A delegada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) Wanessa Santana Martins Vieira, de 38 anos, investigada por emprestar uma viatura descaracterizada ao marido, Renan Rachid, também de 38, foi afastada da corporação por questões médicas. O casal foi preso após o companheiro ser parado em blitz no dia 10 de março, na Avenida Presidente Antônio Carlos, na Pampulha, em Belo Horizonte, enquanto dirigia a viatura.
O afastamento foi publicado pelo Hospital da Polícia Civil no Diário Oficial do estado nesta quarta-feira (15/4). O hospital não informou o motivo do afastamento. Em nota enviada ao Estado de Minas, a PC se limitou a comunicar que a licença médica foi concedida por 30 dias.
Na segunda (13/4), a Justiça negou o pedido da defesa de Renan para que o inquérito de peculato corresse em sigilo. Na solicitação, os advogados dos investigados alegaram proteção à imagem, somada à anexação de receituários médicos não especificados, que, segundo a Justiça, não são argumentos suficientes.
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O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) negou o pedido, com a sustentação de que houve suposto desvio de patrimônio do estado (viatura policial), que foi usado para fins particulares por agentes oficiais e que reforça o interesse público do caso.
Para o MP, o argumento de preservação da imagem e da reputação profissional dos envolvidos não possui embasamento jurídico suficiente para ativar esse princípio constitucional da publicidade e que o constrangimento inerente a qualquer investigação criminal não autoriza a decretação de um sigilo integral do processo.
Relembre o caso
Em 10 de março, o advogado Renan Rachid foi preso em flagrante após ser pego dirigindo uma viatura descaracterizada na Avenida Presidente Antônio Carlos, na Região da Pampulha. O carro era de responsabilidade da delegada da Polícia Civil Wanessa Santana, que também foi presa e, assim como o marido, indiciada por peculato.
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Segundo a Polícia Civil, a fiscalização foi planejada por causa de denúncias anônimas feitas à Corregedoria da corporação e à Ouvidoria do Estado em fevereiro deste ano. As informações indicavam que o advogado usava o carro da instituição para ir ao trabalho.
Durante a operação, os policiais identificaram um veículo com as características descritas nas denúncias e deram ordem de parada. No momento da abordagem, o motorista se apresentou como advogado e mostrou a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
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Ao confirmarem que o carro pertence à frota da Polícia Civil e que o motorista não é servidor público, os agentes levaram o homem até a corregedoria. O veículo foi apreendido e encaminhado para perícia. Enquanto isso, outra equipe do órgão foi até a casa da delegada responsável pela viatura. Ela foi levada para prestar esclarecimentos e também teve a prisão em flagrante confirmada.
