IMPUNIDADE

BH: protesto na Feira Hippie cobra justiça por Orelha e outros casos

Ativistas da causa animal denunciam impunidade de agressores de animais e defendem federalização no Caso Orelha

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Com Marcos Vieira

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Uma manifestação pelos direitos dos animais e, em especial, pelo Cão Orelha movimentou a tradicional Feira Hippie, na Avenida Afonso Pena, no Centro de Belo Horizonte (MG), na manhã deste domingo (26/4). Atos semelhantes ocorrem simultaneamente em diferentes capitais do país, como Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Brasília (DF).

Orelha era um cão comunitário que foi morto a pauladas por quatro adolescentes em Florianópolis (SC), em 4 de janeiro deste ano. As investigações do caso apontaram um adolescente como agressor, que teve internação solicitada, e três pessoas por coação. Conforme as investigações, elas ameaçaram um porteiro do condomínio da Praia Brava, onde o cão foi morto. 

Três meses depois, em 13 de março, o ex-delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, foi denunciado pelo Ministério Público do estado por improbidade administrativa, com um pedido de indenização por dano moral coletivo. Ulisses deixou o cargo em fevereiro e foi substituído por Marcelo Sampaio Nogueira.

Ao Estado de Minas, a coordenadora do Movimento Mineiro pelos Direitos Animais Adriana Araújo contou que esta é a quarta vez que o grupo se une em defesa da pauta, com manifestações que acontecem mensalmente na Feira Hippie.

“Estamos aqui hoje, neste 26 de abril, pela quarta vez, saindo às ruas, junto com brasileiras e brasileiros, reivindicando a justiça por Orelha. Aquele cão que em 4 de janeiro, em Praia Brava, em Florianópolis, foi cruelmente torturado e reconhecido, assim, pelo próprio governador, um caso que tomou proporções internacionais e que absurdamente permanece impune”, afirmou.

“A gente tá buscando justiça pelo Orelha e por todos os animais, porque a gente tá querendo que a sociedade tenha consciência que os animais merecem respeito e não podem ser maltratados como têm sido. A gente não vai parar”, disse Andrea Fonteboa, uma das organizadoras do ato.

Impunidade

À reportagem, Adriana afirmou que a manifestação não se resume ao Caso Orelha, como também pretende chamar atenção de outros casos de crueldade animal que, assim como o caso catarinense, não teve punição. Ela citou o cavalo de Bananal, no interior de São Paulo, que teve as quatro patas decepadas enquanto estava vivo; a cadela que foi morta a tiros pelo próprio tutor de Pará de Minas (MG) e um cachorro que foi morto a pauladas em Montes Claros (MG).

Ela defendeu: “Enquanto a impunidade persistir, nós estaremos nas ruas e continuaremos sendo a voz do Orelha e de todos. Enquanto a impunidade prevalecer, casos como esse se multiplicarão”. 

Outro exemplo de violência sem arrependimento é o caso deste mês de um homem identificado como Jefferson Buhler Figliuolo, que foi preso no aeroporto de Manaus, no estado do Amazonas, suspeito de atropelar intencionalmente seis cães comunitários. “Ele afirmou que se ele for solto ele vai continuar fazendo isso. Ou seja, que ser humano é esse. Como que uma pessoa dessa pode viver solta em sociedade? É isso que nós estamos questionando aqui”, completou Natália Henriques, manifestante presente do ato.

“A sociedade pode esquecer de todas essas crueldades, mas nós não vamos deixar a justiça esquecer. Estaremos aqui todos os meses lutando pela causa dos animais e para diminuir o número de maus tratos”, declarou Henriques.

CPI, criação de lei e surfe eleitoral

Entre as defesas da manifestação, estão o pedido por uma CPI do Caso Orelha que, para Adriana, evidencia a omissão de agentes públicos. Também há o pedido da federalização do caso e da criação de uma lei que determine um disque-denúncia para casos de violência animal, com infraestrutura especializada para acolhimento e encaminhamento dos casos. 

Na visão da ativista, muitos pré-candidatos que miram cadeiras nos governos estão se apropriando da causa animal neste período eleitoral. “Vários oportunistas têm se apropriado da nossa luta, da nossa pauta do sofrimento dos animais para se promoverem. Nós estamos aqui primeiramente como cidadãs e cidadãos brasileiros, eleitoras e eleitoras, dando um basta também a essa forma de dar-se aos animais, que é o oportunismo que se multiplica diante das denúncias”, finalizou.

“Cultura que cachorro de rua serve como lixo”

Para a manifestante Natália Henriques, a violência animal tem como causa toda uma cultura que despreza os animais. Ela, que é formada em Jornalismo e também professora de Português e Espanhol para adolescentes entre 12 e 15 anos, tenta transformar a sala de aula em um espaço também de conscientização.

Ativista da causa animal há mais de 10 anos, ela disse acreditar que a sociedade brasileira precisa se conscientizar mais sobre o respeito aos animais, principalmente em um contexto com punições brandas, aumento do número de denúncias e que “nada é feito”.

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“Eu tento passar isso na sala de aula para os meus alunos, que ninguém é obrigado a ter um animal, um bicho de estimação, mas a respeitar, todo mundo é obrigado. Ninguém pode chutar, bater, matar um animal de estimação, um animal de rua. E no Brasil, infelizmente, impera a cultura que o cachorro de rua serve como um lixo: ‘Não tem problema, ele não é uma vida’”, afirmou também à reportagem.

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