DIA DE CONSCIENTIZAÇÃO

Abuso sexual infantil: quando o perigo está dentro de casa

Dados do hospital da Unimontes indicam que crianças e adolescentes seguem como principais vítimas de violência sexual

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Crianças e adolescentes continuam sendo a maioria das vítimas dos abusos sexuais no Brasil e os agressores são, principalmente, parentes ou pessoas conhecidas ou próximas da própria família. É o que apontam os dados sobre os casos de violência sexual e física atendidos, em 2025, no Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF), da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), no Norte de Minas, divulgados pela instituição, referência regional nesse tipo de atendimento.

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O alerta sobre a necessidade de fortalecer as ações de enfrentamento do problema em todo país é lembrado nesta segunda-feira, 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Conforme o balanço divulgado pelo Hospital da Unimontes, 67% dos 211 casos de abusos sexuais atendidos na unidade tiveram como vítimas crianças (43%) e adolescentes (24%).

A socióloga e advogada Theresa Raquel Bethônico Corrêa Martinez, que é a referência técnica no hospital, destaca que, as estatísticas do serviço especializado da unidade de saúde refletem um cenário nacional sobre a violência sexual contra menores de idade.

“Em linhas gerais, nossos dados são muito parecidos com o que acontece nacionalmente. Há uma incidência maior de crianças e adolescentes atendidos em nosso serviço com demanda de violência sexual. Em torno de 70% das vítimas são crianças e adolescentes, com incidência maior de crianças”, afirma. A especialista lembra que, em relação ao gênero, os homens são, majoritariamente, os agressores. Já as mulheres, a maioria das vítimas.

Durante o ano de 2025, 84% dos casos atendidos na instituição tiveram como vítimas crianças do gênero feminino, enquanto o sexo masculino respondeu por 16%. “Existe um percentual de homens entre as vítimas, mas que costumam ser crianças”, assinala Martinez.

Conforme os números divulgados pelo hospital universitário, apenas entre janeiro e abril deste ano, já foram contabilizados 66 casos de violência sexual atendidos na unidade.


Vínculo

Theresa Martinez chama a atenção para o vínculo entre vítima e agressor como um dos principais desafios no enfrentamento aos abusos sexuais contra crianças e adolescentes. “No caso das crianças, são pessoas próximas da rotina, como pais, avós, tios, padrastos e vizinhos. Já entre adultos, aparecem companheiros ou ex-companheiros”, afirma.

Essa “proximidade” é mostrada pelos perfis dos agressores dos casos de abusos sexuais atendidos pela unidade de saúde. Os principais agressores são amigo ou conhecido (21%), pai (9%), companheiro/namorado 8%, padrasto/madrasta (4%), primo (4%) e outro familiar (4%).Conforme os dados divulgados, a maioria dos casos também ocorrem dentro de casa. Dos atendimentos de 2025, 47% ocorreram em residências, seguidos por via pública (11%).

“Quase metade dos casos ocorre na residência da vítima ou do agressor. Também há um número expressivo de situações em que essa informação não é registrada, especialmente quando a violência envolve pessoas sem vínculo prévio claro”, observa a socióloga, que defende a conscientização da sociedade como ferramenta eficaz para enfrentar e eliminar os abusos. Também é preciso, afirma, um trabalho de acompanhamento das crianças para que elas possam reconhecer os sinais de violência e ajudar a denunciar abusadores e agressores.

A especialista também alerta que hoje existe uma incidência expressiva de violência e abusos contra crianças e adolescentes praticados pelo sistema virtual, que também deve ser combatida e merece atenção dos pais. “Às vezes, a criança está jogando e, de alguma forma, é assediada. Então, é importante que tenha alguém dentro da casa que ela possa contar essa situação e reconhecê-la, caso aconteça”, defende.

Dados nacionais divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, dentro do contexto do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescente, marcado por atividades em todo país, apontam uma média de 150 casos de estupro de vulnerável registrados por dia no primeiro trimestre de 2026 no Brasil. Ao todo, foram 13.462 ocorrências até março, segundo o levantamento.

O estudo mostra ainda que o número de ocorrências mais do que triplicou nos últimos dez anos. Em 2015, foram registrados mais de 19,4 mil casos de estupro de vulnerável. Já em 2025, o total saltou para mais de 59,3 mil.

Caso Araceli

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O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes é celebrado em 18 de maio em referência ao caso Araceli, ocorrido em 1973, em Vitória, capital do Espírito Santo. Araceli Cabrera Sanchez Crespo, de 8 anos, foi sequestrada, estuprada e assassinada. Os principais acusados eram Paulo Constanteen Helal e Dante de Barros Michelini, de famílias ricas e influentes do Espírito Santo, que acabaram absolvidos em 1991. O caso foi utilizado como marco para ações de mobilização e conscientização contra a exploração e o abuso sexual de crianças e adolescentes. 

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