Pacientes e funcionários do Hospital Júlia Kubitscheck (HJK), no Barreiro, em Belo Horizonte, enfrentam falta de água desde domingo (29/3), devido à interrupção no abastecimento provocada por obras da Copasa. A situação persiste nesta segunda-feira (30/3), afetando atendimentos e higiene e gerando protestos de usuários e trabalhadores que cobram soluções emergenciais.
A ausência de água tem impactado diretamente a rotina hospitalar. Relatos apontam que pacientes estão sem conseguir tomar banho, utilizar sanitários adequadamente ou até mesmo ingerir água nos bebedouros. Funcionários também relatam dificuldades para manter protocolos básicos de higiene.
Uma servidora pública, que prefere não se identificar, descreveu a situação como crítica. Segundo ela, a falta de água compromete até cuidados básicos com pacientes mais vulneráveis. “Estou lavando a mão com álcool. É uma vergonha um hospital público sem água”, declarou.
Em relato mais detalhado, uma paciente denunciou condições insalubres dentro da unidade. De acordo com ela, banheiros estão sem condições de uso, há mau cheiro nos corredores, e muitos pacientes seguem sem banho desde o início do problema. Ainda segundo a mulher, apenas quem tem condições financeiras consegue comprar água fora do hospital, enquanto outros enfrentam dificuldades até para tomar medicamentos.
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A crise se agrava com o impacto nos procedimentos médicos. A diretora executiva do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde/MG), Neuza Freitas, afirmou que, além do HJK, outros dois hospitais de grande porte da região também foram afetados. Ela defende a suspensão de cirurgias até que o abastecimento seja normalizado.
Vídeos gravados pela sindicalista mostram salas cirúrgicas prontas para atender os pacientes, mas impossibilitadas de funcionamento por falta de água. “Não tem como fazer cirurgias porque simplesmente não tem uma gota de água nem mesmo para lavar as mãos. Então, como que vai lavar as mãos? Como vai lavar as mãos para atender os pacientes?“, disse.
Segundo a sindicalista, profissionais de saúde estariam utilizando soro fisiológico para higienização das mãos, medida considerada inadequada e cara. “Sem água, não há condição de atendimento seguro”, ressaltou.
O que diz o hospital
Em nota, a direção do Hospital Júlia Kubitschek informou que a interrupção no abastecimento está relacionada a uma intervenção programada da Copasa.
A unidade relatou ter adotado medidas emergenciais, como o uso de caminhões-pipa, e mantém contato constante com a companhia para restabelecer o serviço o mais rápido possível.
Copasa
A Copasa havia comunicado anteriormente que bairros de Belo Horizonte e outras 14 cidades da Região Metropolitana poderiam sofrer com intermitência no abastecimento devido a obras de ampliação do Sistema Produtor Rio Manso. A previsão inicial era de normalização gradual ainda no domingo, com regularização completa até a noite desta segunda-feira, especialmente em áreas mais altas.
Nesta segunda, em contato com a reportagem, a Copasa informou que, "em função da paralisação programada realizada no domingo no Sistema Produtor Rio Manso, foram registrados, na retomada da operação, problemas operacionais pontuais na malha de abastecimento que atende a região do Hospital Júlia Kubitschek".
"A companhia esclarece que as ocorrências já foram solucionadas e que o abastecimento encontra-se em processo de estabilização gradativa ao longo do dia. Concomitantemente, a Copasa está atuando com caminhões-pipa realizando o abastecimento emergencial na unidade hospitalar, a fim de minimizar os impactos até a plena regularização do fornecimento", completou.
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*Estagiária sob supervisão da subeditora Tetê Monteiro
