Julgamento de chacina em Neves é adiado por suspeita de tuberculose em réu
Caso ocorreu em 2024 e envolve oito acusados de participação em ataque que matou duas crianças e um homem. Nova data ainda não foi definida, diz TJMG
compartilhe
SIGA
A sessão de julgamento dos oito acusados de participação em uma chacina ocorrida durante uma festa infantil marcada para esta segunda-feira (13/4), no Tribunal do Júri da Comarca de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi adiada. A nova data ainda não foi definida. O crime ocorreu em maio de 2024, quando Heitor Felipe Moreira de Oliveira, de 9 anos, o pai dele, Felipe Moreira Lima, de 26, e a prima Laysa Emanuele, de 11, morreram durante a comemoração.
Leia Mais
Segundo informado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a sessão foi suspensa a pedido das defesas de todos os réus e consentida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). O motivo é que um dos réus está com suspeita de tuberculose, o que impediu seu comparecimento na reunião para evitar risco de contaminação dos presentes.
As defesas e o MP sustentaram a impossibilidade do desmembramento do júri e manifestaram-se pelo julgamento conjunto de todos os acusados em data futura, sob pena de nulidade.
"Com o objetivo de assegurar a regularidade do processo e a ampla defesa de todos os envolvidos, o juiz responsável pelo processo determinou o adiamento da sessão", informou o TJ em comunicado à imprensa. A nova data ainda será escolhida e, posteriormente, comunicada.
Ao Estado de Minas, Tamyres Moreira, tia de Heitor, afirmou que o adiamento frustrou a família. "Ficamos bem abalados. Já são praticamente dois anos de angústia, aí chega na hora de começar e é adiado. Infelizmente nosso luto por essa tragédia vai só aumentando e ficando mais doloroso", desabafou. Apesar da notícia, ela diz que os parentes mantêm a esperança de que a justiça seja feita.
Relembre o caso
O que era para ser uma comemoração em família na noite de 23 de maio de 2024 virou tragédia no Bairro Areias De Baixo, em Ribeirão das Neves, na Grande BH. Dois homens armados invadiram a festa de aniversário de 9 anos de Heitor Felipe Moreira de Oliveira e atiraram contra as pessoas na celebração. Além do aniversariante, o pai dele, Felipe Moreira Lima, e a prima, Laysa Emanuele, morreram no local.
Felipe era o alvo de assassinos por causa do tráfico de drogas no Morro Alto, em Vespasiano, também na Grande BH, e estava em guerra com traficantes do Bairro Bela Vista, segundo informado no boletim de ocorrência da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). A liderança do tráfico do Bela Vista queria que Felipe comercializasse os entorpecentes fornecidos por eles, mas ele não queria fechar a parceria, segundo a polícia.
Felipe, que foi baleado ao menos 12 vezes, e a família estavam recebendo ameaças de morte há pelo menos três meses. O filho, que tinha o sonho de ser jogador de futebol, foi baleado quatro vezes na boca, costas, queixo e pescoço. Já a menina foi atingida no queixo e pescoço. Além dos três mortos, outras três pessoas foram baleadas e encaminhadas a uma unidade de saúde. Uma adolescente, de 13 anos, foi atingida na canela. Uma jovem, de 19, foi ferida na nádega e uma mulher, de 41, foi baleada nas costas e cintura.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Em julho do mesmo ano, oito envolvidos se tornaram réus por homicídio qualificado. Entre eles estão: Yago Pereira de Souza Reis; Ivone Silva de Almeida, que estava presente na festa junto com a filha e teria passado a localização para os autores do ataque; Agnes Danrlei Santos Nascimento, vulgo "Biscoito"; Fabiano Alves Campos; Flávio Celso da Silva, vulgo "Alemão"; Leandro Roberto da Silva, vulgo "Berola"; Marcelo Alves Rodrigues, vulgo "Tio Gordo" e Pedro Paulo Ferreira Lima, vulgo "Paulinho Satan".