Melhoria nas estradas do país e dor de cabeça nos transportes
Mas se a melhora nas vias é para ser comemorada, o ano de 2026 marca a entrada em vigor da Reforma Tributária, o que trará uma nova realidade para o transporte
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Quem vive na estrada ou depende dela para que a economia gire recebeu uma notícia alentadora nesta semana, mas as transportadoras também convivem com um clima de apreensão diante do início da reforma tributária este ano. O novo levantamento do Radar CNT do Transporte, da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostra que houve queda de 12,3% no número de pontos críticos nas rodovias brasileiras em 2025. O número de ocorrências graves caiu de 2.446 em 2024 para 2.146 em 2025. Em números absolutos, são 300 “armadilhas” a menos no caminho de motoristas, famílias e transportadores de carga.
A CNT não classifica qualquer rachadura como ponto crítico. Apenas situações que geram risco iminente de vida ou interrupção de fluxo: quedas de barreira, pontes prestes a cair e crateras que engolem pneus. Apesar do avanço, o raio-X da malha viária mostra que os problemas ainda são muitos. Dos problemas mapeados, mais de 80% ainda são buracos de grande porte. São 1.716 registros desse tipo. Embora seja um volume menor que na edição anterior, o dado revela que a manutenção básica do pavimento – o feijão com arroz da infraestrutura – ainda é o maior desafio da gestão pública e das concessionárias.
Além do asfalto vencido, o estudo identificou gargalos estruturais preocupantes: 248 erosões na pista e 57 pontes estreitas. Essas últimas representam um risco silencioso, funcionando como funis que estrangulam a logística e aumentam a chance de colisões frontais.
A melhoria, ainda que gradual, reverbera imediatamente no custo Brasil. Para setores especializados, como o dos cegonheiros – responsáveis por transportar veículos de alto valor agregado –, cada quilômetro de asfalto decente significa previsibilidade. José Ronaldo Marques da Silva, o "Boizinho", presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros, ressalta que a redução de pontos críticos não é apenas estatística, mas segurança para os 5 mil trabalhadores do transporte de veículos. Menos buracos significam menos desvios bruscos, menos avarias na carga e, crucialmente, menos vidas em risco.
Márcio Galdino, diretor-regional da entidade, complementa com a visão logística: o transporte especializado exige um "balé" complexo de rotas. Quando a infraestrutura ajuda, a fluidez aumenta e o custo operacional – que invariavelmente chega ao consumidor final – tende a ser controlado. Para a CNT, o recado de 2025 é claro: “estamos no caminho certo, mas a estrada ainda é longa. A continuidade dos investimentos é a única via possível para que, no próximo ano, não tenhamos apenas menos buracos, mas sim uma malha viária condizente com o tamanho da economia brasileira”.
Preocupação
Mas se a melhora nas vias é para ser comemorada, o ano de 2026 marca a entrada em vigor da Reforma Tributária, o que trará uma nova realidade para o transporte rodoviário de cargas, alterando custos operacionais e acendendo um alerta amarelo sobre a precificação do frete. Para quem vive da logística, a mensagem do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg) é clara: a conta para quem não se planejar será alta.
Para o setor, o ponto crítico não é apenas a mudança, mas a transição. A partir de 2026, o Brasil viverá um período híbrido que durará até 2032. Durante esses anos, as empresas terão que lidar com o “fantasma” do sistema antigo enquanto implementam o novo modelo baseado na Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que é federal, e no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), tributo estadual e municipal. Assessor jurídico do Setcemg, Reinaldo Lage, diz que “a coexistência de tributos antigos com o IBS e a CBS aumenta a complexidade operacional, gera duplicidade de obrigações e eleva o risco de erros, autuações e litígios.”
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Ou seja, a burocracia, antes de diminuir, pode dobrar temporariamente. Isso exige um músculo administrativo que muitas transportadoras hoje não possuem. A matemática é simples: Custo de adaptação + aumento de obrigações acessórias + limitação de créditos = Pressão no Frete. A reforma reduz gradualmente os incentivos fiscais federais e introduz a tributação de lucros e dividendos. As transportadoras precisarão repassar esses novos custos para a cadeia produtiva. Quem vai pagar a conta final, inevitavelmente, será o consumidor.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
