Starlink, seja por conexão por proximidade. Às vezes, a gente está próximo do posto de comando com cabo HDMI ou alguma conexão física. Conseguimos fazer com que os rádios transmitam essas imagens para uma tela maior, onde o comandante da operação tenha contato por rádio com as guarnições”, explicou.
O sistema também permite que o comando visualize diferentes ângulos da mesma ocorrência ao mesmo tempo, reunindo imagens de vários drones e equipamentos simultaneamente.
Quando a operação acontece a longas distâncias, a corporação utiliza internet e sistemas de transmissão criptografada para enviar as imagens em tempo real e orientar o policiamento à distância.
Nem todas as operações terão transmissão das imagens em tempo real para centrais de comando ou postos de monitoramento. Segundo a corporação, isso dependerá da estratégia definida para cada ação policial.
Em operações mais ostensivas, por exemplo, o compartilhamento das imagens pode não ser necessário. Já em ocorrências de maior complexidade, o sistema permite que as imagens captadas pelos drones sejam enviadas instantaneamente para equipes e comandantes responsáveis pela operação.
Tecnologia
Os drones contam com tecnologia de reconhecimento facial desenvolvida pela própria Polícia Militar e poderão identificar pessoas com mandados de prisão em aberto durante o patrulhamento. Quando isso acontecer, a informação será enviada automaticamente para a viatura mais próxima, permitindo a abordagem e prisão do suspeito.
Além do uso urbano, a corporação pretende ampliar a utilização dos drones no interior do estado e em áreas rurais. Equipes do policiamento ambiental e rural já estão sendo treinadas e equipadas para operar os equipamentos durante o patrulhamento em fazendas, estradas vicinais e regiões de difícil acesso.
Atualmente, os drones utilizados pela corporação possuem autonomia entre 40 e 59 minutos de voo, mas a Polícia Militar já avalia modelos com capacidade de operação entre duas e quatro horas contínuas.
Os policiais responsáveis pela operação passam por cursos específicos sobre legislação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), normas do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e treinamento prático voltado para atuação em ocorrências.
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Um carro com oito câmeras acopladas também foi incluído no efetivo e está em fase de testes desde o Carnaval de Belo Horizonte. O veículo conta com sistema de identificação visual, reconhecimento automático de placas e integração com os sistemas tecnológicos da PM. O automóvel também possui capacidade para operar drones durante o próprio deslocamento, funcionando como uma base móvel de monitoramento e apoio às operações policiais.