ATLAS DA VIOLÊNCIA

Armas de fogo concentram quase dois terços dos homicídios em Minas Gerais

Levantamento mostra que armas foram usadas em 63,6% dos assassinatos no estado; apesar da queda histórica, volume absoluto ainda supera 1,7 mil mortes

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Mesmo com uma trajetória de redução dos homicídios ao longo da última década, as armas de fogo continuam sendo o principal instrumento da violência letal em Minas Gerais. Em 2024, 1.738 pessoas foram assassinadas por disparos no estado, o equivalente a 63,6% de todos os homicídios registrados no período.

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Os dados são do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26/5), levantamento elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), com base em informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e outros bancos oficiais de saúde e segurança.

Em números absolutos, Minas registrou oficialmente 2.731 homicídios em 2024, com taxa de 12,8 mortes por 100 mil habitantes, a quarta menor do país. Desse total, 1.738 foram cometidos com armas de fogo, o que corresponde a uma taxa de 8,2 mortes por 100 mil habitantes. O índice coloca Minas também entre os estados com menor taxa de homicídios por esse meio no Brasil.

De um lado, o estado conseguiu reduzir fortemente a mortalidade por arma de fogo ao longo da última década. Entre 2014 e 2024, a taxa caiu 50,6%, uma das reduções mais expressivas do país. Por outro, o recuo não alterou o protagonismo das armas na dinâmica dos assassinatos: elas seguem sendo, com ampla vantagem, o principal vetor da violência letal.

O resultado acompanha uma tendência nacional. Em todo o Brasil, foram registrados oficialmente 42.590 homicídios em 2024, o menor patamar da série histórica iniciada em 2014. Ainda assim, as armas de fogo permanecem como principal mecanismo das mortes violentas no país.

Municípios com maiores taxas de homicídios estimados tendem a reproduzir essa dinâmica de letalidade armada. Entre as cidades mineiras com mais de 100 mil habitantes, os maiores índices estimados em 2024 foram registrados em Governador Valadares (45,8 homicídios por 100 mil habitantes), Ribeirão das Neves (42,3) e Teófilo Otoni (35,8). Na outra ponta aparecem Lavras (3,6), Ituiutaba (4,7) e Poços de Caldas (7,6).

Subnotificação de casos

O estudo dedica um capítulo inteiro ao crescimento dos chamados homicídios ocultos, mortes violentas inicialmente classificadas como de causa indeterminada e posteriormente estimadas como prováveis homicídios por metodologia estatística.

Esse fenômeno alterou significativamente o retrato mineiro. Embora os registros oficiais indiquem queda de 2,3% nos homicídios entre 2023 e 2024 (de 2.795 para 2.731 casos), a inclusão dos homicídios ocultos produz cenário oposto. O número estimado sobe para 3.949 mortes violentas, alta de aproximadamente 25%, a maior entre todas as unidades da federação.

Foram 1.218 homicídios ocultos em Minas apenas em 2024, crescimento de 240,2% em relação ao ano anterior.

Para os autores do Atlas, a expansão das Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI) exige cuidado na leitura dos indicadores recentes. Em trecho do relatório, os pesquisadores afirmam que a aparente continuidade da queda dos homicídios oficiais “não se reproduziu integralmente quando se incorporam os homicídios ocultos”, gerando uma fotografia mais preocupante da violência letal, especialmente em estados como Minas Gerais.

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A deterioração dos registros também aparece na capital. Em Belo Horizonte, foram contabilizados oficialmente 235 homicídios em 2024. Quando entram os casos estimados, o total chega a 676 mortes. Segundo o Atlas, 65,2% dos homicídios estimados na capital são ocultos.

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