RACISMO EM ESCOLA

BH: vice-diretor é investigado pela PC por denúncia de racismo contra aluno

Servidor de 61 anos foi ouvido e liberado; estudantes realizaram protestos após denúncia de comentários sobre o cabelo de um jovem negro

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O vice-diretor de uma escola de BH está sendo investigado pela Polícia Civil (PCMG) após ser denunciado por um aluno pelo crime de racismo. A acusação envolve um comentário que teria sido feito por ele sobre o cabelo do adolescente dentro de uma sala de aula. O procedimento foi instaurado nesta sexta-feira (29/5). O episódio  ocorreu na última quarta-feira (27/5) na Escola Estadual Maurício Murgel, no Bairro Nova Suíssa, Região Oeste da capital.

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O suspeito, um homem de 61 anos, foi conduzido à Central Estadual do Plantão Digital, prestou depoimento e foi liberado. Segundo a corporação, ele continua sendo investigado.

De acordo com o boletim de ocorrência, o adolescente relatou que o educador se aproximou dele em sala de aula e comentou sobre o pente-garfo que ele utilizava no cabelo. Segundo o estudante, o homem disse que não via um objeto daquele há muito tempo e, em seguida, afirmou que ele só poderia usar aquele tipo de pente porque outro não passaria em seu cabelo. 

Depois do ocorrido, o aluno tentou conversar com o vice-diretor em busca de um pedido de desculpas. Segundo o relato da vítima, a tentativa de diálogo não teve sucesso, e a situação gerou ainda mais desconforto. A Polícia Militar compareceu à unidade de ensino para registrar a ocorrência.

A repercussão do caso provocou mobilização entre os estudantes. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram alunos protestando em frente à escola e gritando palavras de ordem contra o vice-diretor. Em um dos registros, o estudante aparece utilizando o pente-garfo como forma de manifestação.

O que o vice-diretor diz

Em sua versão apresentada à polícia, o investigado negou ter feito a declaração relatada pelo adolescente. Conforme consta no boletim de ocorrência, ele confirmou apenas ter comentado que o pente-garfo era um acessório bastante comum na década de 1970. O servidor afirmou ainda que teria dito: "Você quer ficar bonito, não é?". Ele também alegou ter sido surpreendido pela dimensão da repercussão do caso e declarou que alguns professores teriam incentivado os protestos dos estudantes.

Em nota, a corporação afirmou que, após ser ouvido pela autoridade policial, o educador foi liberado e seguirá sendo investigado.

O caso continua em investigação e poderá resultar em novas diligências para esclarecer as circunstâncias da denúncia e definir eventuais responsabilidades.

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*Estagiária sob supervisão do subeditor Thiago Prata

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