Minas Gerais registrou aumento nos casos e nas mortes por dengue, segundo o último Boletim Epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) nessa segunda-feira (18/5). De acordo com o levantamento, em duas semanas houve crescimento de 24% nas ocorrências confirmadas e o número de óbitos saltou de 14 para 20 no mesmo período.
Apesar da alta, especialista avalia que o cenário está longe de ser alarmante quando comparado ao surto histórico vivido em anos anteriores. Na capital mineira, os registros positivos chegam a 729 neste ano. A vacinação segue sendo indispensável para a prevenção.
Segundo o último informe da SES-MG, o estado contabiliza 59.399 casos prováveis de dengue. Desses, 26.284 foram confirmados e 20 mortes foram registradas pela doença. Outros 33 óbitos seguem em investigação. Uma semana antes, em 11 de maio, eram 56.103 casos prováveis, sendo 23.745 confirmações e 18 mortes.
Já no boletim referente ao dia 4 de maio, o estado registrava 52.648 casos prováveis, 21.179 confirmados e 14 óbitos. Em comparação entre 4 a 18 de maio, o número de casos prováveis aumentou 12,8%. Já os casos confirmados cresceram 24%, enquanto as mortes tiveram alta de 42,8% em apenas duas semanas - passando de 14 para 20 óbitos.
Em Belo Horizonte, a Secretaria Municipal de Saúde registrou 1.639 casos positivos de dengue no ano passado, com duas perdas para a doença. Neste ano, até a última atualização em 15 de maio, são 729 casos, sendo 10 contabilizados em maio.
O mês com maior número de confirmações foi março, com 289, seguido de abril (158) e fevereiro (156). Janeiro, que também costuma ser chuvoso, somou 116 e o único óbito do ano. Na capital há 10.072 casos notificados, pendentes de resultados de exames laboratoriais e avaliações epidemiológicas. Além disso, foram investigadas e descartadas 7.330 ocorrências.
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Baixa circulação
Apesar da elevação em um curto período de tempo, a infectologista do Lab-to-Lab Pardini, Melissa Valentini, ouvida pelo Estado de Minas, afirmou que 2026 segue sendo um ano de baixa circulação da doença no estado. “É um ano bastante tranquilo para a dengue. Temos muito poucos casos em relação aos anos anteriores. O pior ano de dengue em Minas Gerais foi 2024, quando o estado ultrapassou 1,5 milhão de casos prováveis e registrou mortalidade bastante alta”, explica.
Segundo a especialista, o comportamento atual da doença está dentro do esperado após um grande surto epidemiológico. “Normalmente, os grandes picos de dengue acontecem em ciclos de quatro em quatro anos. Depois de um ano muito ruim, como foi em 2024, é esperado que os anos seguintes tenham menos casos, porque boa parte da população desenvolve imunidade após contrair a doença”, esclareceu.
Mas, vale lembrar que a doença é causada por um vírus que possui quatro sorotipos diferentes: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Por isso, uma pessoa pode contrair dengue mais de uma vez ao longo da vida, já que a infecção por um sorotipo não garante imunidade contra os demais. Em Belo Horizonte e em Minas Gerais, o DENV-2 apresenta maior circulação, seguido pelo DENV-3, conforme o boletim epidemiológico da SES-MG.
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Melissa lembra ainda que, historicamente, a dengue tende a perder força com a chegada do período seco e do inverno. “A dengue é sazonal e depende muito das chuvas e do tempo quente. Quando entramos no inverno, naturalmente ocorre redução dos casos. Em 2019 tivemos uma curva estranha, que se prolongou até maio e início de junho, mas este ano não parece que será diferente do padrão esperado. A curva está bem menor do que em 2025, que também foi um ano tranquilo”, avaliou.
Ainda de acordo com a infectologista, os números atuais permanecem abaixo da média histórica registrada antes da explosão de casos em 2024. “Antes daquele surto, a média anual em Minas ficava entre 400 mil e 500 mil casos. Em 2025 e 2026 tivemos registros esparsos e mortalidade em torno de 20 óbitos por ano, o que não é considerado alarmante”, destaca.
Alerta ainda ligado
Apesar da avaliação, o estado de alerta ainda se mantém ligado. Um estudo desenvolvido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), projeta que o Brasil pode encerrar 2026 com até 1,8 milhão de casos prováveis de dengue. A pesquisa é referente ao período entre outubro de 2025 e outubro de 2026, com 65% a 70% concentrados na Região Sudeste. Minas Gerais deve responder por aproximadamente 10% dessas infecções, estatística que colocaria o estado entre os mais impactados pela circulação do vírus.
Melissa Valentini, reforça que a população deve continuar adotando medidas de prevenção, como eliminar possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti e procurar atendimento médico em caso de sintomas. A vacinação contra a dengue também segue como a principal estratégia para reduzir casos graves e internações nos públicos contemplados pela campanha.
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Em BH, o público de 10 a 14 anos pode receber a primeira dose da vacina contra a dengue. A medida foi uma determinação do Ministério da Saúde. O esquema vacinal da Qdenga é composto por duas doses, que são aplicadas com intervalo de três meses.
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Cabe esclarecer que todo o público de 6 a 9 anos que já recebeu a primeira dose poderá receber a segunda e completar o esquema vacinal. É necessário comparecer aos centros de saúde e apresentar o documento de identificação com foto ou certidão de nascimento, CPF e cartão de vacina.
