Um impasse envolvendo a preservação do patrimônio histórico e a fiscalização municipal colocou a cidade de Carmópolis de Minas em atenção nesta sexta-feira (10/4). A Prefeitura embargou e lacrou a obra de restauração do Casarão da Mazé, imóvel centenário localizado na Praça do Rosário, no coração do município. A ação atingiu diretamente o projeto da empresária Mazé Lima, fundadora da Mazé Doces, e provocou uma onda de indignação nas redes sociais.

A intervenção ocorreu durante a manhã, quando dois agentes municipais estiveram no casarão, situado na esquina das ruas Coração de Jesus e Luís Alves, para comunicar a interdição e instalar o lacre oficial. A situação se agravou rapidamente, exigindo o acionamento da Polícia Militar, que registrou um boletim de ocorrência no local.

Emocionada, Mazé Lima utilizou as redes sociais para desabafar. Em vídeo que rapidamente ultrapassou as mil curtidas e milhares de visualizações, a empresária apareceu chorando ao relatar o ocorrido.

"É uma das coisas mais tristes que aconteceu. Eu estou reformando o casarão com todo empenho e hoje o poder público impediu que eu continuasse a reforma e lacrou a casa. Eles vieram aqui, embargaram a obra e lacraram o casarão. Eu estou fazendo tudo com cuidado, com respeito à história. Não faz sentido isso", declarou a empresária.

O projeto, divulgado detalhadamente pelo perfil @casaraodamaze, pretendia transformar o imóvel em um polo de turismo afetivo e experiência cultural, valorizando a identidade local. Gabriel de Lima, filho da empresária, também manifestou seu descontentamento publicamente, classificando a medida como "vergonhosa".

"Nada está sendo feito a fim de descaracterizar o imóvel, muito pelo contrário. O nosso compromisso sempre foi preservá-lo e torná-lo um lugar a ser apreciado por toda a população", afirmou Gabriel, criticando o foco da administração municipal na reforma em detrimento de outros problemas da cidade.

A vereadora de Belo Horizonte, Marcela Trópia, comentou o episódio relacionando-o ao seu projeto de lei 699/26, que discute a modernização da gestão do patrimônio em Belo Horizonte. Segundo ela, processos punitivos e a falta de diálogo provocam deteriorações de imóveis históricos e o medo entre proprietários não só na capital, mas em diversas cidades do estado.

Em nota oficial, a Prefeitura de Carmópolis de Minas esclareceu que o embargo não foi uma decisão isolada do Executivo, mas o cumprimento de uma decisão liminar da Justiça, fruto de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG).

Veja a nota na íntegra:

"A Prefeitura de Carmópolis de Minas informa que, em cumprimento à decisão liminar proferida nos autos do processo nº 5000482-94.2026.8.13.0879, em Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais, adotou as medidas determinadas pelo Poder Judiciário relacionadas a intervenções em imóveis de interesse histórico-cultural no município.

A decisão judicial estabelece, em síntese, a imediata suspensão de obras, reformas e demolições, bem como a paralisação da emissão de alvarás, licenças e autorizações, além do embargo de quaisquer intervenções em imóveis inventariados, tombados ou em processo de análise para proteção cultural.

Ressalta-se que o cumprimento da medida não decorre de ato discricionário da Administração Municipal, mas de ordem judicial de observância obrigatória.

Importa destacar que, em caso de descumprimento das determinações impostas ao Município, foi fixada multa diária no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), sem prejuízo de outras sanções legais cabíveis, inclusive de natureza administrativa, civil e penal.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

A Administração Municipal reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a preservação do patrimônio histórico-cultural, adotando todas as providências necessárias ao fiel cumprimento da decisão judicial."

compartilhe