‘Não pode ficar impune’, diz mãe de garupa atingido por empresário
Adolescente de 16 anos estava na garupa da moto quando foi atingido por uma caminhonete na MGC-356, em BH. Motociclista morreu e jovem segue internado
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A mãe do adolescente de 16 anos que estava na garupa da moto atingida por uma caminhonete de luxo na MGC-356, na madrugada de domingo (12/4), pede justiça. Ítalo Leandro Martins dos Santos estava indo trabalhar em uma moto por aplicativo quando o veículo foi atingido por uma Ford Ranger Raptor na altura do "Ponteio lar shopping", na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Ele segue internado em estado grave no Hospital João XXIII, enquanto o motociclista, de 25 anos, morreu no local.
“Ele (motorista) precisa pagar pelo que fez, não pode ficar impune e precisa arcar com a irresponsabilidade dele”, reforça Helenice Martins dos Santos. A mãe do garoto conta que ele trabalha vendendo balas em bares e festas e que saiu de um ponto onde costuma vender os doces, na madrugada de domingo, para ir a um show na região.
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O sentimento de injustiça é reforçado pelo fato de segundo Helenice, o adolescente já trabalhar desde novo para conquistar autonomia financeira. “Meu filho tem apenas 16 anos e sempre gostou de correr atrás das coisas dele”, comenta.
De acordo com ela, o menino está sedado, mas não está mais entubado. Ela relata que a situação é delicada, pois sofreu várias lesões internas e teve um sangramento abdominal. No entanto, espera ansiosamente pela melhora do filho.
Como foi o acidente?
De acordo com o boletim de ocorrência, o motorista da caminhonete, de 45 anos, e os outros dois passageiros do carro, ambos de 40 anos, apresentavam sinais de embriaguez, como hálito de bebida alcoólica e fala desconexa. O motorista, que é empresário e morador de Nova Lima, na Grande BH, foi preso em flagrante e, até a publicação desta matéria, não havia passado por audiência de custódia.
À Polícia Militar (PM), o condutor disse que seguia pela faixa da esquerda quando a motocicleta "apareceu" na faixa da direita. O motorista afirmou aos militares que não se lembra com precisão da dinâmica da colisão. Danilo Pereira Marinho teve traumatismo craniano e a morte foi constatada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Despedida
Danilo Pereira Marinho, de 25 anos, foi sepultado nesta segunda-feira (13/4), no Cemitério Porto Seguro, em Ribeirão das Neves, na Grande BH, onde morava. Sob forte comoção, um comboio de motociclistas chegou ao cemitério e realizou um cortejo até o túmulo. Em um gesto de despedida, eles aceleraram as motos e buzinavam. A homenagem emocionou familiares e amigos.
No último final de semana, o rapaz havia comemorado o aniversário e o casamento recente com amigos próximos. O motociclista e amigo de infância Alex Gabriel Rodrigues Silva, de 24 anos, passou os últimos dias ao lado dele e relembra a felicidade do amigo antes da tragédia.
“Na sexta-feira (10/4) foi aniversário dele. Ele foi pra minha casa lá em Justinópolis. A gente estava junto, comemorando. No sábado (11/4), saímos para Ouro Preto, conhecemos vários lugares. Ele estava muito feliz…abracei ele, parecia até uma despedida”, contou.
Segundo Alex, Danilo vivia uma fase de planos e realização pessoal. “Ele me mostrou uma mensagem da esposa dizendo que ela estava muito feliz com ele. O sonho dele era ver ela feliz”, disse. O motoqueiro também lembra que tentou evitar a saída na noite de sexta: “Até falei pra ele não ir, porque a gente estava muito cansado, mas ele foi”.
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A rotina de trabalho e a amizade antiga também marcaram o relato. “Eu conheço ele desde criança. A gente sempre ficou junto, jogando bola, conversando até tarde na rua”, afirmou Alex.