A Justiça suspendeu o agendamento do júri dos oito acusados de participação nos três homicídios ocorridos durante uma festa de aniversário em Ribeirão das Neves (MG), na Região Metropolitana de Belo Horizonte. 

A decisão atende a pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que manifestou preocupação com o que qualificou como "imparcialidade dos jurados em razão da forte repercussão do caso" na cidade. 

O MPMG explicou ainda que a suspensão visa evitar uma possível "anulação futura do julgamento" e preservar a segurança dos réus, "diante do perfil dos grupos envolvidos no conflito que originou o crime". Com isso, a promotoria pediu que o júri seja transferido de Ribeirão das Neves para outra cidade. 

"O magistrado da 1ª Vara Criminal de Ribeirão das Neves corroborou as preocupações do Ministério Público, manifestando-se favoravelmente à transferência do julgamento. O juiz destacou que submeter os réus a um conselho de sentença sob suspeita de parcialidade contraria a garantia constitucional de um processo justo e gera instabilidade jurídica", informou a assessoria do MPMG. 

A suspensão do júri acontece após o julgamento — que havia sido marcado para o último dia 13 de abril — ter sido adiado por suspeita de tuberculose em um dos réus. O adiamento foi requerido pela defesa de todos os réus, segundo informou a assessoria do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). A Justiça entendeu que a presença dele na sessão poderia contribuir para a contaminação dos presentes. 

Relembre o caso

O que era para ser uma comemoração em família na noite de 23 de maio de 2024 virou tragédia no Bairro Areias De Baixo, em Ribeirão das Neves, na Grande BH. Dois homens armados invadiram a festa de aniversário de 9 anos de Heitor Felipe Moreira de Oliveira e atiraram contra as pessoas na celebração. Além do aniversariante, o pai dele, Felipe Moreira Lima, e a prima de Heitor, Laysa Emanuele, morreram no local.

Felipe era o alvo de assassinos por causa do tráfico de drogas no Morro Alto, em Vespasiano, também na Grande BH, e estava em guerra com traficantes do Bairro Bela Vista, segundo informado no boletim de ocorrência da Polícia Militar. A liderança do tráfico do Bela Vista queria que Felipe comercializasse os entorpecentes fornecidos por eles, mas ele não queria fechar a parceria, segundo a polícia.

Felipe, que foi baleado ao menos 12 vezes, e a família estavam recebendo ameaças de morte há pelo menos três meses. O filho, que tinha o sonho de ser jogador de futebol, foi baleado quatro vezes na boca, costas, queixo e pescoço. Já a menina foi atingida no queixo e pescoço. Além dos três mortos, outras três pessoas foram baleadas e encaminhadas a uma unidade de saúde. Uma adolescente, de 13 anos, foi atingida na canela. Uma jovem, de 19, foi ferida na nádega e uma mulher, de 41, foi baleada nas costas e na cintura. 

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Em julho do mesmo ano, oito envolvidos se tornaram réus por homicídio qualificado. Entre eles estão: Yago Pereira de Souza Reis; Ivone Silva de Almeida, que estava presente na festa junto com a filha e teria passado a localização para os autores do ataque; Agnes Danrlei Santos Nascimento, vulgo "Biscoito"; Fabiano Alves Campos; Flávio Celso da Silva, vulgo "Alemão"; Leandro Roberto da Silva, vulgo "Berola"; Marcelo Alves Rodrigues, vulgo "Tio Gordo" e Pedro Paulo Ferreira Lima, vulgo "Paulinho Satan".

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