Égua em adutora causa transtorno na vida dos moradores da Grande BH
Suspensão da distribuição de água da Copasa na Grande BH levou muita gente a comprar água mineral e a acionar caminhões-pipa
compartilhe
SIGA
A queda de uma égua na adutora da Copasa, comprometendo o abastecimento de água na Grande BH, tem causado diversos transtornos aos moradores. A incerteza da qualidade tem levado pessoas a comprar garrafas de água mineral para o consumo em casa.
Grávida de quase cinco meses, Rafaela Galdino de Araújo correu para um supermercado na manhã desta quarta-feira (6/5) assim que soube do caso. Ela teme pela qualidade da água e que o bebê seja prejudicado.
No primeiro comércio pelo qual passou, no Bairro Serra Verde, em Belo Horizonte, não encontrou mais nenhuma unidade de garrafão de cinco litros. "Tinha acabado. Fui até um outro na MG-010, onde achei e enchi o carrinho. Até achei que fui exagerada, mas prefiro assim a ter problemas com o meu neném", disse.
O grupo DMA Distribuidora S/A, dono do Epa Supermercados, Mineirão Atacarejo e Brasil Atacarejo, relatou que a procura pelo produto subiu nos últimos dois dias, mas ainda não tem detalhes percentuais do aumento. A reportagem procurou outras redes de supermercados da capital, mas não obtivemos retorno sobre o aumento da demanda de água mineral.
Leia Mais
A égua Amora caiu na adutora por volta das 16h30 da última segunda-feira (4/5). De acordo com o proprietário do animal, Rodrigo Aparecido, a Copasa foi acionada na manhã do dia seguinte. Amora foi localizada às 5h de hoje.
Em nota, a Copasa informou que, "desde o início da ocorrência, vem monitorando continuamente os parâmetros de qualidade da água, seguindo todos os protocolos técnicos e sanitários aplicáveis". Ainda de acordo com a companhia, toda a água que estava no trecho afetado da tubulação foi integralmente descartada. "Nenhum volume desse estoque será direcionado ao consumo", garantiu.
A empresa disse, ainda, que "somente após o descarte total, foi iniciado um processo de sanitização e desinfecção química de toda a rede, seguido por testes laboratoriais minuciosos para a validação de cada parâmetro de potabilidade".
Medo de ficar sem água
A apreensão dos moradores também ocorreu devido ao fornecimento ter sido cortado na manhã de ontem sem previsão de retorno no primeiro dia. Apesar do anúncio feito hoje pela Copasa, que a água retornaria, durante a tarde era possível observar diversos caminhões-pipa pelas ruas da capital, apesar do abastecimento oficialmente já ter sido restabelecido.
Clínicas de exames, UPAs e centros de saúde são os principais locais que necessitaram do recurso, de acordo com José Maria da Silva, motorista da Marvel, empresa terceirizada da Copasa.
Ele realizou no início da tarde a primeira viagem do dia para atender uma hemoclínica, na Rua Gonçalves Dias, no Bairro Funcionários, região Centro-Sul da capital. “A gente foi chamada e estava lá na Copasa esperando locais para atender”, relatou.
O motorista disse que a água já foi restabelecida e que alguns caminhões da empresa voltaram de suas rotas sem necessidade de fazer o serviço. Uma funcionária da clínica atendida por este caminhão-pipa informou que a medida foi uma precaução e que a falta de água não chegou a afetar a clínica.
Outro motorista de um caminhão-pipa, que reabastecia outra clínica de exame de imagens, na Avenida Contorno, relatou ter visto outros 12 caminhões durante seu trajeto. Ele afirmou que ainda iria fazer quatro entregas na região Centro-Sul. Uma funcionária do local, que escolheu não relevar identidade, confirmou a compra de um caminhão de 20.000 litros para o abastecimento da clínica.
A Copasa esclareceu que o sistema foi religado hoje às 8 horas, porém, devido ao grande tempo desativado, o abastecimento de todos os bairros pode ocorrer em diferentes momentos do dia ou até amanhã de manhã.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
“Possivelmente alguns pontos mais elevados, algumas calotas mais altas, pode ser que a recuperação precise correr durante o dia de amanhã”, relatou Ronaldo Serpa, superintendente da Unidade de Negócio Metropolitana da companhia.