MAIO AMARELO

Acidente simulado na Praça da Liberdade chama atenção para o Maio Amarelo

O Corpo de Bombeiros e o Detran-MG realizaram ação nesta quarta-feira (20/5) na Praça da Liberdade para conscientizar o público sobre segurança no trânsito.

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Um carro bate em um poste e a passageira do carona, sem cinto de segurança, é arremessada para fora do veículo. Uma cena, infelizmente comum na realidade do trânsito brasileiro, se repetiu nesta quarta-feira (20/5) de maneira simulada na Praça da Liberdade, no Bairro Funcionários, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Isso faz parte de uma ação conjunta entre o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) e o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MG) com o objetivo de conscientizar a população sobre a segurança no trânsito.

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A realização faz parte do "Maio Amarelo", que visa chamar a atenção da população para a importância da prudência, do respeito às leis de trânsito e da adoção de comportamentos responsáveis para a preservação de vidas.

Além dos bombeiros e da BHTrans, a atividade envolvia o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), a Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte (GCM).

A simulação começou por volta das 12h, quando os bombeiros posicionaram as duas vítimas, uma motorista inconsciente dentro do carro e a passageira do carona, que foi arremessada pelo para-brisa do carro pela falta de uso do cinto de segurança.

Durante a operação, a polícia realizou o primeiro atendimento e logo acionou o Corpo de Bombeiros que foi responsável por cortar o teto do carro para que a motorista pudesse ser retirada de maneira adequada. 

A ação, que remonta ao dia a dia desses profissionais, demonstrou como não é um trabalho rápido. O resgate necessitou da cooperação de diversas forças, responsáveis por estabilizar o carro para a retirada, ao mesmo tempo que deixavam as vítimas seguras. “É exatamente essa ótica que a gente quer mostrar: o sinistro, o que ele ocasiona e a quantidade de forças do setor público que são necessárias”, destacou o diretor de educação para o trânsito do Detran, Fernando Sette Júnior.

Larissa Santos, estudante de enfermagem e que foi uma das vítimas, concorda com a importância da integração e dá destaque para acidentes que são muito recorrentes no trânsito. “Espero que as pessoas prestem muita atenção na reportagem porque é uma coisa muito séria. É isso que acontece!”, relata enquanto mostra a maquiagem que foi preparada para simular a colisão no seu corpo. A jovem estava maquiada com uma ferida exposta na cabeça, no ombro e coberta de sangue.

Principais acidentes

Fernando Sette Júnior pontuou a falta de atenção como a principal causa dos sinistros de trânsito. Ele destacou que não apenas o celular, mas os cuidados com a própria vida (qualidade de sono e alimentação) e checagem de parâmetros de trânsito (cinto bem posicionado, carro com manutenção em dia, uso correto do capacete) fazem diferença. "São pequenas atitudes que a gente não presta atenção e a gente muda isso culturalmente", disse.

De acordo com dados do painel de trânsito do Observatório de Segurança Pública da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp), a capital registrou em 2025 o maior volume de acidentes da última década – foram 88.731 sinistros, com um aumento de 21% entre 2015 e 2025, que somou 73.009 ocorrências.

O número é ainda mais expressivo quando se trata de motocicletas. Em 10 anos, o salto foi de quase 70%, passando de 12.464, em 2015, para 21.137 registros no ano passado.

Evento cheio

Professora de segurança do trabalho, Flávia Moraes acompanhou uma turma do Colégio Estadual Central e os alunos se mostraram empolgados com o evento. “Vivenciar isso na hora do acidente pode gerar um pouco desespero, então ver uma simulação, que é algo seguro, programado e vai mostrar o passo a passo do que fazer direitinho na prática, é importante”, destacou Thales Duarte, estudante de 17 anos. 

A professora de segurança do trabalho, Flávia Moraes, leva turma para simulação na Praça da Liberdade.
A professora de segurança do trabalho, Flávia Moraes, leva turma para simulação na Praça da Liberdade. Jair Amaral/EM

Outra aluna da instituição, Letícia Monteiro, também de 17, vê o evento como necessário para os cidadãos saberem como se portar em tais situações. “A gente vê acidentes na rua e as pessoas não sabem se portar e podem acabar piorando a situação. A simulação ajuda a quem está, às vezes, passando e não conhece o que pode ou não fazer em uma emergência, como se portar e para quais contatos de emergência ligar.”

Duas jovens também pararam para acompanhar a multidão sem saber o que acontecia. “A gente chegou achando que aconteceu alguma coisa, chegamos preocupadas”, diz Emanuele Rodrigues, estudante de jornalismo. Ela acha que campanhas como essa são importantes para redobrar a atenção dos motoristas no trânsito. 

Emanuele, que também é motociclista, percebe como o trânsito tem piorado na capital. “As pessoas no trânsito estão mais preocupadas com estar atrasadas pro trabalho e chegar rápido em tal lugar e não se importam tanto com o próximo”, afirma sobre possíveis causas dos comuns acidentes.

A escolha do local também fez parte da conscientização do evento. Escolher um local movimentado, no Centro da cidade e em horário de pico fez com que mais pessoas se interessassem pelo que estava acontecendo e pudessem se informar. 

Uma das ruas laterais da Praça da Liberdade foi totalmente interditada para a ação, o que gerou grande trânsito nas redondezas. "A gente tem uma grande visibilidade que é o que a gente quer trazer para o público", destaca Fernando Sette. (Com informações de Melissa Souza)

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*Estagiário sob supervisão da subeditora Regina Werneck

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