NOVO ATO

BH: protesto em colégio mira vice-diretor por injúria racial contra aluno

Estudantes realizaram manifestação na noite desta quinta-feira (28/5) e organizam novo ato para esta sexta (29/5)

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Estudantes da Escola Estadual Maurício Murgel, localizada no Bairro Nova Suíssa, Região Oeste de Belo Horizonte, realizaram na noite desta quinta-feira (28/5) uma manifestação contra um caso de injúria racial envolvendo o vice-diretor da instituição. O protesto ocorreu por volta das 18h30, no pátio da escola, e reuniu alunos vestidos de preto em apoio ao estudante, de 16 anos, que denunciou ter sido alvo do crime dentro da sala de aula.

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Além da manifestação dentro da unidade de ensino, a reportagem teve acesso a vídeos gravados por estudantes na porta do colégio (assista abaixo). Um novo ato está previsto para a manhã desta sexta-feira (29/5).

A situação aconteceu na última terça-feira (26/5), quando o vice-diretor teria feito comentários sobre o cabelo de um aluno negro ao se referir ao pente-garfo usado por ele. De acordo com uma integrante do grêmio estudantil, que falou sob condição de anonimato por segurança, o educador afirmou que não via o objeto há muito tempo. E, em seguida, teria afirmado que o adolescente utilizava aquele tipo de pente porque outro “não entraria” em seu cabelo.

“A gente conversou com o próprio aluno que sofreu o racismo e ele nos relatou o que aconteceu”, afirmou a jovem.

Ainda segundo ela, após o episódio, o estudante tentou procurar a direção da escola e também o vice-diretor para resolver a situação, mas teria sido maltratado. O caso gerou revolta entre os alunos, que passaram a se organizar espontaneamente em frente à escola.

“Os próprios alunos começaram a chamar o agressor de racista. Os vídeos que foram divulgados surgiram a partir desse momento”, relatou.

A estudante afirma que o grêmio e a União Colegial de Minas Gerais (UCMG) passaram a acompanhar o caso após serem procurados por alunos. Segundo ela, representantes estudantis chegaram a levar as denúncias até a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Ela também acusa a direção da escola de tentar impedir a mobilização dos estudantes. “Eles começaram a falar que nós, do grêmio, não tínhamos poder para agir e que isso poderia nos prejudicar. Foram ameaças em tom de aviso”, declarou.

De acordo com a entrevistada, além do caso de injúria racial, estudantes denunciam outros episódios envolvendo docentes e a direção da escola. “Pais já denunciaram, alunos já denunciaram, mas a gente não é ouvido. Muitos perderam a confiança na direção”, disse.

A aluna afirma ainda que não houve, até o momento, nenhuma nota oficial de esclarecimento ou posicionamento da direção sobre o caso. “Não teve nenhum tipo de esclarecimento para os alunos. Estão tentando realmente sufocar esse caso”, afirmou.

O protesto realizado nesta quinta-feira foi organizado pelos próprios estudantes, segundo o grêmio. Os alunos usaram roupas pretas em um ato simbólico contra o racismo e se reuniram no pátio da escola com gritos de protesto e cobranças por posicionamentos da direção.

Medidas institucionais

A Secretaria de Estado de Educação (SEE-MG) declarou que a Superintendência Regional de Ensino (SRE) Metropolitana B, órgão responsável pela coordenação da Escola Estadual Maurício Murgel, já tomou as providências iniciais. Um serviço de inspeção foi enviado diretamente à unidade de ensino para elaborar um relatório detalhado visando à averiguação rigorosa dos fatos.

A pasta informou ainda que o Núcleo de Acolhimento Educacional (NAE), composto por psicólogos e assistentes sociais, foi integralmente acionado para prestar o suporte necessário à comunidade escolar e aos envolvidos.

Até a publicação desta matéria, a direção da escola não se pronunciou sobre as acusações.

Simbolismo do pente-garfo

Presente em sociedades africanas há milhares de anos, o acessório ocupava funções ligadas à organização social, à ancestralidade e aos rituais, além do cuidado com os fios. No Egito Antigo, aparecia em contextos ligados à posição social e às práticas culturais, enquanto em regiões da África Ocidental circulava como presente e marca de vínculo entre pessoas e grupos.

Décadas depois, durante os movimentos negros nos Estados Unidos, o pente-garfo passou a integrar a estética do "Black Power" e se consolidou como símbolo de resistência contra padrões eurocêntricos de beleza e contra o racismo. Hoje, o pente garfo permanece ligado à valorização do cabelo crespo e cacheado, funcionando como referência de memória, cultura e representatividade.

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*Estagiária sob supervisão da subeditora Regina Werneck

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