O Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) da Marinha do Brasil (MB), a Axia Energia (antiga Eletrobras), a Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago) e o município de São José da Barra, na região Sul de Minas, firmaram um protocolo de intenções para a doação definitiva do antigo aeroporto de Furnas à Força Naval. O documento foi assinado nesta segunda-feira (30/3) na Fortaleza de São José, na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro.
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O espaço, que estava desativado, já vinha sendo utilizado como Base Aérea Expedicionária pela Marinha do Brasil desde 2022. A infraestrutura do aeroporto inclui uma pista de aproximadamente 1.600 metros de extensão, hangar, abastecimento e acesso asfaltado à sede do município de São José da Barra.
De acordo com a Marinha, o aeródromo tem importância logística fundamental para as atividades do Corpo de Fuzileiros Navais, que se intensificaram na região desde o desmoronamento de um paredão de pedra em um cânion do Lago de Furnas, em 8 de janeiro de 2022, que atingiu três embarcações e causou a morte de 10 pessoas.
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Vale ressaltar que cabe à Marinha fiscalizar a navegação não apenas na costa marítima, mas também nos rios e lagos de todo o país. Além disso, a força viu no Lago de Furnas um local estratégico para treinamentos militares, como adestramento de embarcações e infiltrações táticas. A represa concentra um volume de água quatro vezes maior que o da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e tem um perímetro correspondente a quase metade do litoral brasileiro.
A Base Aérea Expedicionária em São José da Barra fica a uma distância de aproximadamente 700 km do comando em Brasília. Pode não parecer muito, mas trata-se de um percurso que pode ser percorrido em cerca de 1 hora de voo; além disso, é praticamente a metade do itinerário entre a capital federal e a costa marítima brasileira.
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"É uma área com condições excepcionais, permitindo integrar operações ribeirinhas, operações com blindados anfíbios, operações aéreas com aviões e helicópteros, salto de paraquedas, apoio à Defesa Civil e muitas outras atividades de vital importância para a Defesa Nacional", avalia o Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra Carlos Chagas Vianna Braga.
Operação Furnas
Desde 2022, a Base Aérea Expedicionária em São José da Barra vem sendo utilizada anualmente em um grande treinamento militar, batizado pela Marinha de Operação Furnas. A última ação desse tipo, realizada em outubro de 2025, mobilizou cerca de 1.800 militares brasileiros e contou com a participação de 10 nações amigas.
O exercício envolveu o deslocamento maciço de tropas do Rio de Janeiro para o Sul de Minas, integrando embarcações, aviões de caça, carros lagarta anfíbio e os meios aeronavais que já operam no lago. Durante a operação, a Força Naval ainda finalizou os testes de voo para o emprego de um drone de ataque remotamente pilotado, de navegação autônoma e desenvolvimento próprio.
Ações colaborativas
Ainda segundo a Marinha, a assinatura do protocolo também servirá para aprimorar ações de resposta a emergências na região. A Força integra um workshop com a Defesa Civil e outros órgãos, entre os quais polícias, bombeiros, universidades e a Axia Energia, que promove simulações práticas de desastres.
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A Marinha também utiliza a infraestrutura em ações cívico-sociais. Entre essas ações, há oferta gratuita de atendimentos médicos e odontológicos, vacinação e palestras de prevenção para moradores locais. "Com essa parceria abrindo as portas, a nossa região se tornou estrategicamente mais forte", opina o prefeito de São José da Barra, Marcelo Rodrigues da Silva (Republicanos).
