O pedido da defesa de Gissele Rosângela de Oliveira, acusada de assassinar cinco, dos sete filhos biológicos envenenados, para averiguar possível insanidade mental, foi negado pela Vara Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Timóteo, no Vale do Aço. A decisão foi dada nessa quarta-feira (25/3), quando foi realizada a primeira audiência de instrução do caso.

Na audiência de ontem, foram ouvidas seis testemunhas de acusação. A audiência de continuação foi marcada para 8 de maio, às 10h, quando serão ouvidas mais testemunhas e quando, possivelmente, a ré será interrogada. O caso tramita na Comarca de Ipatinga, também no Vale do Aço mineiro.

Conforme a decisão, "a legislação processual exige que esta dúvida seja fundada e suficientemente demonstrada por elementos que revelem, ainda que minimamente, a plausibilidade de transtorno mental atual ou pretérito, capaz de comprometer a imputabilidade penal."

"No presente caso, não se extrai dos autos qualquer documento médico, laudo técnico, atestado
ou registro clínico capaz de sustentar minimamente a pretensão defensiva", considerou a juíza Marina Souza Lopes Ventura Aricodemes, em sua decisão. 

Relembre o caso

A suspeição da morte dos cinco filhos foi levantada pela mãe de Gisele, que procurou a polícia para prestar depoimento e relatar que a filha tinha problemas psiquiátricos. Segundo a mãe, a suspeita começou a apresentar problemas psiquiátricos em 2008.

A primeira morte, de João Damasceno, teria ocorrido em outubro de 2010. Um mês depois, o segundo filho, Cauã, morreu nas mesmas circunstâncias. Na época, segundo a polícia, não houve suspeitas e as mortes foram atribuídas a causas naturais.

Posteriormente, em 2019, mais dois filhos de Gisele morreram – em junho, Ana Júlia; em agosto, Kaik. Conforme informado pela polícia, ainda sem nenhuma suspeita entre os casos. Em janeiro de 2023, morreu o quinto filho de Gisele. Foi quando a mãe da investigada encontrou na casa da filha caixas de sedativos. A avó, então, suspeitou das mortes dos netos. 

Em outubro de 2025, a Polícia Federal (PF) participou do processo de extradição da mulher, que fugiu para Portugal no mesmo ano e foi presa no país europeu. De acordo com as investigações da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), a acusada teria administrado, intencionalmente, substâncias sedativas, que provocaram a morte de seus cinco filhos, com idades entre 10 meses e três anos. Os crimes ocorreram entre 2010 e 2023, em Timóteo. 

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Mesmo de Portugal, segundo as investigações, Gisele continuou intimidando familiares e testemunhas para impedir as investigações. Ela foi localizada em Coimbra, em 5 de maio do ano passado, e presa pela Polícia Judiciária portuguesa. Conforme a PF, o nome dela constava na lista de Difusão Vermelha da Interpol – um alerta internacional para uma pessoa procurada. 

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