Morte de Gari: delegada esposa de réu tem licença médica renovada
Ana Paula Lamego Balbino está afastada para tratamento de saúde desde 13 de agosto de 2025
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A delegada Ana Paula Lamego Balbino, esposa de Renê da Silva Nogueira Júnior, acusado de matar o gari Laudemir de Souza Fernandes, teve a licença médica renovada por mais 60 dias a partir desta sexta-feira (10/4). A informação foi confirmada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). A servidora, indiciada por prevaricação e por porte ilegal de arma de fogo, está afastada para tratamento de saúde desde 13 de agosto de 2025, dois dias depois do homicídio do gari.
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Em nota, a Polícia Civil informou que a delegada ainda integra os quadros da instituição e que o “processo administrativo disciplinar contra ela tramita na Corregedoria Geral de Polícia Civil (CGPC), sob sigilo, por força de lei". A última renovação da licença havia sido concedida em 9 de fevereiro.
Em 13 de agosto, a delegada Ana Paula foi afastada de suas funções para tratamento de saúde no Hospital da Polícia Civil, a princípio, por 60 dias. A decisão foi publicada no "Diário Oficial do Estado" em 23 de agosto de 2025, sob assinatura do diretor-geral da unidade médica da corporação e sem especificação da condição de saúde da servidora.
Desde o homicídio de Laudemir, em 11 de agosto, a Corregedoria da PCMG instaurou um procedimento administrativo para investigar a participação da delegada no crime.
Indiciamento
Ana Paula foi indiciada por prevaricação, que, segundo o Código Penal, ocorre quando um funcionário público retarda ou deixa de praticar um ato de ofício por motivo de interesse. Além disso, a delegada foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo, no entendimento da Lei de Desarmamento, por ter cedido ou emprestado sua pistola de uso pessoal para o companheiro.
As investigações revelaram ainda que, em outras ocasiões, a delegada permitia e tinha ciência de que Renê usava a pistola de uso pessoal dela. “Tanto a pistola glock calibre .380, usada para a prática de crime, como também a pistola glock, calibre 9mm pertencente à carga da PCMG”, constava no inquérito policial.
No dia em que o gari foi morto, Ana Paula foi levada até a sede do órgão correcional para ser ouvida em relação ao uso de sua arma pessoal no crime. Na ocasião, segundo repassado à imprensa pelo porta-voz da corporação, o delegado Saulo Castro, a servidora afirmou que o marido não tinha acesso aos dois artefatos. Além disso, a delegada disse que não tinha nenhuma informação em relação ao crime em que o companheiro foi preso por suspeita de participação.
No inquérito da PCMG, ao qual o Estado de Minas teve acesso, os investigadores, por meio de análises do aparelho celular, conseguiram confirmar que a delegada sabia que Renê era suspeito do crime, mas não acionou a polícia nem o prendeu.
Conforme o documento policial, na tarde em que o gari foi morto, Ana Paula fez 29 pesquisas na plataforma de Registro de Eventos de Defesa Social (REDS), onde estão boletins de ocorrências em andamento e finalizados. Dentre os filtros usados pela delegada estavam o nome dela, a placa do carro utilizado pelo marido e os nomes de Renê e da vítima.
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O inquérito policial também revelou que, às 14h37 de 11 de agosto, Ana Paula mandou para Renê um print de uma matéria publicada por um veículo de imprensa de BH com imagens do carro usado pelo suspeito de matar o gari. Em seguida, o esposo da delegada liga para ela e os dois conversam por cerca de sete minutos, conforme o documento.
O inquérito apontou ainda que, no dia do crime, Ana Paula ligou para o marido 23 vezes entre as 9h18 – nove minutos depois que Laudemir foi baleado, às 9h09, na Rua Modestina de Souza, no Bairro Vista Alegre, na Região Oeste de Belo Horizonte – e as 16h33, momentos antes da prisão do principal suspeito Renê da Silva Nogueira Júnior, marido da delegada. Dos contatos, apenas seis não foram atendidos pelo empresário.
Como foi o crime?
O gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, foi assassinado com um tiro no abdômen no momento em que realizava a coleta de lixo no Bairro Vista Alegre, Região Oeste de BH, em 11 de agosto de 2025. O tiro teria sido disparado por Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47, com a arma da esposa dele, a delegada da Polícia Civil, Ana Paula Lamego Balbino.
No dia do homicídio, Renê teria se irritado com o caminhão de lixo que transitava na frente dele e, de acordo com a investigação da PCMG, chegou a ameaçar a motorista do veículo de coleta, Eledias Aparecida Rodrigues. Após o tiro que matou Laudemir ter sido disparado, Renê seguiu normalmente a rotina, foi para o trabalho, para casa e para academia, onde foi preso em flagrante pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG).
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Renê se tornou réu em 15 de setembro, quando a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), e responde por quatro crimes – ameaça, porte ilegal de arma de fogo, fraude processual e homicídio qualificado. Ele segue preso preventivamente.