Acesso a Caeté, na Grande BH, a MG-435, que leva a destinos históricos e turísticos, como o próprio município e a Serra da Piedade, é também caminho de muitas propriedades rurais e pousadas, na ligação com a BR-381. Mas seu estado de conservação é lastimável, a exemplo do que ocorre em outros caminhos secundários pelo estado. Já na saída da cidade, buracos se emendam e tomam conta das pistas, por onde caminhões e carretas tentam passar controladamente até ganhar novamente o asfalto.
Motoristas de carros menores sofrem para desviar lentamente das crateras, principalmente em áreas onde há canteiro central. De forma geral, a estrada é muito sinuosa, sem acostamento, sem separação de fluxos opostos e com pontos de ultrapassagem muito escassos.
No Km 2, desde 2022 ocorreram acidentes todos os anos, somando pelo menos 14 registros. O local é de baixa visibilidade devido à vegetação alta. A pista não tem acostamento e mergulha em forte descida, serpenteando pela superfície da montanha até a última curva, a de ângulo mais fechado e que para piorar ainda tem inclinação forte na direção do barranco.
Entre o abismo e o barranco
Desvios de emergência para a direita terminam em precipícios, o que fez com que a maioria dos acidentes ocorresse cruzando o sentido oposto, o que representa ainda perigo de colisão com outros veículos ou contra o barranco.
Muitas vezes, quando alguém fica doente na área rural ou precisa resolver algo em Caeté, Sabará ou Belo Horizonte, acaba acionando o lavrador e motorista Estanislau Venâncio de Camargo, de 52 anos. Uma viagem de riscos e prejuízos na definição dele. “As rodovias (MGC-262 e MG-435) são muito perigosas, têm muitas curvas e estão muito ruins, cheias de buracos, quebrando os carros. Estamos precisando de um asfalto melhorzinho, uma reforma mesmo, porque não está dando para andar”, disse.
Recomendações da CNT
A Confederação Nacional do Transporte (CNT) tem longo histórico de avaliação das condições das vias brasileiras e traz algumas observações de segurança em áreas rurais, vias de pista simples e estradas em más condições.
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Nesses ambientes, os cenários fatais são frequentemente agravados pela “geometria de curvas, excesso de velocidade e ultrapassagens indevidas em trechos de pista simples”, indica o estudo “Transporte em Foco – Rodovias que perdoam”, da CNT.
O trabalho mostra que muitas vias secundárias ou rurais apresentam problemas de conservação. “Caso não seja possível evitar vias em condições ruins, é essencial ter mais atenção, reduzir a velocidade e manter uma distância segura dos demais veículos”, alerta o Guia Viagem Segura da CNT.
O estudo faz menção específica ao risco de ultrapassagens em pistas simples, de mão dupla e sem acostamentos – último espaço de escape, disponível na maioria das rodovias pavimentadas. “A ultrapassagem indevida, especialmente em locais sem acostamento, aumenta significativamente o risco de colisões frontais, frequentemente resultando em acidentes fatais”, destaca a publicação.
Além da falta de estrutura, estradas secundárias e de terra são as que mais sofrem com mudanças climáticas. Em situações adversas, “recomenda-se reduzir a velocidade, manter os faróis baixos acesos, aumentar a distância de segurança e evitar áreas alagadas”, diz o guia da CNT.
“Tapa-buracos de rotina”
De acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais (DER-MG), os serviços de conservação e manutenção, como tapa-buracos, são feitos rotineiramente nas duas rodovias avaliadas pela reportagem. “Em períodos chuvosos intensos como o deste ano, a execução depende de estiagem, em função da necessidade técnica do trabalho”, argumenta o departamento.
Com relação à MG-435, em Caeté, o DER-MG afirma já ter programação para o reparo do pavimento, nas proximidades do Km 11,5, com danos ampliados pelas chuvas dos últimos meses. “O início dos trabalhos está condicionado a condições climáticas favoráveis”, informa.
Sobre a MGC-262, entre Sabará e Caeté, o DER-MG indicou dois pontos com estreitamento na pista devido a erosões também causadas pelas chuvas. “Os projetos de engenharia já estão concluídos para posterior lançamento do processo licitatório para execução das obras. Os locais estão sinalizados”, informa o departamento, acrescentando que os dispositivos de drenagem danificados foram mapeados e entrarão na programação de serviços.
Projetos e promessas
O DER-MG questiona avaliações da CNT sobre as vias mineiras. “Informamos que os critérios da Confederação Nacional do Transporte (CNT) para determinar as condições de uma rodovia não consideram itens na sua análise como época de sua construção, tipo de solo, relevo, índices pluviométricos, além de outros aspectos que seriam fundamentais para avaliar a real qualidade de uma via, em um determinado momento”.
O departamento informou, ainda, que há 124 quilômetros de rodovias com projetos concluídos de aumento de capacidade, com implantação de terceiras faixas e restauração do pavimento, em fase de licitação para execução das obras.
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Outros 109 quilômetros estão com projetos da mesma natureza concluídos para iniciar processo licitatório para obra, segundo o DER. Em elaboração de projetos estão outros 32 quilômetros e já em obras, com o mesmo objeto, estão 85,6 quilômetros de rodovias, diz o departamento. As rodovias vicinais e rurais são de responsabilidade dos municípios.
