'A população pode consumir água com tranquilidade', afirma especialista
Sanitarista explica que a população pode consumir a água com tranquilidade após o restabelecimento do sistema
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Apesar de a égua Amora ter passado 36 horas na adutora da Copasa até ser encontrada nesta quarta-feira (6/5), a companhia afirmou que o abastecimento de água em Belo Horizonte e na Região Metropolitana não correu risco de contaminação. Mesmo com as garantias, a reportagem ouviu o especialista Leonardo Augusto dos Santos, membro da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES/MG) para trazer embasamento técnico ao tema. Segundo o especialista, as informações divulgadas pela companhia são relevantes, mas precisam necessariamente estar respaldadas por dados concretos de monitoramento da qualidade da água.
O especialista avalia que os procedimentos adotados pela Copasa seguem o protocolo adequado para esse tipo de ocorrência: esvaziamento completo da linha, retirada do corpo estranho e aplicação de cloro em dosagem elevada para garantir a inativação de possíveis agentes contaminantes. A vistoria foi feita com o uso de drones, equipamentos subaquáticos e robôs, já que o acesso humano direto é inviável devido ao risco em ambientes confinados.
Na manhã de hoje, o superintendente da Unidade de Negócio Metropolitana da Copasa, Ronaldo Serpa, afirmou em uma entrevista coletiva que a companhia agiu imediatamente após ser informada sobre a possível queda de um animal de grande porte na adutora.
Segundo o superintendente, a primeira medida foi interromper totalmente o funcionamento da estrutura e descartar toda a água que estava no sistema, como forma de prevenção. A decisão foi motivada pela prioridade absoluta com a qualidade da água distribuída à população. "Mesmo sem confirmação do que havia ocorrido, optamos por fechar completamente a adutora e descartar integralmente a água, garantindo que não houvesse qualquer risco de contaminação", explicou.
Ele destacou que, paralelamente, o monitoramento da qualidade da água foi intensificado em diversos pontos do sistema, sem identificar qualquer alteração fora dos padrões de potabilidade.
Sobre a possibilidade de contaminação da água, o superintendente foi categórico ao afirmar que não há risco para a população. Ele reforçou que todas as análises realizadas indicaram que a água distribuída permaneceu dentro dos padrões exigidos, descartando a necessidade de medidas como ferver a água antes do consumo.
A ausência de risco também foi confirmada por Leonardo Augusto. De acordo com o sanitarista, características como o grande diâmetro da adutora e o alto volume de reservação contribuem para reduzir significativamente o risco de contaminação. "Com base nas informações divulgadas e considerando os protocolos exigidos, a população pode consumir a água com tranquilidade após o restabelecimento do sistema", aponta.
Ainda assim, ele pondera que o risco existia, já que a presença de um corpo estranho poderia afetar parâmetros microbiológicos da água.
A retomada do abastecimento, ainda segundo Leonardo Augusto, só deve ocorrer após a confirmação, por meio de análises laboratoriais, de que a água atende a todos os padrões de potabilidade.
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Ele também ressalta que o controle da qualidade da água não depende apenas da companhia. A vigilância é exercida por órgãos de saúde em nível municipal e estadual, além da fiscalização da agência reguladora de saneamento. Em situações críticas como essa, o monitoramento tende a ser intensificado. Ainda assim, ele diz que a confiança nessa segurança está diretamente ligada à transparência dos dados de monitoramento.
Desdobramentos do caso
O animal foi localizado durante a madrugada, após percorrer aproximadamente 1,3 quilômetro dentro da tubulação. A equipe técnica precisou desmontar um trecho da adutora para retirar a égua, que já estava morta. Após o procedimento, foi feita uma desinfecção completa da estrutura, com reforço na aplicação de cloro, antes da retomada do sistema. A adutora em questão, integra o sistema Rio das Velhas, responsável por abastecer cerca de metade da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O abastecimento começou a ser restabelecido por volta das 8h de hoje, mas ainda enfrenta impactos devido ao tempo de paralisação. A previsão da Copasa é de que a maior parte da região metropolitana tenha o fornecimento normalizado ao longo do dia, podendo se estender até a manhã seguinte em áreas mais altas ou distantes. A empresa também orienta a população a manter o consumo consciente até a completa recuperação do sistema.
A Copasa também informou que apura as circunstâncias do acidente. A suspeita inicial é de que a tampa de concreto de uma caixa de inspeção tenha se rompido com o peso do animal. A companhia realiza uma vistoria preventiva em outras estruturas semelhantes ao longo da adutora para evitar novos incidentes.
Já de acordo com o membro da ABES/MG, o cuidado com a segurança das estruturas deve ser redobrado. Para ele, o episódio evidencia a necessidade de uma apuração rigorosa sobre a integridade física das adutoras e seus dispositivos de acesso. "Esse tipo de ocorrência chama atenção para a segurança hídrica e para a necessidade de evitar falhas estruturais que possam provocar acidentes ou interrupções no abastecimento", pontuou.
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Estagiária sob supervisão da subeditora Juliana Lima