O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, foi pessoalmente ao Bairro Esplanada, Região Leste da capital, para retirar barreiras que impediram por seis dias que motoristas vindos da Avenida dos Andradas pudessem acessar a Avenida Itaituba. O apelo vinha sendo feito pela população há dias. Segundo a BHTrans, um dos sentidos da avenida foi interditado para a construção de uma segunda ciclofaixa e a transformação da atual em uma pista de caminhada.
A retirada das barreiras ocorreu nesta terça-feira (17/3) e foi registrada em um vídeo publicado no Instagram do prefeito. Nas imagens, moradores e trabalhadores de um centro de reciclagem da avenida, que vinha tendo o movimento prejudicado, comemoram ao verem a liberação.
Durante o vídeo, junto de uma representante do órgão de trânsito, Álvaro Damião reconheceu o impacto da mudança na região e afirmou que a decisão de rever a medida veio das reclamações da população. “Todo dia que eu passava aqui eu ouvia um ‘resolve para nós’. Tá resolvido!”, disse. Em outro momento, completou: “Não tem problema voltar atrás, retificar, consertar se você pediu”.
O prefeito também destacou que a intervenção faz parte de um projeto maior que através de recursos de emenda da vereadora Marcela Trópia (Novo) vai requalificar a via e trazer melhorias ao longo da marginal da Avenida dos Andradas. A BHTrans confirmou que a instalação de duas travessias elevadas, a proibição de estacionamento e a implantação de infraestruturas de acessibilidade estão previstas nesse plano.
O fluxo de veículos na região é grande e, segundo moradores, a Avenida Itaituba dá acesso à Avenida Silviano Brandão e a estabelecimentos como uma auto-escola e o supermercado Apoio Mineiro, além de ser uma “ponte” para um bairro vizinho. Todos que faziam o trajeto diariamente precisaram alterá-lo, congestionando outras ruas ao redor e aumentando o tempo de trajeto.
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O bloqueio do acesso gerou revolta entre trabalhadores da Unidade de Recebimento de Pequenos Volumes (URPV) da Avenida dos Andradas, que dependem do fluxo de carga e descarga de veículos para garantir renda. É o caso do Wendell Vinícius, de 48 anos, que trabalha ali há duas décadas. Ele disse que nos dias em que o centro de reciclagem ficou fechado houve uma queda considerável no movimento e consequentemente prejuízos financeiros. Segundo ele, um dos sentidos ficou fechado por cerca de 5 dias.
O reciclador explicou que os clientes que foram no “bota-fora” precisaram dar uma volta enorme por outras avenidas, o que fez alguns deles procurarem outro local para deixar os materiais. “Isso atrapalhou muito, porque a gente depende do movimento para ganhar dinheiro. Eu sustento minha família com isso. Como é que faz sem os carros passando?”, questionou. Wendell também criticou a falta de diálogo prévio com quem atua diariamente na região. “Se quer mudar, tem que pensar em quem vive disso aqui”, afirmou.
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O motorista Nilson Miranda, auxiliar de engenharia de 42 anos, confirmou a situação. Ele disse que frequentemente leva restos de materiais de obras para o local. Ele relatou que o bloqueio complicou seu trabalho. “Foi difícil, do jeito que estava, ficou ruim para todo mundo”, disse.
Depois das reclamações, o vereador Rubão (Podemos) visitou o lugar e fez a solicitação de revisão do bloqueio junto à prefeitura. Darlan, de 23 anos, que também é profissional de reciclagem na URPV há 13 anos, contou que a ajuda foi essencial.
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*Estagiária sob supervisão da subeditora Juliana Lima
