As buscas por Artur Henrique, de 24 anos, que desapareceu após ser arrastado para dentro de uma galeria de drenagem durante uma enxurrada na rua Varginha, no bairro Itacolomi, em Sabará (MG), na Grande BH, entraram no segundo dia na manhã desta terça-feira (10/3). O jovem desapareceu na tarde de segunda-feira (9), durante o temporal que provocou diversos transtornos na cidade.

Equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais retomaram os trabalhos por volta das 6h. As buscas se concentram principalmente no trecho final da galeria pluvial e nas proximidades do ponto onde a água deságua no Córrego Arrudas.

O primeiro-tenente Gabriel Alves Caetano explicou que as equipes foram mobilizadas logo nas primeiras horas do dia para dar continuidade à operação. Segundo ele, os bombeiros já chegaram ao leito do rio e continuam as buscas na região, mas até o momento o jovem não foi localizado. “A guarnição chegou ao rio e continuou fazendo as buscas por lá, mas por enquanto ainda não obtivemos sucesso em encontrar a vítima”, afirmou.

 

 

Entre as estratégias utilizadas pelas equipes estão a varredura dentro da galeria, a busca ao longo do leito do rio e o uso de um drone para sobrevoar a área. Os trabalhos também enfrentam dificuldades por causa das condições da galeria.

De acordo com o primeiro-tenente, alguns trechos foram modificados ao longo dos anos pelos próprios moradores, o que torna o acesso mais complicado. “Existem trechos improvisados feitos pelos moradores ao longo do tempo, com passagens mais baixas e estreitas, o que aumenta a dificuldade das buscas”, explicou.

 

Segundo o militar as equipes avaliam constantemente os riscos para garantir a segurança dos militares. Caso volte a chover forte na região, a operação pode ser interrompida novamente. “Se começar a chover forte aqui ou nas partes mais altas do leito do rio, a gente encerra as buscas temporariamente e retoma quando houver condições seguras”, disse.

 

A principal hipótese é que a força da enxurrada tenha arrastado o jovem até o rio. Segundo o tenente, “pelas informações que recebemos da Defesa Civil e da prefeitura, é bem provável que ele tenha sido levado até o rio. Por isso estamos priorizando as buscas nessa região”.

 

Na segunda-feira (9/3), os militares percorreram cerca de 500 metros dentro da estrutura, mas precisaram interromper a operação no período da noite por causa da baixa visibilidade. O jovem desapareceu na tarde de segunda-feira, após uma cratera se abrir durante a chuva. Segundo os bombeiros, ele estava com outras duas pessoas tentando abrir um buraco em um muro para escoar a água da chuva que invadia a casa de uma vizinha.

 

Durante a tentativa de drenagem, parte do solo cedeu e a força da água arrastou o rapaz para dentro da galeria, que teria sido improvisada por moradores da região Edesio Ferreira/ EM/ D.A Press
Segundo os bombeiros, o jovem estava com outras duas pessoas tentando abrir um buraco em um muro para escoar a água da chuva que invadia a casa de uma vizinha Edesio Ferreira/ EM/ D.A Press
O jovem de 24 anos desapareceu após ser arrastado pela água para dentro de uma galeria de drenagem durante uma enxurrada Edesio Ferreira/ EM/ D.A Press
Márcia Cristina de Souza Ferreira, professora e moradora da Rua São João del-Rei, relatou que a casa dela foi invadida pela água por volta das 14h Edesio Ferreira/ EM/ D.A Press
A galeria tem cerca de 1,2 metro de altura, três metros de largura e aproximadamente 500 metros de extensão, Edesio Ferreira/ EM/ D.A Press
Equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais retomaram os trabalhos por volta das 6h Edesio Ferreira/ EM/ D.A Press
Na segunda-feira (9/3), os militares percorreram cerca de 500 metros dentro da estrutura Edesio Ferreira/ EM/ D.A Press

Durante a tentativa de drenagem, parte do solo cedeu e a força da água arrastou o jovem para dentro da galeria, que teria sido improvisada por moradores da região. 

Em um vídeo do local, imagens mostram o momento em que o jovem, usando camisa preta, calça escura e boné, tenta quebrar o muro com um pedaço de madeira para criar uma passagem para a água acumulada. A galeria tem cerca de 1,2 metro de altura, três metros de largura e aproximadamente 500 metros de extensão, o que dificulta o trabalho das equipes de resgate.

A moradora Márcia Cristina de Souza Ferreira, professora de educação infantil, contou que estava no trabalho quando recebeu um aviso do cunhado informando que a casa estava sendo invadida pela água.

Segundo ela, o familiar enviou um vídeo mostrando a situação e pediu que voltasse rapidamente para o imóvel. Ao chegar à residência, onde ocorreu o acidente, Márcia encontrou o local tomado por água e lama. Móveis estavam molhados e alguns chegaram a ser danificados pela força da enxurrada.

 

De acordo com a moradora, o problema começou após o rompimento de um muro, o que permitiu que a água invadisse o imóvel com intensidade. Foi nesse momento que Artur Henrique, que estava no local ajudando a tentar escoar a água, acabou sendo levado pela correnteza. “Quando o muro cedeu, a água veio muito forte e acabou levando o rapaz”, lamentou.

Equipes da Defesa Civil, da prefeitura e da Vigilância Sanitária estiveram no local para orientar os moradores e iniciar a entrega de ajuda humanitária às famílias atingidas. Enquanto isso, os bombeiros seguem com as buscas pelo jovem desaparecido.

 

O secretário de Defesa Civil de Sabará, coronel Flávio Godinho, explicou que as buscas precisaram ser suspensas na noite de segunda-feira por causa da falta de iluminação e para garantir a segurança das equipes. “As buscas foram retomadas hoje com o clarear do dia. Ontem elas precisaram ser encerradas à noite por causa da iluminação e também para garantir a segurança dos próprios bombeiros”, afirmou.

Segundo ele, o jovem foi até o local para ajudar moradores durante o alagamento. “Ele foi até lá de forma voluntária para ajudar a família. Nesse momento, o solo cedeu e ele acabou sendo sugado para dentro de uma galeria pluvial”, relatou.

A forte chuva que atingiu Sabará na tarde dessa segunda-feira(9)provocou diversos transtornos na cidade. De acordo com a Defesa Civil, o volume de precipitação foi de aproximadamente 30 milímetros em um curto intervalo de tempo, entre 30 e 40 minutos.

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O temporal provocou queda de postes e árvores, além de alagamentos em várias ruas. No bairro Rosário I, o telhado da Escola Municipal Edith de Assis Costa cedeu após um vendaval, causando também a queda de um poste e fios sobre carros na Rua Diogo Alves Correia. Apesar do susto, ninguém ficou ferido.

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