Em Ribeirão das Neves (MG), na Grande BH, a família do motociclista Danilo Marinho vive o pesadelo de trocar uma celebração por um funeral. O corpo do rapaz, de 25 anos, foi enterrado nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira (13/4), no Cemitério Porto Seguro. Ele morreu ontem de madrugada, em um acidente na rodovia MGC-356, no bairro Santa Lúcia, região Centro-Sul de Belo Horizonte (MG). Danilo havia viajado com a esposa e um amigo para comemorar o aniversário e o primeiro mês de casamento.
O amigo de infância Alex Gabriel Rodrigues Silva, de 24 anos, esteve com ele nesses últimos momentos e relembra a felicidade do colega. Segundo Alex, a comemoração começou ainda na sexta-feira, com o aniversário, e seguiu no sábado com a viagem. “A gente tava tudo junto… fomos pra Ouro Preto, conhecemos vários lugares. Ele tava muito feliz”, contou. Para Alex, o clima era tão leve que ficou marcado. “Parecia até uma despedida”.
A viagem teve um significado especial para o casal. Danilo aproveitou o passeio para atender a um desejo da esposa e celebrar o relacionamento. “Ele tirou um passaporte que ela queria muito. Mostrou a mensagem dela, toda feliz. O sonho dele era ver ela feliz”, relembra o amigo. O momento também marcou o primeiro mês de casamento. “Ele brincou que era ‘bodas de beijinho’. A gente riu, mas ele estava realizado”.
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De volta para casa, Danilo ainda saiu para trabalhar, sem saber que seria surpreendido pela família no dia seguinte.
“Foi a pior notícia da minha vida”
O pai, Vander Alípio Marinho, conta que preparava uma comemoração. A família havia preparado um churrasco e comprou refrigerantes para receber o jovem após o trabalho, em uma surpresa simples, mas cheia de significado.
A celebração, no entanto, não aconteceu. A carne ficou na geladeira, sem que a família pudesse aproveitar a presença dele.
Vander relata que recebeu a informação na madrugada, em um telefonema que mudou tudo. “Você recebe uma ligação dessas e vem a notícia de que seu filho estava sem vida no local… é uma dor que não dá pra explicar”.
Danilo é descrito pelo pai como um jovem muito querido, honesto e trabalhador, que tinha planos e buscava crescer, vivendo um momento especial da vida.
Diante da perda, a família cobra justiça. “O que mais revolta é saber que tinha gente embriagada e aconteceu uma tragédia dessa, que destruiu a nossa família”, afirmou.
Mesmo em meio à dor, Vander diz se apegar à fé. “A vida do meu filho não volta mais, mas eu espero que a justiça seja feita. E acredito também na justiça de Deus, que não falha”.
O acidente
O acidente aconteceu quando Danilo pilotava a motocicleta e houve a colisão com uma caminhonete de luxo, uma Ford Ranger Raptor, que seguia no sentido Belvedere.
Segundo relato do motorista à Polícia Militar, ele trafegava pela faixa da esquerda quando a moto teria surgido pela direita. O condutor afirmou não se lembrar com precisão da dinâmica da batida.
Danilo morreu ainda no local, conforme constatado pelo Samu. Um adolescente de 16 anos, que estava na garupa, ficou gravemente ferido e foi socorrido para o Hospital João XXIII.
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De acordo com o boletim de ocorrência, o motorista apresentava sinais de embriaguez, como hálito etílico, fala desconexa e dificuldade de equilíbrio. Ele se recusou a fazer o teste do bafômetro, mas foi detido em flagrante e encaminhado à delegacia. Outros dois passageiros que estavam no veículo optaram por ficar em silêncio.
