BH inaugura unidade de acolhimento a migrantes socialmente vulneráveis
Novo espaço no Centro da capital vai oferecer atendimento especializado, passagens de retorno, abrigo temporário e acompanhamento social
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Belo Horizonte passa a contar, a partir desta quinta-feira (7/5), com uma estrutura voltada ao atendimento de pessoas em situação de migração e vulnerabilidade social. A prefeitura inaugurou a Unidade de Atendimento e Acolhimento ao Migrante, instalada na Rua Espírito Santo, no Centro da cidade, com a proposta de reunir serviços de acolhimento, orientação social, concessão de passagens e abrigamento temporário para migrantes em trânsito pela cidade.
O equipamento integra o "Projeto Transformador Viver de Novo" e surge em meio ao aumento da demanda por assistência a pessoas que chegam à capital em busca de oportunidades, mas acabam enfrentando desemprego, rompimento de vínculos familiares e situação de rua.
Inicialmente, serão disponibilizadas oito vagas de acolhimento, mas a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) prevê expansão gradual da estrutura até alcançar capacidade para receber 120 pessoas. O prédio está em processo de adequação e deve ser totalmente inaugurado até o final do ano.
Durante a inauguração, o prefeito Álvaro Damião (União Brasil) destacou que a criação do espaço faz parte de uma política mais ampla de enfrentamento à população em situação de rua. Segundo ele, a proposta é garantir proteção imediata, além de criar condições para que essas pessoas possam reconstruir vínculos familiares e retomar a autonomia.
"Eu sempre falei e repito: morador de rua não é problema, o problema é morar na rua. E morar na rua nós temos que resolver”, afirmou o prefeito durante coletiva de imprensa. "Muitos deles não são de Belo Horizonte, muitos deles querem voltar para suas casas e esse centro é justamente para atender essas pessoas."
A nova unidade funcionará todos os dias da semana, das 8h às 19h, atendendo exclusivamente migrantes em situação de vulnerabilidade social. Entre os públicos prioritários estão pessoas em trânsito que necessitam de alimentação, orientação e transporte para retorno à cidade de origem; migrantes recém-chegados sem rede de apoio; além de idosos, mulheres, famílias com crianças, pessoas adoecidas ou com deficiência e cidadãos em situação de violação de direitos.
"A política tem várias frentes. A gente está tratando de uma unidade transitória de acolhimento para quem está em trânsito na cidade. Antes ficava no fundo do BH Resolve. Agora, a gente veio para a porta da rua", explicou o secretário municipal de Assistência Social, André Viana. "Hoje temos oito vagas abertas, mas até o fim do ano queremos chegar a 120."
Segundo o secretário, o objetivo da unidade não é apenas oferecer abrigo temporário, mas atuar também na reconstrução de vínculos familiares e na reinserção social das pessoas atendidas. O trabalho envolve contato com familiares, articulação com municípios de origem e encaminhamento para políticas públicas de moradia, qualificação profissional e geração de emprego.
"Conseguimos acolher as pessoas e retornar à cidade de origem com trabalho social feito aqui, desde a recuperação de vínculos e contato com as famílias até a garantia de que haverá alguém para recebê-las de forma adequada", afirmou.
Retorno às cidades de origem
A concessão de passagens para retorno seguro às cidades de origem é uma das principais frentes do novo equipamento. Dados apresentados pela PBH mostram um crescimento expressivo na procura pelo serviço. Em 2023, cerca de 800 pessoas utilizaram o benefício oferecido pelo município. Já no ano passado, em apenas seis meses, foram registrados aproximadamente 1.200 atendimentos.
De acordo com Damião, o aumento ocorreu porque as equipes da assistência social passaram a atuar de forma mais ativa nas ruas da capital.
"Chegamos a esse número porque começamos a procurar essas pessoas, começamos a ir atrás delas. Hoje sentimos a necessidade de criar esse centro de referência para que elas possam buscar acolhimento da prefeitura", declarou.
A administração municipal afirma que o novo espaço também pretende atuar na prevenção do agravamento da situação de rua, evitando que pessoas em trânsito permaneçam desassistidas nas vias públicas. Para isso, a unidade trabalhará em articulação com o Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas), com equipamentos do Sistema Único de Assistência Social (Suas), além de órgãos de garantia de direitos e outras políticas públicas.
O atendimento será realizado em parceria com o Instituto Darcy Ribeiro.
Quem são esses migrantes?
Segundo a PBH, grande parte das pessoas atendidas vem de outros estados, especialmente da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. O secretário de Assistência Social afirmou que a maioria dos atendimentos envolve homens adultos, responsáveis por cerca de 85% das demandas por vagas de acolhimento.
Recepção na Rodoviária de BH
Outro eixo retomado com a criação da unidade é a recepção de migrantes no Terminal Rodoviário de Belo Horizonte. Equipes farão acolhimento inicial, escuta qualificada e encaminhamentos para serviços da rede socioassistencial. A intenção é identificar rapidamente pessoas que possam necessitar dos serviços e oferecer alternativas antes que elas acabem nas ruas.
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Durante a coletiva, o prefeito relatou conversas com migrantes recém-chegados à capital e disse que muitos deixam suas cidades em busca de oportunidades de trabalho e melhoria de vida.
"A gente sabe que as pessoas vêm buscar refúgio aqui, no sonho de mudar de vida. Às vezes elas vêm para cá, não conseguem e enfrentam dificuldades. E aqui ainda estão longe da família", afirmou. "Quando elas retornam para sua cidade, continuam tendo desafios, mas têm o apoio familiar."
A administração municipal também pretende ampliar programas de reinserção social nos abrigos municipais. De acordo com André Viana, a proposta é integrar políticas de qualificação profissional, acesso ao emprego e moradia social para pessoas que permanecerem na capital.
"Nós vamos inserir nos abrigos, programas de acesso ao emprego, bolsa e moradia. Assim, vamos trabalhar a autonomia do indivíduo", explicou.
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*Estagiária sob supervisão da subeditora Regina Werneck