BH terá investimento de R$500 milhões para evitar desastres climáticos
Verba será aplicada no Projeto Transformador Cidade Jardim que tem como objetivo tornar a cidade mais segura para enfrentar as mudanças climáticas
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Diante de eventos climáticos cada vez mais intensos, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) anunciou nesta terça-feira (5/5) investimento de R$ 500 milhões, via BNDES, nas ações de planejamento urbano voltados para governança climática e preparação para desastres. Os investimentos fazem parte do Projeto Transformador Cidade Jardim.
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“Belo Horizonte já tem o título de ‘Cidade Jardim’ exatamente por tudo que ela representa para o meio ambiente de Minas Gerais e do Brasil. Esse projeto tem como objetivo promover uma cidade mais segura, sustentável e preparada para os desafios climáticos atuais e futuros, compreendendo o conceito de ‘cidade esponja’”, disse o secretário municipal de Meio Ambiente, João Paulo Pena, durante o anúncio.
Em alinhamento com a preservação ambiental, a Prefeitura de BH anunciou a candidatura do Parque das Mangabeiras ao título de Geoparque Global da Unesco. A medida será um reconhecimento da importância do local como sítio geológico e como bioma que abrange desde espécies da Mata Atlântica quanto do Cerrado, 59 nascentes e dezenas de espécies de animais. O parque tem um dos maiores ciclos de regeneração ambiental e promove ações de preservação, educação ambiental e o turismo sustentável.
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O prefeito Álvaro Damião (União Brasil) compara a candidatura com a da Lagoa da Pampulha, que depois do reconhecimento como Patrimônio Mundial da Unesco recebeu mais visibilidade e investimentos para sua manutenção e preservação.
“Eu acredito que ele vai se tornar um geoparque. O Parque da Mangabeiras é um dos principais de Belo Horizonte e precisamos dar mais vida para ele, para que as pessoas frequentem mais. Quando você tem uma parceria como esta com a Unesco, fica tudo mais transparente”, disse o prefeito.
Desigualdade ambiental
Segundo a PBH, a Bacia do Ribeirão do Onça concentra mais de 60% dos impactos hidrológicos, afetando comunidades ribeirinhas das regionais Pampulha, Norte e Nordeste, enquanto desastres geológicos predominam nas regionais Oeste, Leste e Centro-Sul, em áreas de encosta mais vulneráveis. O Projeto Transformador Cidade Jardim tem como objetivo diminuir essa desigualdade e combater o racismo ambiental.
Para isso o contrato, assinado nesta manhã pelo prefeito Álvaro Damião e pelo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, prevê a utilização de Recursos do Fundo Clima para financiar iniciativas contra enchentes e deslizamentos, criação e requalificação de áreas verdes, jardins de chuva, recuperação de rios e nascentes e intervenções em áreas de risco.
“É um projeto muito bem concebido. É uma mudança de percepção da cidade que dialoga com o aquecimento global e com os extremos climáticos”, disse Mercadante. “O que a ciência indica, apesar de todo o negacionismo, é que precisamos prevenir e preparar as cidades para terem resiliência. Isso significa reduzir a emissão de gases do efeito estufa. Aqui estamos dando uma demonstração da importância disso”, completa.
Frentes de ação variadas
Entre as frentes de ação do Projeto a Transformador Cidade Jardim está o Desconcreta BH, com a ampliação das áreas de implantação de árvores e plantas ornamentais em canteiros e calçadas, e a requalificação do Zoológico de BH e dos parques Municipal, Ursulina de Mello e Planalto. Também está sendo construído o Corredor Agroecológico da Via 710, com quase 4km de estruturas produtivas e criação de faixas verdes.
Utilizando o conceito de “cidade esponja”, o Parque Bacia de Detenção no Bairro Calafate, na Região Oeste da capital, irá ampliar a capacidade de absorção das chuvas a fim de evitar alagamentos. Já para evitar deslizamentos, a iniciativa investe na implantação de parques em vilas e favelas a fim de requalificar encostas.
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A PBH seguirá com o plantio de árvores e passará a implantar um “Inventário arbóreo”, uma plataforma de gestão florestal urbana. Um dos locais de plantio de mudas será próximo à nascentes e cursos d’água. Essas áreas são cercadas e identificadas com placas para evitar deterioração.