Chacina de mineiros em SC: delegado aponta caminhos da investigação
Duas das vítimas já tinham passagens pela polícia, segundo a Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais
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Conhecer quem era cada uma das quatro vítimas da chacina de Santa Catarina – Bruno Máximo da Silva, de 28 anos, Daniel Luiz da Silveira, 28, Guilherme Macedo de Almeida, 20, e Pedro Henrique Prado de Oliveira, 19, é a primeira preocupação da Polícia Civil de Santa Catarina –, segundo o delegado-chefe da Polícia Civil da Grande Florianópolis, Pedro Mendes.
Para isso, o delegado conta com a colaboração da Polícia Civil de Minas Gerais e também está em contato com as famílias dos quatro rapazes.
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Um primeiro levantamento, segundo o delegado, já descobriu que dois deles já tinham passagens pela polícia.
Bruno teve quatro passagens pelo sistema prisional mineiro entre agosto de 2019 e dezembro de 2023, segundo informações passadas pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp). Pedro, por sua vez, esteve preso uma vez, apenas um dia, em julho de 2024, mas saiu após alvará de soltura concedido pela Justiça, ainda segundo a Sejusp.
Os motivos das prisões, no entanto, não foram revelados pelo delegado, para que não atrapalhem as investigações, pois podem ser determinantes para a motivação do crime e se chegar aos criminosos.
Nenhuma hipótese, segundo o delegado, é descartada para definir circunstâncias e motivação para os crimes. Mendes informa que duas delegacias estão envolvidas nas investigações, a Delegacia de Polícia Civil de Biguaçu, onde foram encontrados os corpos, e Delegacia de Homicídios de São José, ambas as cidades na Grande Florianópolis.
Uma das hipóteses, segundo o delegado, é o tráfico de drogas. “Pode ser, sim, briga de facção criminosa, pode ter sido alguma discussão que aconteceu que antecedeu aos fatos, pode ter sido algum tipo de crime patrimonial. A gente trabalha com todas as hipóteses.”
Mendes explica que ouvir familiares das vítimas é importante, assim como captar imagens de câmeras de segurança da região onde as vítimas moravam em Santa Catarina. “Queremos descobrir o passo a passo, desde que saíram do prédio, até o desaparecimento.”
O delegado afirma que o local onde os quatro corpos foram encontrados, uma área de mata em Biguaçu, costumava ser uma área de desova de corpos no passado.
Desaparecimento
Os quatro amigos estavam desaparecidos desde a madrugada de 28 de dezembro. Um vídeo mostra quando eles saem do apartamento onde moravam, ainda de madrugada, entre 4h e 4h30.
A partir daí, as famílias não tiveram mais contato via telefone como sempre acontecia. A falta de notícias levou os parentes a denunciarem o desaparecimento dos rapazes à Polícia Civil de Santa Catarina.
Os corpos dos foram encontrados na manhã do último sábado (3/1), em uma área de mata em Biguaçu. A informação foi repassada por populares à Polícia Militar catarinense.
Bruno e Daniel foram sepultados, na última segunda-feira (5/1) no Cemitério Luiz Smargiassi em Guaxupé, Sul de Minas Gerais. Já Guilherme e Pedro Henrique foram enterrados nessa terça-feira (6/1), no Cemitério Municipal de Guaranésia, no Sudoeste do estado.
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Sonhos desfeitos
Parentes das quatro vítimas dizem que eles tinham ido para Santa Catarina para trabalhar, em busca de um futuro. Todos se mudaram para lá entre outubro e novembro de 2025 e estavam trabalhando como garçons. Segundo Sílvia, mãe de Pedro Henrique, os jovens estavam em busca de oportunidades, não apenas de ganhar dinheiro, mas de construírem um futuro. Pedro Henrique, ela conta, já estava procurando por uma faculdade.