As buscas pelo último desaparecido das enchentes que atingiram Ubá, na Zona da Mata mineira, chegam ao 21º dia nesta segunda-feira (16/3). O profissional autônomo Luciano Franklin Fernandes, de 50 anos, foi arrastado pela correnteza em 23 de fevereiro, durante o transbordamento do rio que corta a cidade, provocado pelas fortes chuvas que atingiram a região. Para aumentar as chances de localização, uma equipe especializada em busca com cães de resgate deslocou hoje cedo para o município.
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Luciano estava com a namorada, a comerciante Edna de Almeida Silva, de 56, e o filho dela, Bruno, de 31, dentro de casa quando foram surpreendidos pela força da água. Edna conseguiu se segurar em um poste e resistiu por cerca de três horas, e o jovem ficou agarrado em uma grade de ferro até serem resgatados pelos vizinhos. No entanto, Luciano foi arrastado pela força da água.
O temporal que atingiu o município provocou a maior inundação registrada na cidade nos últimos anos. Diversos bairros ficaram alagados, casas destruídas e ruas bloqueadas. O volume de chuva registrado em poucas horas fez o Rio Ubá transbordar rapidamente, aumentando os impactos do desastre. Diante da dimensão dos danos, o município decretou estado de calamidade pública.
Mais de três semanas após o desastre, a operação segue com reforço de equipes especializadas. Na manhã desta segunda-feira, um grupo de busca com cães de resgate foi deslocado para o município para integrar a força-tarefa que atua na região. As ações são coordenadas pelo 4º Batalhão do Corpo de Bombeiros e envolvem militares de diferentes unidades do estado.
Ao todo, 33 profissionais participam da operação, incluindo integrantes do 3º Comando Operacional de Bombeiros, da 2ª Companhia do 4º Batalhão, da 2ª Companhia Independente e equipes do Batalhão de Emergências Ambientais e Resposta a Desastres. Também atuam nas buscas o Pelotão de Emergências Ambientais, o canil do 9º Batalhão e reforços vindos das frações de Muriaé e Viçosa, ambas também na Zona da Mata.
As equipes dividiram a área de atuação em três frentes de trabalho ao longo das margens do Rio Ubá. Nessas regiões, são realizadas varreduras sistemáticas em pontos considerados estratégicos. Em um dos locais, uma escavadeira é utilizada para revirar áreas de interesse previamente identificadas durante o planejamento das buscas.
Uso de drones
Outra frente de atuação reúne militares especializados em Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas (BREC), técnica aplicada principalmente em cenários de desastres onde há possibilidade de vítimas sob escombros ou sedimentos deixados pela enxurrada.
Para ampliar as chances de localização, a operação também conta com o uso de tecnologia. Dois drones equipados com câmeras térmicas auxiliam na identificação de variações de temperatura em áreas de difícil acesso. Além disso, três binômios – duplas formadas por bombeiro e cão farejador – realizam buscas terrestres em trechos selecionados ao longo do rio.
Mesmo após 21 dias do início das buscas, o Corpo de Bombeiros afirma que a operação continuará enquanto houver possibilidade de localizar a vítima. Segundo a corporação, as equipes realizam análises diárias das áreas de busca e redirecionam as ações conforme novas informações ou condições do terreno. (Com informações de Sofia Maia e Bruno Luís Barros)
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*Estagiária sob supervisão da subeditora Tetê Monteiro
