A ocupação da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, desde que a comunidade vinha sendo oprimida pelos confrontos entre traficantes entrou em uma fase de guerra de narrativas para tentar desgastar a ação.
Na madrugada deste sábado (25/04), a PM relatou e gravou vídeo mostrando unidades especiais como o Batalhão de Choque controlando as vias da comunidade da região Centro-Sul.
Mesmo sem nenhum registro de disparos ou confrontos, mensagens apócrifas (sem remetentes conhecidos) têm circulado entre moradores e grupos pelas redes sociais das comunidades alertando para posturas em meio a uma guerra de grupos criminosos.
Uma dessas mensagens pelas redes sociais ameaçou motoristas em geral e transportadores por aplicativo na Favela do Pau Comeu, indicando regras para direção à noite que pressupõem vigilância do crime organizado e alertas de suposta guerra em fase acirrada de conflito na comunidade.
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A mensagem enviada (confira a reprodução da mensagem) diz aos moradores que "a partir de hoje todos os Uber e moradores que for passar pelo Pau Comeu, quando chegar no morro POR FAVOR abaixar os vidros, deixar a luz interna ligada e abaixar os faróis! Se vier com carro LACRADO vai entrar na bala. Pedimos a compreensão de todos(as). Clima aqui e de guerra intensa, sem intenção de cessar, sem previsão pra acabar, o clima que estamos vivendo e de guerra total! Morador que vier de Uber também é pra comunicar o motorista das regras pra evitar constrangimentos. Atensiosamente", diz a mensagem divulgada pela Polícia Militar.
Como resposta, a PM intensificou a "Operação Presença que Protege" na Favela do Pau Comeu, ampliando o posicionamento dos militares que já vinham limitando a mobilidade do tráfico e sufocando a sua atuação.
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“A polícia Militar está com operação ininterrupta no aglomerado da Serra em todas as vilas e acreditamos que esse tipo de informação é só mesmo no intento de desestabilizar a própria comunidade que já vem aquecendo e ratificando as nossas ações que tem sido diurnas com comando de missões especiais e também com o 22º Batalhão”, informou a corporação em nota oficial emitida pelo seu coordenador de comunicação organizacional, coronel Flávio Santiago.
O comando policial reforçou que as ordens impostas pelos traficantes aos motoristas não têm validade prática diante da presença ostensiva das viaturas nas ruas.
Em vídeo (assista), o tenente Thiago do 22º Batalhão demonstra a ocupação da PM de um trecho da favela, com militares tomando acessos, becos escuros e posicionados em postes e estruturas, com uma viatura do Batalhão de Choque postada em uma ladeira.
"Estamos realizando a operação Presença que protege da Polícia Militar de Minas Gerais, operação essa que engloba o 22 Batalhão, comando de policiamento da capital, comando de policiamento especializado, comando de missões especiais. Deixamos bem claro para a população que qualquer tipo de coação, qualquer tipo de ameaça disque 190 e denuncie. Esse aparato servirá para proteger o cidadão de bem. Então, garanta-se essa segurança aí por meio da presença policial"
Onde fica a favela do Pau Comeu?
A Favela do Pau Comeu está situada em uma área geográfica estratégica e de relevo acidentado, fazendo fronteira com bairros valorizados como São Lucas e Serra, além de estar próxima à Avenida Afonso Pena e ao Hospital da Baleia.
mensagem enviada para intimidar moradores e desgastar operações da PMMG no Aglomerado da Serra
O Aglomerado da Serra vive um cenário de disputa territorial acirrada, com a presença de facções que buscam expandir o domínio sobre o varejo de drogas, incluindo tentativas de infiltração de grupos externos, como o Comando Vermelho, contra gangues locais independentes.
A proximidade com o 22º Batalhão da Polícia Militar não impediu que criminosos tentassem instituir regras próprias de circulação, utilizando a topografia do morro para vigiar vias importantes de acesso à região hospitalar e ao centro da capital.
A mobilização de tropas de elite como o Comando de Missões Especiais (CME) e o Comando de Policiamento Especializado (CPE) demonstra que a polícia trata o caso como um enfrentamento a lideranças do tráfico que têm capacidade de articulação em rede, e não apenas meros vendedores de varejo.
A operação atual é um desdobramento de um policiamento ocupacional que ocorre desde o início do ano na região. As forças de segurança atuam em diversas vilas simultaneamente para evitar o "efeito balão", onde criminosos fogem de um ponto para se esconderem em outro dentro do próprio aglomerado.
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A estratégia envolve incursões diurnas e noturnas, comandos de missões especiais e o patrulhamento tático móvel, visando desarticular os postos de observação e os pontos de venda de drogas que financiam o armamento pesado utilizado nas disputas territoriais.
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A dinâmica das prisões e abordagens segue critérios de inteligência para identificar os responsáveis pelo disparo das mensagens de coação.
Intimidação aos motoristas e à comunidade
- Entrada em comunidades: criminosos ordenam que os motoristas devem abaixar os vidros e ligar a luz interna;
- Uso de iluminação: querem que se abaixe os faróis para facilitar a identificação pelos seus sentinelas;
- Comunicação com passageiros: as mensagens disseminam o medo ao orientar os usuários de aplicativos a falar com os condutores sobre as normas locais de circulação;
- Denúncia anônima: qualquer coação deve ser reportada imediatamente através do número 190.
Intervenção no Aglomerado da Serra
- Intensificação da operação: madrugada de sábado, às 00h30, na Favela do Pau Comeu
- Motivação principal: mensagens de ameaça e tentativa de controle de tráfego por facções
- Unidades envolvidas: 22º Batalhão, Comando de Missões Especiais e Policiamento Especializado
- Objetivo tático: desarticular poder do tráfico e garantir o livre acesso de serviços e moradores
- Estratégia operacional: policiamento ocupacional ininterrupto e combate da mobilidade dos criminosos
